A imprensa deu...

Na suposta democracia racial brasileira, encontrar notícias nos meios de comunicação sobre o assunto etnias não é fácil. Os negros geralmente estão confinados às editorias de cultura e polícia, os índios dão o ar de sua graça no 19 de abril (ou em fatos tidos como excepcionais, como a morte do índio Galdino e o caso Paulinho Paiakan), enquanto os orientais limitam-se a falar de suas religiões e filosofias de vida.

São raros os casos de preconceito étnico que vêm a público. O bom-tom os condena ao anonimato: são as piadinhas que espalham a avareza dos judeus, que afirmam que japonês tem "aquilo"pequeno. É o negro barrado no elevador social ou mal atendido numa loja porque, provavelmente, não tem dinheiro. Porém, mesmo quando um desses fatos rompe o silêncio e explode na mídia, para horror - sincero ou hipócrita - da sociedade, é tratado como caso isolado e com promessas de punição severa.

Ainda assim, aceitamos o desafio de coletar material em alguns órgãos da imprensa escrita nacional sobre o assunto. Optamos pelo clipping mensal, porque consideramos interessante e prático para o estudioso do assunto ter esse material reunido. Pedimos aos visitantes que colaborem conosco, pois, com certeza, deixamos passar muita coisa. Agradecemos desde já. Bom trabalho!


O que a imprensa deu?

Indígenas pedem mais recursos para a FUNAI - Jornal A Tarde, 12 de outubro de 1998
Cor da pele dificulta aceitação de novos imigrantes na França - Jornal A Tarde, 23 de outubro de 1998
Trechos da entrevista feita com o professor e pesquisador Milton Santos - Caros Amigos, agosto de 1998, número17
Canal das Minorias - Minorias lutam por apoio na futura televisão pública  digital - Village Voice, 7 de outubro de 1998
À memória do Parque, dos orixás...
Livro retrata importância cultural, ecológica e social do Parque São Bartolomeu
- Tatiane Souza
Agenda

 

INDÍGENAS PEDEM MAIS RECURSOS PARA A FUNAI

Belém (AF) – Três ônibus com 120 índios guerreiros caiapós partiram ontem de redenção para Brasília. Eles vão protestar contra os cortes de R$11 milhões feitos no orçamentodas administrações regionais da Funai. "Eles querem conversar com todo mundo: com a Funai, os ministérios e até com o presidente da República", disse o administyrador regional substituto da Funai de Redenção, Benedito Oliveira.

Além dos guerreiro, a comissão contará com o apoio do administrador regional Tapieti Caiapó e dos caciques Komei Caiapó e Paulo Payakan. A Funai de Redençãotem uma dívida de cerca de R$180 mil com fornecedores. Atualmente, para sustentar a Casa do Índio, com cerca de 60 pessoas hospedadas, a Funai vem pedindo crédito em supermecados locais. O índio Ozeas Melquíades Guajajara, 3 anos, morreu de desidratação na última quarta-feira na aldeia Lagoa Cumprida, em área atingida pela seca no Maranhão. Segundo o administrador regional da Funai em São Luís, José Araújo Filho, a reserva guajajara, com cerca de 3000 índios, não tem água potável. "Nós soubemos que o garoro estava passando mal, mas não conseguimos transporte a tempo. Muitas empresas aéreas estão deixando de nos atender", afirmou Araújo Filho.

Estado de Penúria

A dívida da Funai acumulada com fornecedores nos últimos seis meses ultrapassa R$1,7 milhão. Depois do corte de R$11 milhões no orçamento do órgão, anunciada em setembro, as administrações regionais se encontram em situação de penúria. As Casas do Índio, setores da Funai que dão assistência aos índios, estão praticamente fechadas por falta de recursos. A maior parte da dívida é com fornecedores de remédios, postos de gasolina, empresas de aviação e supermercados, que abastecem as Casas do Índio. A Funai informou não ter estimativa do valor total da dívida das administrações regionais.

"Os índios estão revoltados e já tem gente morrendo por falta de recursos", disse Luiz Carlos da Silva Sampaio, representante do distrito da Funai em Colíder (MT), que atende índios do sul do Pará e do norte de Mato Grosso.

