"A exigência do diploma foi uma das grandes conquistas que tivemos na profissão." |
Jânio Lopo, editor de política, aos 43 anos de idade,
27 de profissão e 12 de Tribuna da Bahia fala da carreira do jornal, da sua vida profissional e dá sua opinião sobre as principais questões que hoje envolve o jornalismo no país.
Apesar de não ser formado em jornalismo, o editor defende a universidade
e diz não para a liminar que pretende estender à todos os cidadãos
o direito de assinar matérias.
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1) Como você vê a estreita ligação entre o jornalismo e a privacidade do cidadão, em uma fase onde programas televisivos como "Casa dos Artistas" e "Big Brother Brasil" brigam pelo primeiro lugar da audiência e aparecem com destaque em revistas e jornais? |
Estes programas contribuem para a alienação do povo; são novos exemplos de enlatados embutidos na nossa televisão e sociedade, vendendo sonhos de baixíssima qualidade. Estes novos formatos entram na mídia por conta da disputa pelo IBOPE e acabam encontrando espaço em outros veículos, inclusive em jornais e revistas de boa qualidade, justamente pelo seu sucesso de audiência. |
2) O jornalismo online poderá substituir o impresso? |
Não acredito na substituição do jornalismo impresso pelo online. O jornal impresso é um elemento tradicional na sociedade, há um costume antigo de se comprar e lê o jornal sentado no sofá. Sem dúvida a concorrência já é grande, mas ainda não representa uma ameaça real de extinção para o jornalismo tradicional. |
3) Existe uma liminar que concede o direito para não-jornalistas de assinar matérias. Você concorda com isso? |
A regulamentação da atividade jornalística, através da exigência do diploma, foi uma das grandes conquistas que tivemos na profissão. Não concordo com a ação desta liminar porque acho a formação acadêmica importante. Na faculdade, o estudante vai ter contato com a teoria e com a prática, aprenderá a técnica e estará mais preparado para o mercado e exercício da profissão. Isto sem levar em consideração o restrito mercado jornalístico que temos na Bahia, que nem chega a absorver todos os profissionais habilitados a exercer a profissão. Esta exigência também assegura o mercado para o jornalista. |
4) Como você definiria a linha editorial do jornal para o qual trabalha? |
A Tribuna da Bahia é um jornal que busca uma identificação com o público. Já foi tido como veículo de oposição e, hoje, assume uma postura de direita na medida em que possui um bom relacionamento com o governo. |
5) É possível que um jornal assuma uma postura política e, ainda assim, não perca sua credibilidade e imparcialidade? |
Independente de que lado esteja, o veículo acaba perdendo a sua imparcialidade. De uma maneira ou de outra, ele compromete-se com sua opinião política. E o resultado disto é a perda da credibilidade do público, que logo é percebida com a queda das vendas e do número de anunciantes. |
6) Comente sobre sua carreira, experiências jornalísticas e vida acadêmica: |
Iniciei a minha carreira em 1975, no Jornal da Bahia. Na época, eu tinha apenas 16 anos, cursava o 2º grau, e acabei entrando na atividade através de um amigo jornalista. Aí então, trabalhei durante 10 anos no Diário da Notícia, fiz assessoria de imprensa por 08 anos, ao mesmo tempo que ingressava pela primeira vez na Tribuna da Bahia. Depois trabalhei um período em Camaçari. E, finalmente, voltei a trabalhar na Tribuna da Bahia, onde - só nesta segunda vez - já estou há 12 anos. Eu não tenho formação acadêmica, sou do tempo em que muitos jornalistas se profissionalizavam com a prática. Mesmo assim, tentei ingressar na faculdade de jornalismo por diversas vezes, mas sempre era reprovado no vestibular. |
7) Quais grandes mudanças na história do jornal você considera mais importante destacar? |
A Tribuna da Bahia atravessou um declínio muito grande nos últimos 15 anos devido ao rompimento com o governo do estado. Este rompimento deu-se por questões pessoais entre ACM (Antônio Carlos Magalhães) e Joacir Goes (dono da Tribuna da Bahia). O jornal sofreu uma pressão violenta do carlismo, perdendo quase todos os seus anunciantes. Isto resultou num encolhimento da empresa, que reduziu bruscamente as páginas do seu exemplar e o seu quadro de funcionários. Há 12 anos, o nosso exemplar tinha entre 250 e 300 páginas, hoje não chega a 60. A mesma queda é identificada no número de funcionários, que despencou de um total entre 36 e 42 para uma nova soma entre 16 e 20 empregados. |
8) Como você vê hoje o mercado de trabalho para o jornalista baiano? |
Na minha opinião, este é o pior período que os jornalistas já enfrentaram. Há 10 anos, eu não conhecia um jornalista desempregado. Hoje, a quantidade de profissionais ativo é bem maior e as alternativas, que aparentemente são muitas, não é capaz de absorver todo o pessoal, o que tem gerado muito desemprego. |
9) De que forma acontece a interação entre jornal e leitor? De que maneira opiniões e dedsejos dedeles são identificados e atendidos? (através de realização de matérias, criação dee cadeernos...)? |
Infelizmente, por uma deficiência estrutural não podemos estar atendendo as solicitações dos nossos leitores. Normalmente tentamos cobrir o trivial, o dia- a- dia da cidade com os assuntos mais relevantes. |
10) Que inovações tecnológicas vêm sendo implantadas no veículo? |
A única inovação que ocorreu nos últimos anos foram os ajustes feitos na impressora para que a impressão do jornal pudesse ser colorida. Os nossos equipamentos, por uma escassez de verba para a substituição, são obsoletos e insuficientes. |
11)Como estão sendo trtatadas as mudanças na diagramação e formato do jornal? |
Nos últimos 06 anos, a diagramação e formato do jornal já passaram por 08 alterações, sempre com o intuito de modernizar o jornal e torná-lo mais atrativo para o leitor. |