Movimentos Juvenis
(Trecho da reportagem – Mais de 50.000 manos - de Marina Amaral )

"Os movimentos juvenis dos anos 80, 90 marcam uma diferença bastante grande do que a gente chamava de movimentos juvenis até o final da década de 70. Em primeiro lugar, pela origem social dos jovens – os anteriores eram principalmente estudantes de classe média, enquanto que, a partir do final de 70, os protagonistas são jovens dos setores populares que não se definem pela condição estudantil. Outra coisa nova é que os movimentos passam a ser mais ligados ao lazer, cultura, comportamento, atitude – como eles mesmos dizem -, o que, para mim, foi detonado pelo movimento punk, que, como o hip hop, surgiu principalmente nas periferias dos grandes centros urbanos. Ambos também são muito atravessados pela indústria cultural. Ainda que combatendo essa indústria, eles se alimentam dela, é uma das fontes importantes de informação. Os dois movimentos também tentam responder duas questõe principais: como articular um projeto de futuro para os jovens em sociedades que, ao mesmo tempo que amplia suas promessas, cria também a exclusão? E como construir uma identidade própria nessa tendência de massificação? Nesse sentido, o hip hop faz parte desse conjunto. Mas há também diferenças importantes no caso do hip hop. A primeira, mais óbvia, é a condição de jovens negros que têm como um de seus problemas centrais a questão da violência policial, ainda mais agravada para eles, alvos preferenciais dessa violência cotidiana. Outra particularidade é que os hip hoppers têm uma localização territorial mais forte,a área, e isso traz um laço maior com a comunidade, é a cultura de rua no bairro, o que encerra um grande poder de transformação para a própria comunidade".

Socióloga Helena Abramo, participa da ONG Ação Educativa, estudiosa dos movimentos juvenis dos anos 80 e 90, principalmente o movimento punk.