 

COR DA PELE DIFICULTA ACEITAÇÃO DE NOVOS IMIGRANTES NA FRANÇA

Gilles Lapouge
Correspondente

Paris (AE) – Em julho, quando a França derrotou o Brasil na Copa do Mundo, 60 milhões de franceses gritaram os nomes de Zidane, Thuran, Djorkaeff e alguns outros que não reconhecem nem o Champanhe, nem o Beaujolais, nem o Charolais, mas sim o Congo, a Rússia, a Argélia ou a Papuásia.

Na explosão dos fogos de artifício e na estupidez dos triunfos, o bom povo da França esqueceu-se bem depressa que os pés que mandaram a bola para dentro das redes do gol brasileiro eram pés de negros ou de árabes, pés nascidos nas savanas da África ou nas estepes da Ásia.

Os sociólogos e os escritores se incendiaram: "Vejam só! Há 30 anos a França se debate presa no visco envenenado do racismo. Bastou uma partida de futebol para que o dramático problema multirracial se evapore como o orvalho ao calor do sol. Viva o futebol!"

Essas profecias eram inteligentes. Enfim, eram "um pouco" inteligentes, mas igualmente muito estáupidas! Quatro meses mais tarde, em meio às brumas do inverno, a embriaguez multirracial da Copa se dissipa e os comportamentos xenófobos, muito embora um pouco menos arrogantes, estão de volta.

Como explicar esses furores racistas? Haveria mais estrangeiros na França em 1998 do que outrora? Mas, graças a Deus, a França é uma velha terra de imigração (sua posição de "encruzilhada" do mundo, sua tradição aos "Direitos do Homem", sua doçura e alegria de viver etc.). Antes da Guerra, a França estava repleta de estrangeiros. Poloneses e italianos. Eram desprezados. Eram chamados de "polaks" e de "macaronis". Mas, a partir da segunda geração, tornavam-se aceitos.

É nesse ponto que se pode medir a mudança de atitudes: em 1998, a xenofobia continua sendo exercida com virulência contra os negros ou os árabes da segunda geração, da terceira geração!

Como explicar isso? Pela cor da pele. Um filho de poloneses ou de italianos, ao ir para a escola, confunde-se com a população francesa. Mas um negro, muito embora formado em Ciências Políticas ou na Politécnica, continua negro. De tal sorte que, por baixo do temor – inteiramente legítimo – expresso pelos franceses contra os perigos econômicos de uma imigração maciça, podemos descobrir o espectro pegajoso do racismo.

O estranho é que esta xenofobia áspera, indestrutível, irreparável, que avilta a imagem da França e que alimenta esta "bomba-relógio" política, que é o partido fascista Frente Nacional, de Jean-Marie Le Pen, ignora a história da França, uma história mestiça.

Dezoito milhões de franceses (portanto, um terço da população), nascidos entre 1880 e 1980, são imigrantes da segunda ou terceira geração. Se olharmos outros países – Brasil, Estados Unidos e tantos outros -, como esquecer que o gênio desses povos brota não apenas da etnia de sua origem (portuguesa ou inglesa nestes dois casos), mas também dessas outras pessoas que vieram em navios de pobres e aportaram seu talento, sua força, sua generosidade.

Valeria a pena folhear a história do mundo. Ela é feita por imigrantes: os gregos antigos eram tribos provenientes do Norte, os "hiperbóreos", e a mãe do Deus Apolo, que era tão alegre, nascera nos lados do Pólo Norte. E quem é o criador da cidade de Roma, que irá fascinar e dirigir o mundo antigo? Enéias, que escapou de Tróia (inimiga da Grécia), que carregou seu velho pai, Aniquises, nas costas e se pôs a vagar pelo Mediterrâneo até descobrir a Itália.

 

Leia aqui alguns trechos da entrevista feita com o professor e pesquisador
Milton Santos publicada na revista Caros Amigos de agosto de 1998, número
17. Os entrevistadores foram: Marina Amaral, Sérgio Pinto de Almeida, Leo
Gilson Ribeiro, Georges Bourdoukan, Roberto Freire, João Noro e Sérgio de Souza.


