História
A
arte de fazer teatro
O
teatro é uma das manifestações culturais mais conhecidas
pela humanidade. A literatura dramática, por assim dizer, difere-se
de todos os outros gêneros, pois tem uma característica
singular: a indispensável presença e cooperação
de um público. Em se tratando de teatro, textos não são
apenas meros escritos, eles se constituirão em palavras que serão
imortalizadas nas mentes dos espectadores.
A arte de se fazer teatro tem suas raízes na antiguidade clássica,
com os gregos, que já se utilizavam desse meio de comunicação
de forma densa, como uma instituição pública organizada
e custeada pelo estado, como espécie de festivais cívicos.
Reuniam milhares de pessoas em "arenas", locais físicos
onde aconteciam as apresentações. Há também
muitos estudos que comprovam que a origem do teatro vem da religião
e seus temas, na maioria das vezes, da mitologia.
No Brasil, do ponto de vista estritamente histórico, pode-se
dizer que o teatro surgiu entre nós no século XVI, sob
forma de propagandas político-religiosas. Nesse período,
destaca-se a contribuição quase solitária do Padre
José de Anchieta, autor de alguns "autos", que pretendiam
a catequese dos índios e a manutenção das diretrizes
da religião dentro do processo de colonização portuguesa.
No período colonial, destacam-se apenas duas peças de
Manoel Botelho de Oliveira: "Hay amigo para amigo e amor",
"Engaños y celos" e uma de Cláudio Manoel da
Costa: "O parnaso obsequioso", obras dramaticamente nulas.
Na Bahia, a produção teatral propriamente dita só
se deu no século XX. Até o fim do século XIX, na
pacata vida de província, raramente via-se acontecimentos extraordinários.
Num determinado período do ano, eram realizadas temporadas de
espetáculos com a vinda de companhias teatrais oriundas de outros
lugares . Esses grupos levavam ricos latifundiários, comerciantes
e profissionais liberais a antigos teatros, como o Theatro São
João e o Polytheama Bahiano. Na primeira década
do século XX, o cinema se constituiu como grande ameaça
ao desenvolvimento do teatro baiano. E só a partir da década
seguinte é que começaram a emergir companhias de arte
dramática, que estudavam, especialmente, as obras de William
Shakespeare. A Escola de teatro, que regulamentava a profissão
de artista, surge no ano de 1956, tendo como principal objetivo a integração
da produção universitária com a população,
levando à mesma novas formas de pensar e agir. Essa seria uma
forma de a comunidade afirmar sua identidade cultural.
Na década de 80, o surgimento da Companhia Baiana de Patifaria
fez o teatro baiano ganhar projeção nacional, com a montagem
"A Bofetada", que ficou em cartaz por 12 anos e ganhou inúmeros
prêmios em festivais não só baianos, mas brasileiros.
"Os Cafajestes", "Oficina Condensada" e "As
Noviças Rebeldes" foram peças que também se
destacaram no cenário nacional.
Atualmente, o teatro na Bahia tem ampliado sua produção,
diversificando os gêneros e criando um estilo bastante peculiar.
O forte traço regional é uma característica marcante
nas montagens baianas, conferindo a textos antigos uma nova roupagem
e, aos novos, criatividade e autenticidade.