O MEDO DA COR NA MÍDIA IMPRESSA
Capítulo do livro A COR DO MEDO, organizado por Dijaci David de Oliveira, Elen Cristina Geraldo, Ricardo Barbosa de Lima e Sales Augusto de Sá, Editora UNB, 1998.
Fernando Conceição *

Foto: Luis Morier

A foto de Luiz Morier, estampada pela primeira vez na capa do "Jornal do Brasil" de 29/09/1982, e que depois correria o mundo, não poderia ser mais eloqüente. Em primeiro plano no canto esquerdo um policial militar segura uma corda na qual estão amarrados 7 homens negros pelo pescoço. "Batida policial nos morros de Rio de Janeiro", título da fotografia, imediatamente remete à ilustração feita por Jean Baptiste Debret, o integrante da Missão Francesa ao Brasil séculos atrás, na qual um grupo de negros aparece amarrado também pelo pescoço com uma corda, sob a vigilância da guarda.

Essa foto de Morier fez ela mesma história e enquanto o Brasil continuar sendo o país racista que é, a contribuição do fotógrafo para a denúncia do preconceito e da discriminação raciais vale mais que todos os livros já escritos sobre o tema. É de uma objetividade tão profunda que não deixa dúvida. A foto fala – melhor, berra – por si própria. Um século depois da abolição da escravatura a herança do cativeiro permeia a conformação social brasileira. (1) Diante dessa imagem quem há de contestar os fatos ali representados?

Perguntar-se-ia se o texto da reportagem ressaltava o aspecto da discriminação racial exposto no registro fotográfico. Provavelmente não. Tratava-se de apresentar o resultado de uma batida policial justificada como ação profilática contra o tráfico de drogas e "bandidagem" um dos tantos guetos de maioria negra existentes no país. O Brasil estava saindo da ditadura militar, com a restauração das eleições diretas para os governos estaduais. Dois meses depois de publicada a foto, o candidato do sistema ao governo no Rio seria derrotado por Leonel Brizola – cujo o mandato teria como uma das marcas a suspensão de tais batidas policiais nos morros. (2)

Mas o que nos interessa aqui analisar é:

  1. Qual o significado da ausência da "cor" nos registros da violência dos jornais impressos brasileiros?
  2. Qual a imagem dos afro brasileiros ( ou afrodescendentes) nos jornais impressos?

Ora, os dados sobre vítimas de homicídios coletados pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos junto a jornais diários em quatorze estados brasileiros não deixam dúvidas: o noticiário omite a origem "racial" ( ou a cor). (3) Todas as tabelas que fazem o "recorte" por cor dos atingidos pela violência demonstram que na maioria das vezes "não consta" esse tipo de informação no noticiário.

Pode-se fazer várias leituras pela omissão, para o bem ou para o mal. Algumas questões subsequentes podem ser colocadas. É necessário, no texto jornalístico, sublinhar a "cor" ( ou origem racial) da vítima? Em quais casos esse tipo de informação ajuda ou prejudica a limpidez da informação para o público leitor? Quais os critérios demarcadores da "cor" poderiam ser utilizados, no cipoal de auto- definições "étnicas" comumente adotado no país? (Moura, 1984). (4)

De forma alguma o jornalismo é uma ciência exata. A subjetividade tem um forte peso na composição não somente do texto redigido, mas na disposição desse texto já editado na página do veículo – eventualmente com foto, gráficos ou outras iconografias que objetivam ampliar a visão do leitor diante do fato ali relatado. O repórter ( ou redator) vai ressaltar a "cor" da vítima em seu texto a depender, portanto, de sua opinião diante do mundo. Mas não apenas isto: deveria discernir se, de fato, essa informação acrescenta ou retira algo da notícia.

Vale, desde logo, acrescentar que não existe uma seção na mídia impressa onde mais se adote critérios raciais no relato das reportagens que as editorias destinadas aos fatos de violência cotidiana ( Policia, Segurança etc.). Isto porque, sabem os profissionais responsáveis por abastecê-las, que a marca racial é um dado somatório necessário para o curso das investigações, ou para melhor informação do leitor – que irá identificar a vítima ( ou o acusado) da prática de violência. Nas demais editorias a cor da pele do noticiado pouca importância tem, a não ser para destacar valores positivos que a atribuição da cor ressalta.

No dia - a- dia o repórter daquelas editorias, também maculados pelos simbolismos de que falava Clóvis Moura, ao se depararem com os fatos violentos que devem relatar ( homicídios e outros crimes), por critérios meramente subjetivos ou lançam mão de uma das 136 definições "étnicas" brasileiras ou simplesmente omitem tal "informação", se não a julgar imprescindível para a noticia. Nos tempos contemporâneos há ainda a pressão dos leitores organizados do movimento social, atentos aos deslizes jornalísticos e extremamente sensíveis a ofensas raciais ou de sexo.