Marina Amaral - O senhor acredita que os organismos internacionais possam
ter força no futuro? Pode existir uma ONU que funcione mesmo?
Milton Santos - Quando se fizer a globalização por baixo, sim, porque haverá
outra realidade. Mas do jeito que está, há uma poluição dos organismos
internacionais, acabam poluídos.

Marina Amaral - Essa globalização por baixo seria via ação local de todos os
povos?
Milton Santos - Acho que vai haver, no caso do Brasil, primeiro, uma outra
federação. Vamos produzir uma outra federação. Os lugares vão se mostrar
insatisfeitos, vão entender por que estão insatisafeitos, o que não sabem
completamente ainda. Daqui a pouco vai haver uma reforma na Constituição,
feita por cima, mas daqui a alguns anos vai haver outra, feita por baixo,
porque essa por cima não vai funcionar. Isso vai acontecer em alguns ou
todos os países. Aí, depois que fizermos a nossa federação por baixo, haverá
a produção da globalizaçào por baixo também, com novas instituiçòes
internacionais.

Marina Amaral - Esse processo é pacífico, professor?
Milton santos - Não, não é pacífico.

Leo Gilson Ribeiro - E leva a um desmembramento do Brasil, ao separatismo?
Milton Santos - Ao contrário, porque é por baixo. Vem de baixo para cima,
vem com emoção, com menos cálculo. E vai incluir os negros, as minorias,
quer dizer, as minoridades, porque não são minorias...

Marina Amaral - A questão negra terá uma importância muito maior?
Milton santos - Claro. Já está tendo maior que na minha maturidade (risos),
do que na minha juventude, e terá muito maior, porque os negros não vão para
lugar nenhum! E com a globalização eles serão... nós seremos - ato falho -
(risos) ainda menos atendidos.

Marina Amaral - E que prazo o senhor prevê para essa outra globalização?
Milton Santos - Não tem prazo. Depende de um conjunto de circunstâncias,
não sei como a coisa vai evoluir na Índia, na China, no Irã, no Iraque.

Georges Bourdoukan - Professor, a semana passada, nos Estados Unidos, a Ku
Klux Klan e os neonazistas fizeram uma série de manifestações, não querendo
mais que os negros circulassem nas ruas. Aí, de repente, ressurgiram os
Panteras Negras, desfilando armados. Como o senhor analisa esse fato?
Milton Santos - Passei agora uns meses ensinando lá, e uma coisa que me
espantou e atribuí, como sempre olho as coisas, ao território californiano,
que é extremamente fluido, bem organizado, bonito do ponto de vista
material, com urbanismo aceitável, mas com extrema aridez da vida social e
das relações interpessoais, ligadas ao fato de que é o creme do mundo
moderno, informatizando, etc. Então é o lugar de ordem, da necessidade da
obediência a regras, do pragmatismo, e também o lugar onde as conquistas
sociais estão em regressão muito grande. O Estado suprimiu, via plebiscito,
aquela coisa da discriminação positiva, depois a língua espanhola, que era
tratada com certa igualdade com a ex-língua nativa, também foi suprimida,
com outro plebiscito, quer dizer, uma volta atrás. Então, essa reação eu
imaginava. É nesse sentido que digo que no Brasil os negros vão deixar de
Ter a posição que têm hoje, pois ainda sorriem, e vão começar a ranger os
dentes. O que é preciso é que os negros queiram ser a nação brasileira. Não
tem de imitar americano, nem querer ser africano. Porque quando quero ser
africano - ou africano brasileiro -, acabo sendo menos político. Sou
político no meu país, porque não há política global, por enquanto. Então,
esses atos de violência nos Estados Unidos vão Ter o correspondente no
brasil em atos de revolta, de rebelião, de manifestações grandes, em outra
escala e com mais força.

Georges Bourdoukan - O senhor sente isso mesmo?

Milton Santos - Prevejo.

