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A
origem do teatro baiano remonta ao século XVI, quando os primeiros
jesuítas chegaram àquela que seria a primeira capital do Brasil.
O objetivo desses jesuítas, que vinham em nome da Igreja Católica,
era o de educar e catequizar os índios, ou seja, eles queriam
"salvar as almas dos primeiros habitantes do Brasil". Para
tanto, um dos recursos utilizados era a promoção de encenações,
uma maneira de tentar fazer os índios entenderem o que eles
estavam querendo ensinar. Posteriormente, os próprios indígenas
passaram a ser treinados para, eles próprios, participarem
e executarem a encenação. Dessa forma, começaram a surgir
os primeiros indícios de uma forma incipiente de teatro no
Brasil.
Entretanto,
somente no século XVIII surgem as primeiras casas de espetáculo
do país. De acordo com os historiadores baianos, a primeira
sala permanente de exibição apareceu em Salvador em 1729,
com a adaptação de um dos recintos da Câmara de Vereadores,
na Praça Municipal. O lugar recebia os espetáculos que passavam
pela cidade. Já no século XIX, o teatro mais importante fora
o São João, construído onde hoje está o Palácio dos Esportes,
na Praça Castro Alves, antigo Largo do Teatro. O edifício
de influência colonial resistiu à independência, mas, na República,
já era considerado ultrapassado, desaparecendo em 1923, num
incêndio misterioso.
Numa época na qual não existia televisão, cinema e outras
formas de diversão, o Teatro São João era o grande ponto de
encontro da aristocracia e intelectualidade locais. Nele funcionou,
entre 1857 e 1874, o Conservatório Dramático da Bahia (CDB).
O CDB foi fundado pelo dramaturgo Agrário de Menezes, como
objetivo de incentivar escritores e amparar grupos dramáticos
na cidade. No São João, se apresentaram grandes nomes do teatro
baiano. Entre eles, Xisto Bahia, considerado um dos maiores
comediantes do Brasil, comparado ao carioca João Caetano,
que também atuou no teatro.Em 1880, Carlos Gomes regeu "O
Guarani", para uma platéia lotada. O poeta Castro Alves era
um dos mais assíduos freqüentadores da casa, onde estreou
"Gonzaga", em 1867.
O
século XX presenciou a criação da Escola de Teatro e a construção
do Teatro Castro Alves, maior investimento estatal nesse setor,
até hoje. A Escola de Teatro foi viabilizada através de verbas
do governo estadual, universidades e empresas internacionais.
Já o TCA foi inexplicavelmente consumido por incêndio pouco
antes de sua inauguração, em 1958. O teatro foi inaugurado
nove anos depois. A Reforma no Poder Executivo estadual criou
secretarias específicas para a gestão da cultura e da educação,
anos mais tarde substituída para a administração da cultura
e do turismo. A
Fundação Cultural do Estado, criada em 1972, passou a apoiar
novas montagens e projetos de espetáculos.
No
começo dos anos 80 com a abertura política , cursos livres
como o do Teatro Castro Alves e várias oficinas trazem novas
técnicas que valorizam e treinam o ator.
Há um significativo aumento da qualidade técnica dos
atores, contudo nesta época ainda não havia um público cativo.
Há um nível de profissionalizaçãol
com o surgimento das primeiras pessoas na função específica
de produtores. No finalzinho desta década, mais precisamente
no ano de 1989, estreou a peça representante do estágio atual
e profissional do teatro baiano: A Bofetada que, através da
Cia. Baiana de Patifaria, iria enfrentar mais uma década em
cartaz, já através do reconhecimento de empresas, imprensa
e público.
Na
década de 90, as artes cênicas começam, por fim, a
recuperar seu fôlego. Proliferam-se os cursos para atores
e surgem cursos técnicos, principalmente promovidos por órgãos
públicos com apoio de organizações classistas. Em meados da
década, surgem as leis de incentivo. Através delas, foi possível
perceber mais atentamente a participação de setores estreitos
à negociação cultural: os empresários. A quantidade de peças
cresceu significativamente, assim como a atenção para o setor,
com cursos profissionalizantes, novos espaços, novos produtos
e público.
A
Bahia, ao longo de todos esses anos, tem sido um palco de
revelação de talentos a nível nacional. Sua trajetória, do
Teatro São João ao Vila Velha e ao Castro Alves, não deixam
dúvidas. Entretanto, não se pode deixar de apontar os problemas
que ainda continuam no novo século XXI. A maioria das peças
não saem do papel. O teatro baiano precisa de estímulo, de
patrocínio e de lei de incentivo (antes tão freqüente,
mas agora tão escassa), que garantam a continuidade
do sucesso que ele sempre teve.
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