Jornalistas menos conservadores procuram observar os debates travados pelos setores marginalizados da sociedade e quase sempre são simpáticos a eles. Se esses setores consideram ofensivo a referência de "cor" ou de opção sexual da vítima, repórteres não necessariamente zelosos pela qualidade da informação costumam ceder a esse tipo de raciocínio. Entendem não ser politicamente correto a atribuição da cor, ou da preferência sexual do sujeito, e usam de artifícios ou eufemismo para compor o noticiário. Quem perde e ganha com esse tipo de conduta profissional é assunto a ser ainda resolvido.

Se dependesse, portanto, apenas do texto escrito para se informar, o leitor de jornais impressos – como mostra a pesquisa do MNDH – pouco saberia dos números totais da "cor" das vítimas de violência no Brasil. Pinheiro registrou que em São Paulo a brutalidade da violência atingia mais a negros, na sua maioria homens que saíam da adolescência e entravam na puberdade. ( Pinheiro, 1991). Coletando material para seu livro Rota 66 – A história da polícia que mata, o jornalista Caco Barcelos encontrou perfil semelhante para as vítimas da violência policial em São Paulo, acrescentando serem os nordestinos o objeto preferencial das mortes da famigerada Rondas Tobias Aguiar (Rota). (5)

Sucessivos estudos, a partir do início dos anos 90, do Núcleo de Estudos da Violência na Universidade de São Paulo vêm confirmando a suspeita de serem os afrodescendentes as vítimas da maior parte dos homicídios registrados nas periferias das grandes cidades brasileiras. A violência, segundo tais estudos, não esgota nas chacinas semanais que atingem por vezes famílias inteiras – e que resultam impune em grande parte. Também o aparato judiciário trata e pune com mais rigor o acusado ou condenado de "cor", isto é, não- branco(Adorno, 1995).

Geralmente essas pesquisas demandam um período de tempo que cobre meses ou até vários anos para serem realizadas. No jornal diário a coleta, preparação e difusão dos dados requerem ao máximo uma dúzia de horas. Nem sempre salta ao olhar atento do repórter diário a configuração racial das vítimas dos homicídios. O que se poderia dizer em sua defesa é que a vertiginosa rapidez entre o registro do fato violento e a sua transformação em material noticioso a circular nas páginas do jornal daqui a pouco, levam a erros involuntários. É óbvio que um editor menos obtuso teria condições de corrigir as falhas metodológicas do repórter, alertando-o para detalhes que a sua pressa omitiu.

Mas o leitor (ou o pesquisador do noticiário impresso nos jornais) conta, de forma complementar ao texto escrito, com um elemento revolucionário de leitura jornalística que é a fotografia. Que, por sinal, nas editorias de Policia (etc.) é uma técnica bastante valorizante. Como no caso de registro da batida policial num morro carioca, a foto quase tudo diz, sem necessariamente requisitar minúcias textuais. A imagem é de tal forma incontestável que chega a ser redundante escrever na legenda que o policial ( mestiço) aprisionou os suspeitos, todos negros, com uma corda amarrada em seus pescoços.

Parece que este tem sido o recurso mais utilizado pelos editores de Polícia (Violência) da mídia impressa. Embora nada indique no título ou no corpo do texto da matéria que a vítima dos homicídios é negra ( ou branca), a publicação da fotografia do fato ( ou do sujeito do fato) antecipa-se à outra leitura. O visual, o plástico ganha prioridade sobre o texto, o verbo. Não há como questionar a origem étnica do sujeito cuja a imagem estampada entre a moldura de frases e parágrafos dando conta das circunstâncias da ocorrência, pretende ser a contraprova a quaisquer questionamentos.

Nisso, aliás, resulta o maior problema do afrodescendente na era contemporânea que é por excelência a era do signo imagético. De tanto ter a sua imagem reproduzida nas páginas destinadas ao relato das violências criminais, como vítima ou algoz, o afrobrasileiro acaba confundido com a própria imagem do crime. A ontologia pericial da criminalidade violenta no Brasil baseia-se na crença raciológica de uma suposta tendência ao crime que os negros teriam. Tal suposição uma vez foi "cientificamente" demonstrada, seja pelo "pai" da medicina legal do Brasil, o etnólogo Nina Rodrigues, seja pelos bem aceitos estudos da craniologia e outros delírios fundados e inspirados em Lombroso.

Como diz Muniz Sodré, na era por excelência da imagem – esse tempo dos multimídias, da Internet, da Network e da multivariedade de canais de transmissão e recepção de TVs – mais se acirram os embates entre os grupos historicamente discriminados e os detentores das condições que possibilitam a forma em que tais imagens serão disponibilizadas ( Sodré, 1995). A nova fase de globalização da economia, com os avanços técnicos que a possibilitam, é um desafio para aqueles setores cujo o processo de globalização exclui ainda mais dos núcleos de decisão e poder.