Marina Amaral - Como o senhor vê a evolução do movimento negro no Brasil, é
rápida ou lenta?
Milton Santos - Se eu olhar para trás, há um crescimento, tanto na
velocidade quanto na intensidade. Pode estar misturado com vontade de ser
classe média, que polui um pouco as coisas, mas há um crescimento. O fato de
que os negros tenham ido para a faculdade também é importante - descobrem
também que não vão conseguir emprego. Ou os que conseguem são de menor
remuneração. Quando estou pensando na classe média, penso na minha solução
individual, que é o pensamento da classe média típico, não é? Mas está
havendo uma tomada de consciência, digamos assim, do fato de ser relegado.
Porque os negros não fazem parte da nação brasileira, isso é outra coisa.
Sinto isso. Pessoalmente é minha experiência.

Sérgio de Souza - O senhor sente que isso se dá em ralação ao pobre?
Milton santos - Não é a mesma coisa. Porque não está claro na cabeça...

Sérgio de Souza - Na cabeça do pobre?
Milton Santos - Não, na cabeça dos outros. Quando se é negro, é evidente que
não se pode ser outra coisa, só excepcionalmente não se será o pobre. É
muito diferente.

Sérgio Pinto de Almeida - Só excepcionalmente não será.
Milton Santos - Não será pobre, não será humilhado, porque a questão central
é a humilhação cotidiana. Ninguém escapa, não importa que fique rico. E daí
o medo, que também tenho, de circular. Acredito que tenham medo.

Sérgio de Souza - Todos os negros têm medo?
Milton Santos - Todos têm. Posso fazer uma confissão? Tenho uma certa
simpatia por esse rapaz, o Pitta. Esse ataque todos os dias, isso me choca,
me dói também. Nunca votaria nele, não vou visitá-lo até que acabe o governo
dele, mas no fundo sou solidário, porque sei que uma parte disso vem do fato
de ele ser negro. Pisado como ele é pisado todos os dias, quando não se faz
isso com ninguém.

Marina Amaral - O senhor tem medo?
Milton Santos - Claro. Esse medo da humilhação.

Marina Amaral - O senhor tem medo de entrar num restaurante chique e alguém
olhar torto porque o senhor é negro?
Milton Santos - Tenho, tenho sim.

 

Canal das Minorias
Minorias lutam por apoio na futura televisão pública digital.

O documentário de Stanley Nelson A Imprensa Negra: Soldados Sem Espadas, que foi exibido no mês passado no Mercado de Apresentação de Filmes Independentes e deu o chute inicial do outono das séries de "Novos Documentários" do Museu de Arte Moderna, exemplifica o uso da tecnologia digital que irá brevemente se tornar um modelo de entretenimento. Nelson completou sua história dos jornais dos grupos negros com um CD-ROM do material não usado no filme. Quando houver uma revolução da televisão digital (DTV) (planejado para acontecer em 2003), os espectadores serão capazes de acessar o conteúdo dos CD-ROM na tela. A DTV também traz a promessa de milhares de canais a mais, e porque ela transmite muito mais informações visuais do que o modelo analógico vigente, a imagem da DTV tem imensa clareza e detalhamento.

De acordo com Katie Carpenter, vice-presidente de programação na Corporação para a Difusão Pública (CPB), Nelson é um dos pensadores adiantados que apoiam a difusão pública enquanto ela começa sua própria transição para a digital. "Soldados é o primeiro exemplo dos esforços de transmissão pública para ter certeza que o futuro digital inclui programação para as minorias", diz ela. "Tem sido imensamente bem recebido pela PBS, que lhe tem dado espaço destacado e esforços promocionais."

Mas enquanto recebeu fundos para a produção da CPB e PBS, Nelson diz que eles "não têm nada haver" com o componente digital do seu filme. "[Eles] não empregaram capital nisso, a Universidade Annenberg de Comunicação empregou", ele diz, acrescentando que esforçou-se apenas para colocar o filme na programação da PBS, na qual está planejado para ser transmitido em fevereiro próximo.

Financiar e expor o trabalho de todas as comunidades é um desafio frente a exibição pública já que ela chega à DTV com capital cada vez mais escasso. E ter certeza que as minorias não são deixadas para trás é apenas um dos problemas sendo combatidos pela Comissão Gore, uma Assembléia de júri presidencial que determina que regras fundamentais serão transmitidas, públicas e comerciais, entrando na era digital.

