Há
uma confusão básica entre o ator de teatro e Cid Moreira.
Graças ao classicismo francês, atores ainda continuam
chegando até o proscênio e recitando textos com vozes
impostadas, arredondadas, quase ovais (leia-se com ovo
na boca). Quando não é esse ator 3x4 ou ainda ator-prega-vocais,
nos deparamos com o ator-síndrome-de-Hamelet: baba sem
parar, arfa até ficar tonto e treme as mãos e pernas enquanto
as veias do seu pescoço pululam e pululam. Se for dado
a esse ator uma caveira como bengala cênica é orgasmo
cósmico no ato.
Na
cena baiana instalou-se essa coisa linda, cheia de dendê
que é a interatividade. O povo baiano quer ir para o palco
e rir das citações de novelas e pérolas musicais locais.
Coisa linda! Há também, em todo o país, espetáculos realizados
em locações tenebrosas como prisão e ônibus onde os atores
tiram as roupas e sentam no colo do espectador. Interatividade
linda!
01 - Foto retirada de
www.terra.com.br/voltaire/artigos/hamlet.htm