COMO FICA A IMAGEM DO NEGRO?

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"A imagem do negro acaba se confundindo com a do crime (veja Fotografias). Como diz Muniz Sodré, na era por excelência da imagem - esse tempo do multimídia, da Internet, das networks e de multivariedade de canais de transmissão e recepção de TV's - mais se acirram os embates entre os grupos historicamente discriminados e os detentores das condições que possibilitam a forma em que tais imagens serão disponibilizadas (Sodré, 1995). No Brasil ou o negro não se vê refletido ou a sua imagem ganha contornos construídos pelo imaginário do preconceito racial (Conceição, 1996b)". (O Medo da Cor na Mídia Impressa - Conceição, 1998)

A nossa preocupação se centra no trabalho do jornalista, na apuração e no seu espírito crítico, quando está a relatar os fatos para os leitores. "Quando vemos o telejornal ou folheamos as páginas de um quotidiano partimos habitualmente do pressuposto de que o jornalista é digno de confiança e nos relata aquilo que efectivamente aconteceu, fazemos fé na credibilidade da sua palavra, confiamos na fiabilidade das imagens do acontecimento". (Adriano Duarte Rodrigues, 1993).

O papel do jornalista é muito mais importante que o simples relato de fatos. Como diz Cláudio Abramo: "o seu papel é igual ao de qualquer cidadão patriota, isto é, defender o seu povo, defender certas posições. Deve saber explicar para o leitor como o fato se deu, qual o processo que conduziu àquele resultado e o que aquilo vai trazer como conseqüência". Nas editorias de polícia é importante que fale em direitos humanos. Se os lesados com crimes de diversas ordens não podem ser integralmente tratados como cidadãos, que o sejam como seres humanos, e lhes garantam a vida e a integridade física.

Alertamos para o seguinte: Anthony Marx, especialista em política sul - africana e em raça negra diz que "acredita no papel educador da mídia para se chegar à igualdade" (Istoé - 11/3/98).

[ Referência Bibliografica ]


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Olhar Étnico sobre a Mídia