No início de setembro, Frank Cruz, vice-presidente do quadro de diretores da CRB e membro da Comissão, perguntado sobre o aumento do salário das minorias e aumento de suas posses. "Se nós formos pegar contribuintes de dólares, a CPB e a PBS precisam inclusive estar incluídas", ele diz. "Isso não pode ser fingimento. Alguém tem que ser um produtor, um administrador, um proprietário, para levar a perspectiva da minoria ao processo decisivo".

Carpenter diz que a transmissão pública presta muita atenção aos números. "A meta que nós estamos perseguindo é ter nossa base de empregados e planejar uma programação tão diversificada quanto a demografia da nação".

Mas o relato do CPB ao Congresso sobre as necessidades das minorias, emitido no início de julho, mostra que enquanto o salário geral nas estações CPB e PBS cresceu 1.8% de 1996 a 1997, o das minorias caiu 5%. De 1997 a 1998, todos os cargos para televisão pública e rádio público elevaram-se 1.3% e os cargos da minoria caíram para meio por cento. Das 350 estações de âmbito nacional da PBS consolidadas pela CPB, simplesmente oito são administrados por minorias. Apenas uma dessas, WPBA em Atlanta, está na lista das 19 estações da PBS programadas para converterem-se em DTV em 1999.

"Se você não tem produtores ou administradores das minorias em posições de liderança", pergunta Marky Lloyd do Fórum de Direitos Civis em Políticas de Comunicação, um grupo observador/vigilante, que monitora problemas das minorias, "como você pode ter certeza que você está servindo aos interesses daquelas comunidades ou seduzindo-as como receptores?"

O relato da CPB inclui incontáveis informações sobre a visão da TV das minorias. A CPB declara que as minorias são servidas por programas como Cozinhando com Julia (citando a alta porcentagem de espectadores das minorias) e Charlie Rose, que "defendeu assuntos das minorias em mais de 50 programas" – ainda que fosse ao ar 5 vezes por semana. Há uma lista longa de programas locais e nacionais relevantes para as minorias e criado, ao menos em parte, com fundos da CPB, mas nenhuma informação acerca de quais programas foram concebidos ou criados por produtores das minorias e nenhuma informação sobre que porcentagem dos fundos foram providenciados por emissoras públicas. E há um consórcio devotado à minoria de meras cinco páginas (entre mais de cem), um grupo de cinco organizações financiadoras da CPB sem fins lucrativos, dedicadas a financiar programas sobre os africanos-americanos, nativos-americanos, americanos asiáticos, residentes das ilhas do Pacífico e latinos. A média anual do orçamento de programação de cada grupo é de US$700,000, um total coletivo que severamente iguala o orçamento para uma minissérie típica da PBS.

Advogados como Lloyd esperam encontrar relatório de apoio da CPB e PBS pela programação das minorias durante os procedimentos da Comissão. (A última audiência está programada para 26 e 27 de outubro). Mas as oito páginas de recomendações que foram submetidas à Comissão pela CPB, PBS e às Estações de Televisão Públicas da América (APTS, o grupo de influência que dá cobertura para as estações da PBS em âmbito nacional) estão completamente silenciosas sobre a participação das minorias na TV digital. O documento focaliza, ao invés de fundos para a TV digital em geral e argumenta se a CPB e a PBS estão melhor equilibradas para usar qualquer espaço de interesse público que a Comissão recomendar. Advogados das universidades, bibliotecas e estações de televisão comunitária baseada na comunidade gostariam de utilizar a antiga distribuição análoga – acessível lado a lado com canais digitais – para transmitir aulas, facilitar a pesquisa em casa, ou transmitir localmente programas produzidos, mas o público dessa programação não acatou a idéia. CPB, PBS e APTS têm proposto um "fundo da verdade" para a transmissão pública (que a CPB administraria), pago por uma combinação de honorários de renovação de licenças, transferências, e um leilão da programação análoga em uso – apesar do fato desse rendimento já ter sido calculado para o ajuste do balanço de orçamento do Governo Federal do ano 2000.

