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CANDEAL
Qualquer
pessoa que visita o Candeal pela primeira vez constata que a visão do
senso-comum é totalmente equivocada. O que se ouve falar sobre o Candeal
é que se trata de uma região violenta e "cheia de marginais", contrastando
com a visão que se tem do local ao visitá-lo. Trata-se de um bairro tranqüilo,
no qual quase todos os moradores se conhecem. Os próprios moradores comparam
a vida no Candeal à convivência em uma cidade do interior, onde todos
são irmãos e ajudam uns aos outros.
É difícil encontrar um jovem no Candeal que não cante e nem toque nenhum
instrumento. A maioria desenvolve algum talento naturalmente ou, se isto
não ocorre, aprende a gostar da música pela força do determinismo local.
Neste aspecto, a Timbalada influencia bastante a vida dos moradores, sendo
que estes, motivados pela proximidade do universo musical, desde pequenos
já "batucam" em latinhas ou participam de concursos de talentos.
Os moradores do Candeal não aceitam hierarquias entre eles ou por parte
de qualquer um que visite o bairro. Artistas famosos que freqüentam o
local dispensam os seguranças e circulam com naturalidade. Inclusive a
moradora Graciete Batista afirmou que qualquer famoso que tentar entrar
disfarçado ou acompanhado de seguranças perde a admiração da comunidade
local. Isto ocorreu, por exemplo, com a dançarina Carla Perez.
O surgimento da Timbalada provocou sensíveis mudanças na vida do Candeal
Pequeno, mas sem dúvidas a mais notável delas foi o incremento da auto-estima
de sua comunidade. Atualmente, ser morador do bairro não é mais motivo
de vergonha, e sim indicativo de que se trata de uma pessoa alegre e otimista,
características inerentes a quem vive no Candeal.
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