Textos & Poesias |
|
|
"Deus é aquilo que me falta para compreender o que eu não compreendo". |
| Nascer horrendo e triste | |
| E cego e louco | |
| Sem mãe, sem pai, sem fé, sem nada | |
| Um pouco de lama abandonado no caminho | |
| Sem ter de meu um gesto de carinho | |
| Nascer assim? Tá bem | |
| Mas nascer livre. | |
| Viver desiludido, abandonado | |
| Viver desconhecido ou desprezado Beber do ódio sempre o amargo vinho Viver sem um amor! Viver sozinho Viver assim... Tá bem Mas viver livre. |
![]() |
|
||||||||
| __________________________________________________________________________ | ||||||||
| De tanta teimosia | ||||||||
| Na burrice que eu insistia | ||||||||
| Demorei pra ter certeza | ||||||||
| De que a maior beleza | ||||||||
| Tava em mim porque eu sou | ||||||||
| O meu próprio seguidor | ||||||||
| Hoje não creio em bestalhos | ||||||||
| Em tarô e seus baralhos | ||||||||
| Que se dane quem procura | ||||||||
| Nego todas as culturas | ||||||||
![]() |
Não tem nada mais nojento Do que quem crê num pensamento Acho todo mundo burro Quero tanto dar uns murros Essa vã necessidade De pensar que é verdade Todo mundo acredita Isso muito me irrita Eles tem que ter um fim E eu só acredito em mim. |
|||||||
| __________________________________________________________________________ | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| O Nirvana Sagrado (O Homem Que Não Podia Pensar) - 1970 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Andrônico não podia dormir. Havia fumado seis cigarros, um atrás do outro. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Consumiu um bule de café, que ele sempre conservava em cima da mesa de cabeceira para o caso de insônia. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Trocava de cuecas de minuto em minuto. Calor. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Experimentava as mais estranhas posições e não achava comodidade. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| De repente uma mosca. Só faltava essa! Além do calor, uma mosca. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Seus olhos voltaram-se para o inseto. Será ele? Agora o medo. O medo horrível do Pensamento que se camufla em pássaro e penetra, sorrateiramente, no seu quarto de insônias. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| No silêncio o zunzum da mosca. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Não, não era o Pensamento porque se fosse
ele já teria atacado. Ademais, ele é pássaro e não mosca. Pensando assim, riu satisfeito de sua conclusão lógica. Não demorou muito para ele voltar a ficar sério. Acendeu mais um cigarro. A insônia era uma porta aberta para o bicho. Se ele estivesse dormindo nada disso estaria se passando. O calor agoniento. A espera do pássaro. Sensações de mal-estar e náuseas no estômago.
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||