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Isabela Larangeira |
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"Press Bahia" entrevistou Isabela Larangeira, 41 anos, quase 12 editando no
Correio da Bahia. Foi repórter da Secom, atual Agecom, do Governo do Estado,
ainda antes de se formar pela Ufba, em 1983. Também foi repórter de geral do
Correio. Repórter e editora de Cultura do Jornal da Bahia, repórter de
Cultura da Tribuna da Bahia, produtora e editora da TV Bahia, redatora do
telejornal da TV Itapoan. Atualmente, coordena uma equipe de mais três
editores no Folha da Bahia. São dez repórteres, uma roteirista, um colunista
social, quatro colaboradores. |
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1-) Como você vê a situação do jornalismo impresso baiano e seu alcance? |
O jornalismo baiano é irregular. Tem alguns bons editores, outros muito
fracos. Uns com ótima intenção, outros nem tanto. Mas os que admiro são
aqueles - entre editores e repórteres - que não usam o cargo para nenhuma
espécie de proveito pessoal, tratam a informação com rigor e respeito e
buscam ouvir muitos lados de uma mesma notícia. Logicamente, não tenho o
menor interesse em listar nomes. Infelizmente, a média de leitores de
jornais na Bahia ainda é pequena, até mesmo se levarmos em consideração o
mais vendido, A Tarde, que não tem tiragens monumentais, se compararmos a
outros estados. Ainda assim, dá para sentir um bom retorno do trabalho. |
2-) O público pode/deve acreditar na idoneidade do jornalismo baiano como um
todo? |
Esta resposta se remete à anterior. O bom jornalista tenta fazer o melhor
dentro de suas limitações. E, garanto, não há jornal no mundo que não tenha
limitações, quer políticas, quer econômicas e, até mesmo, pessoais, como
provaram recentes discussões em torno da divulgação ou não do seqüestro de
Sílvio Santos, o dono dos meios, e de Washington Olivetto, o que anuncia nos
meios. |
3-) O profissional, para exercer a função de jornalista, deve mesmo ter um
diploma do curso? (sua opinião a respeito da liminar que tanto tem causado
polêmica). |
Em tese, muitas profissões dispensariam o diploma. Mas no bojo de um curso
universitário para as profissões devem vir lições de ética, procedimentos
padrões, trato com a outra ponta (no nosso caso, a opinião pública), enfim,
a credibilidade. A proliferação de pesudojornalistas na internet nos dá a
medida da credibilidade sobre a qual reflito. O que Muniz
Sodré definiu
maravilhosamente como "jornalismo precoce", apressado, imediato, sem
apuração e com graves conseqüências, é resultado, em boa parte, da ausência
de diploma. Sim, acho que deve ser mantido. |
4-) Como você vê a divulgação da cultura dentro da mídia? Como o Correio se
insere nisso? |
Em muitos casos, me ressinto da falta de conteúdo, ou da superficialidade,
especialmente em rádio e tevê. Mas creio que o Folha da Bahia e o Correio
Repórter (que circula aos domingos) fazem o melhor para aprofundar os temas
trabalhados, de forma ampla e sem preconceitos, especialmente os
intelectuais. Tentamos evitar aquele ranço de cultura para poucos. |
5-) Há um aparente consenso de que o Correio da Bahia, particularmente a
Folha da Bahia, supera alguns jornais no quesito 'cultura'. Como se
conseguiu chegar a esse estágio? |
Prefiro deixar as constatações para quem estiver disposto a fazê-las. Da
nossa parte, tentamos privilegiar todas as manifestações artísticas e
comportamentais, levando em conta tradição, história, talentos consagrados e
emergentes, tendências e praticando o jornalismo saudável, informativo, sem
preconceitos e, sempre que podemos, analítico. |
6-) Quais os critérios utilizados para se fazer uma matéria sobre um evento? |
O grau de interesse que o evento possa despertar na comunidade, a
importância que o evento possa ter para alguma comunidade, a seriedade dos
envolvidos no evento, a tradição, a novidade, a mobilização de massas ou
grupos específicos, a mera curiosidade ou estranheza do evento, enfim, cada
caso é um caso. |
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