Pesquisa por nós realizada (Imprensa e racismo no Brasil...) afirmou que os jornais brasileiros, em consonância com a ideologia da "democracia racial", já não podem mais afirmar-se racistas, como outrora abertamente fizeram, ainda mais porque a legislação em vigor qualifica como crime inafiançável a prática de discriminação racial no país ( Conceição, 1996a). Por outro lado, com as conquistas morais acumuladas ao longo das últimas décadas, pelos movimentos sociais, poucos jornais – até mesmo por razões mercadológicas – se arriscariam, como disse Umberto Eco certa vez, assumir uma retórica conservadora num mundo encantado pelo discurso da diversidade liberal.

Entretanto, paralelamente à retórica liberal as "atitudes" da mídia de massa no Brasil reproduzem estereótipos solidamente arraigados na mentalidade nacional. Os afrodescendentes são o Drácula da mídia brasileira, para usar uma expressão de Muniz Sodré para o mito do vampiro. A natureza do vampiro é a impossibilidade de se ver refletido no espelho. No mundo das imagens, quem não aparece no espelho da mídia é como Drácula do mito. No Brasil ou o negro não se vê refletido ou a sua imagem ganha contornos construídos pelo imaginário do preconceito racial. Ele é reproduzido sim, mas quando isso ocorre geralmente é em reforço ao estereótipo do negro lúgubre, lúdico ou luxurioso ( Conceição, 1996b).

A imagem dos negros nos jornais tem se modificado, principalmente a partir de meados da década de 70 – fruto da rearticulação de grupos de pressão do que viria se constituir o chamado movimento negro brasileiro. Atentos à menção que os veículos fazem aos afrobrasileiros, a relação desses grupos com os meios de comunicação nem sempre é pacífica, e tem influenciado na mudança de conteúdos e abordagens que os veículos difundem. (6)

Utilizando um conjunto de tabelas de medições de freqüência, circunstâncias e qualificações para verificar a forma como os afrobrasileiros e suas demandas foram retratados num período de 15 anos pelo noticiário do maior jornal do nordeste – norte brasileiro, chegamos a algumas conclusões que queremos compartilhar com o leitor do presente texto. (7) Em relação ao jornal analisado verificamos que:

  • A presença do negro no noticiário cresceu substancialmente entre 1981 e 1988;
  • O aumento da presença do negro no noticiário é mais saliente em editorias especificas, por ordem de grandeza nas editorias de Cultura, Policia e Geral;
  • A presença do negro nos textos da editoria de Política não é freqüente, embora seja maior que na editoria de Economia;
  • Cada vez mais o negro deixa de ser assunto secundário para tornar-se assunto principal e sujeito histórico positivo;
  • Paralelamente, cresce em mais de 150% a descrição do negro como vilão no texto do jornal a que se refere tal pesquisa;
  • O noticiário continuou retratando o negro de forma paternalística;
  • Há uma maior valorização do negro nos textos da editoria de Cultura;
  • Na Política, o negro pode ser valorizado, mas também é visto como ameaça à sociedade;
  • A imagem do negro como inimigo social e, novamente, ameaça à sociedade é o que há de mais freqüente na editoria de Policia e essa tendência cresceu no período pesquisado.

Como as editorias que tratam da violência parece que constituem um locus privilegiado de reprodução da imagem negativa do afrodescendente, pesquisas de monitoramento de tais editorias começam a ser esboçadas. No Grupo de Estudos em Mídia e Etnicidades da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, a partir de Setembro de 1998 uma equipe vem trabalhando o assunto, num projeto denominado "Olhar Étnico sobre a Mídia". A pesquisa pretende analisar e explorar as editorias de Policia dos jornais "A Tarde" e " Correio da Bahia" (de maior relevância em Salvador). (8)

Para quem lida com esse tipo de análise todo o cuidado é pouco, devido à complexidade do tema racial no Brasil. Não raro os autores que trabalham com o assunto destacam o caráter movediço dos conceitos ao lidar com o problema das relações raciais brasileira, diferente de outros países de tradição escravocrata, como os Estados Unidos da América, por exemplo. Algo que também deve ser dito é que a imprensa funciona dentro de uma lógica que não pode sujeitar-se a pressões de grupos, sejam eles quais forem, para sua própria sobrevivência e em defesa da sociedade. Ou pelo menos em tese deveria assim funcionar.

Isto não quer dizer que os meios de comunicação estão acima de interesses e que os grupos atingidos negativamente por seu funcionamento arbitrário devam intimidar-se. Pelo contrário, o diálogo entre os grupos de pressão e a imprensa deve ser constante, permanente. Se for positivo a identificação racial do indivíduo pelo noticiário, os principais interessados nisso devem assim exigir. Mas também o contrário pode ser correto, isto é, a não identificação acaso esse dado não seja relevante e sua divulgação acarrete em prejuízo ( não somente material mas moral) para os atingidos com tal identificação.