Hugh Carter Donahue, diretor associado do Programa de Informação e Sociedade no Centro de Polícia Pública Annenberg, se ressente ao indicar que a PBS "tem uma regra vital para assistir a DTV futura", mas ele sugere outro uso da programação análoga. "Vinte e cinco por cento daquela programação em cada mercado deve ser posto de lado para assuntos públicos e outra programação que é local de origem, conteúdo e interesses," Donahue diz. Ele sugere leiloar apenas 50 por cento do espectro e redirecionar o dinheiro do Tesouro através de uma programação de fundos. "O contraste e artifício da transmissão americana têm a noção que o transmissor serve à sua comunidade", ele acrescenta. "Isto poderia, no mínimo, comprovar a realidade do regionalismo".

"Esse tipo de acesso é uma meta importante, mas não é o suficiente," afirma Carpenter, da CPB. "A CPB tem a experiência e a habilidade para criar uma programação de qualidade. Nós acreditamos em colocar-nos na melhor posição para partilhar com escolas, bibliotecas e outros grupos sem fins lucrativos para entregar programas e serviços digitais."

O membro da Comissão James Yee, diretor executivo dos Serviços de Televisões Independentes (ITVS) em São Francisco, uma organização fundada pela CPB que julga concessões para produtores independentes, admite que não há respostas quanto ao fundo. "Há muito exagero e especulação sobre como um fundo de verdade poderia trabalhar. Nós ainda nem discutimos os mecanismos de infra-estrutura." Yee precavê a criação de outra entidade sem fundos adequados, um problema de longa duração para a CPB e PBS. "Nós não podemos repetir para nós mesmos criando outras crianças miseráveis esperando entrar em algum investimento enorme".

Yee acredita fortemente que a CPB e a PBS ainda não cumpriram a missão original de transmissão. "Como [presidente da CPB] Robert Conrad disse a si mesmo, isso representa aquela grande oportunidade. Nós devemos ter certeza que nosso relato assegura fortemente a voz das comunidades minoritárias como ITVS e o consórcio das minorias. Nós não podemos deixar as ondas de TV serem homogeneizadas."

Lloyd sente que o trabalho da Comissão ainda não colocou em prática seu potencial. "A televisão é uma das mais importantes instituições em termos de proteção e preservação da nossa democracia", ele diz. "Mas esta discussão – que deveria ser sobre uma obrigação de todas as emissoras, públicas e comerciais, para servir suas comunidades locais – realmente ainda não aconteceu."

À memória do Parque, dos orixás...
Livro retrata importância cultural, ecológica e social do Parque São Bartolomeu

No salão do Centro de Estudos Afro-Orientais ( CEAO ), da Universidade Federal da Bahia, em 27 de agosto último, foi lançado, ao som de berimbaus, o livro "História, Natureza e Cultura – Parque Metropolitano de Pirajá". Primeiro número da Coleção Cadernos do Parque, realizado pelo Programa Memorial Pirajá, o livro pretende divulgar estudos e escritos sobre o Parque São Bartolomeu, importante reservatório ecológico, identitário e cultural da Bahia.

O Programa, criado pelo Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu e CEAO-UFBa em parceria com órgão públicos e privados, visa a educação, pesquisa e extensão nas áreas ambiental e cultural. Criado em 1987, o Memorial é fruto de um trabalho de mobilização social de educadores, contando com mais de 130 associações e grupos comunitários da região do subúrbio ferroviário, para a preservação e proteção do Parque, seu acervo natural e espiritual.

O Parque Metropolitano de Pirajá, com 1.550 hectares, situado entre o Subúrbio Ferroviário e Pirajá-Valéria – uma das áreas mais pobres da cidade –, foi criado em 1978 pela Prefeitura da Cidade de Salvador. Ele representa, segundo dados da UNESCO, um dos remanescentes mais significativos da Mata Atlântica em zona urbana do Brasil. "Suas nascentes e represa que abastecem parte do subúrbio estão ameaçadas pela mineração ilegal, projetos habitacionais e poluição de diferentes procedências", declara Ana Lúcia Formigli, coordenadora do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu e organizadora do livro.

