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                                                                     trem ia de Belo Horizonte para Vitória, cortando todo o Vale do Rio Doce e eu havia decidido ir de trem num impulso, num movimento de volta à infância, ou aos seios de Duília, desses que só acontecem quando se está em lua-de-mel, ou se tem um câncer terminal, porque a viagem de ônibus levava a metade do tempo, mas era de ônibus, não era de trem. Piuiiiiiiii, piuiiiiiii... Eu não tinha um câncer terminal, nem estava em lua-de-mel, mas acabara de me aposentar, tinha uma poupança na Caixa, uma pensão regular a cada cinco do mês e todo o tempo do mundo para fazer o que bem entendesse. Muita gente se espanta quando eu digo que sou aposentado, me achando muito jovem para isso, mas é que comecei a trabalhar muito cedo, tive minha primeira carteira assinada com quinze anos e durante todo meu tempo como funcionário público concursado nunca gozei uma licença prêmio sequer e foram todas contadas em dobro para o cálculo da aposentadoria. Aposentado e com todo o tempo do mundo, eu vinha descendo sem pressa, aproveitando bem a viagem, sem prazos para chegar ou sair de qualquer lugar.

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