Há de considerar, ainda, que não se pode perder de vista que a imprensa não é o centro fulcral do que aqui se quer corrigir. Trata-se de uma questão maior, afeita aos interesses de poder e sua manutenção. Cabe àqueles que têm disposição para engolir sapos e vocação qualificar-se para disputar o seu controle e, estando aí, transformá-lo para melhor.


NOTAS

  1. A repercussão da fotografia de Luiz Morier, fotógrafo do "Jornal do Brasil", foi estrondosa. Seu autor foi premiado e, entre outros subprodutos, a foto rendeu um documentário exibido pela rede Cultura/ TV Educativa, no qual se buscava identificar uma por uma das pessoas ali retratadas. O documentário ia além, entrevistando a maioria dos retratados, que além de relatarem as circunstâncias que levaram à sua detenção pelos policiais contavam a história de vida de cada um. Não havia nenhum "marginal" entre os detidos e, depois da detenção e da publicação da foto, alguns deles preferiram deixar o morro onde residiam com receio de represálias. O fotógrafo, também depondo para o documentário, falava da coincidência de estar passando com o carro do jornal na avenida anexa ao morro e vendo a movimentação policial, ter tido o ímpeto de fotografar a ação.
  2. Não se trata aqui de saber se o resultado da política brizolista, olhada agora em retrospectiva, foi boa ou má para a diminuição da criminalidade e da violência no Rio de Janeiro. Essa, aliás, é uma discussão bizantina, que aliados ou adversários de Brizola travam em sua defesa ou sua condenação. O que é verdade é que sob Brizola as ações da polícia nos morros cariocas foram menos arbitrárias (Pinheiro, 1991)
  3. "Dados sobre a vítima de homicídios, no conjunto de 14 Estados, por cor, homicídios noticiados pela imprensa escrita (jornais diários)", MNDH, 1998.
  4. "A identidade e a consciência étnicas são profundamente escamoteadas pelos brasileiros", escreve Clóvis Moura no seu comentário sobre o resultado do censo de 1980, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), no qual os não- brancos brasileiros se atribuíram 136 definições de cor. Segundo Moura, isso "bem demostra como o brasileiro foge da sua verdade étnica, procurando, através de simbolismos de fuga, situar-se o mais possível próximo do modelo de cor tido como superior".
  5. Para uma história detalhada sobre a Rota, considerado um dos mais sanguinários departamentos da polícia brasileira, ver Barcelos, 1992.
  6. Em 1994, a Rede Globo de Televisão, numa de suas telenovelas em horário nobre, teve de acrescentar um episódio em que a personagem interpretada pelo ator Tarcísio Meira teve de se retratar de uma agressão racista que fizera a outra personagem interpretada por um ator negro, depois que grupos organizados do movimento negro ingressaram com representação no Ministério Público contra a emissora.
  7. A pesquisa analisou o texto do jornal "A Tarde", editado em Salvador- Bahia, de 1975 a 1990. Compõe o corpo de minha dissertação de mestrado, Imprensa e Racismo no Brasil. (1996)
  8. As estudantes da Facom/ UFBA, Fábia Calasans e Margarida Fontes trabalham no projeto, sob a orientação conjunta deste autor e do professor Renato da Silveira, com bolsa de iniciação científica do CNPq.

Referência Bibliográfica

Adorno, Sérgio. Pesquisas do Núcleo de Estudos da Violência da USP sobre o funcionamento da Justiça no Brasil. São Paulo, 1995.

Barcelos, Caco. Rota 66: A História do Policia que Mata. São Paulo, Globo,1992.

Conceição, Fernando. Imprensa e Racismo no Brasil: A manutenção do status quo do negro na Bahia. São Paulo, ECA/USP, 1996 (mimeografado)

________. Mordendo um cachorro por dia". In Munanga, Kabengele (org.)

Estratégias e Políticas de Combate à Discriminação Racial. São Paulo, Edusp, 1996b)

Moura, Clóvis. " A herança do cativeiro". In retrato do Brasil nº 10 PP 109-113. São Paulo, Editora Três/ Política Editora, 1984.

Pinheiro, Paulo Sérgio. Dossiê Violência-Revista USP. São Paulo, 1991.

Sodré, Muniz. " Uma genealogia das imagens do racismo". In Folha de S. Paulo, março, 1995


* Fernando Conceição é jornalista, doutorando na Escola de Comunicações e Artes da USP, visiting scholar da New York University, coordena o Etnomídia e é co-coordenador da pesquisa Olhar Étnico sobre a Mídia.

 


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Olhar Étnico sobre a Mídia