Para Formigli, a revitalização do Parque não está distante da melhoria da qualidade de vida da população vizinha, pelo contrário, "um Parque se torna aliado do desenvolvimento de uma comunidade na medida em que associa preservação e usos sustentáveis", declara. Através do Programa, as comunidades locais estão aprendendo a beneficiar-se do Parque, sem depredá-lo.

Everaldo Duarte - agbagigan e economista -, Gey Espinheira - professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBa - e mais quatorze escritores de diferentes áreas, vão descrevendo histórica, cultural e socialmente, nas 166 páginas deste primeiro Caderno, o Parque São Bartolomeu ( trechos do livro ). O livro possui ilustrações de Carybé, Lage e Gisela Moreau, que retratam a herança da religião africana na Bahia , além de fotografias de Sérgio Berbert e Luciano Andrade, mostrando a beleza do lugar.

 

O Terreiro do Bogum e o Parque São Bartolomeu" de Everaldo Duarte – Agbagigan e economista – , p.19 ).

"Em todo lugar onde se encontrem os sinais naturais de criação, as árvores, os rios nas suas nascentes, os lagos e a fauna em plena liberdade, aí estarão em harmonia as representações das Divindades da religião Afro-Brasileira. Somente esta abordagem já viabilizaria a afirmação de que o Parque São Bartolomeu, pela sua composição, se identifica como local sagrado, além de, pelo oferecimento de um ambiente calmo e acolhedor, também se identificar como local de retiro e meditação para outra religiões".

O Parque São Bartolomeu: esquecimento e memória" de Gey Espinheira – professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBa –, p.23 ).

" No âmbito do urbanismo – aqui entendido como ação sobre o espaço das relações de produção, em que o próprio espaço é transformado em mercadoria - os investimentos urbanos, públicos e privados, tomaram uma orientação oposta ao espaço do subúrbio, região em que se localiza o Parque São Bartolomeu".

Pontos convergentes de utopias e culturas: o Parque São Bartolomeu" de Angelo Serpa – professor do Instituto de Geociências da UFBa –, p.67 ).

"Os primeiros habitantes e usuários do Parque São Bartolomeu foram os índios Tupinambás – uma das tribos pertencentes ao grupo Tupi-Guarani que no século 16 povoaram todo o país com seus um milhão de habitantes. Os índios Tupi-Guarani que os portugueses encontraram na sua chegada ao Brasil tinham acabado de chegar à região costeira, vindos do interior da futura colônia portuguesa. Motivados pela cresça de que o mundo estaria chegando ao fim, migraram para a costa e encontraram os portugueses...".

 

Agenda

  • "O que é que a Bahia tem?" -
    Projeto promovido pela Olorum Band para marcar
    o Dia da Consciência Negra, com a participação de artistas nacionais e
    internacionais. Dia 20 de novembro, a partir das 12h, no Largo do Santo Antônio.

  • Show do grupo Racionais MC's
    Local: Quinta Point ( Baixa de Quintas )
    Dia 22 de novembro às 17h

  • IV Seminário Escravidão e Resistência Escrava
    Local: Arquivo Público do Estado da Bahia ( Quintas dos Lázaros )
    Período: 23 a 27 novembro de 1998
    Informações:
    http://quasar.com.br/apeb/INDEX.HTML
    Tel: 233-5112

  • Cabaré da Raça - Com Bando de Teatro Olodum e direção de Márcio Meireles
    Local: Teatro Vila Velha ( Passeio Público - Salvador/Ba )

  • Segunda Celebração da Herança Africana
    Local:  Museu de Arte Moderna, nas praças e ruas do Pelourinho e nos diversos teatros da
    cidade com o tema "Tradição e Vida Comunitaria".
    Período: 26 à 29 de novembro.  As principais propostas do
    evento são celebrar a herança africana, estimular a arte ligada aas raízes e
    festejar o encontro entre diversas culturas oriundas da matriz africana.
    Serão promovidas palestras, exposições, feiras, mostras de rua, peças
    teatrais, shows musicais e outras atividades.


 

 


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