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O que são drogas?

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Depoimentos

 

       O que vocês vão ler logo abaixo são alguns depoimentos verídicos de pessoas que já conheceram de perto um pedaço do mundo das drogas.

 

       "Em dezembro de 1991, meu irmão, Ivan, morreu ás vésperas de completar 25 anos. Ivan pra mim era mais que um irmão, era um filho. Eu era mocinha quando ele nasceu, e como minha mãe tinha que sair pra trabalhar, quem acabou criando ele fui eu. Ele era uma pessoa muito carinhosa, talvez por isso nunca conseguimos enxergar o que estava acontecendo. No fundo, acho que nós é que não queríamos perceber. A minha cunhada, Bete, vivia querendo se separar, mas achávamos que era besteira de casal. Bem, segundo nós ficamos sabendo ele já estava nas drogas há uns cinco anos. Acostumado a uma vida boa na casa da minha mãe, agora tendo que sustentar uma família de quatro pessoas e em conseqüência disso tendo que mudar-se para uma cidade fora de Brasília, na época a pobre Val Paraíso, e principalmente por causa das pessoas que ele andava, acabou se atirando nas drogas. Ele começou com roubo de carros, ele e a quadrilha roubavam aqui em Salvador e vendiam lá em Brasília. Acho que foi daí que começou. Ele foi ficando viciado e agressivo com a mulher e as filhas, chegava a bater nela, deixando o olho roxo, e já tentou várias vezes matar ela. Ele usava cocaína, e pra poder pagar entrou no tráfico. Foi aí que ele começou a ficar pior. Devia muito dinheiro, chegava em casa, passava as meninas pra dentro do quarto, apontava a faca pras duas crianças e perguntava a Bete se ela queria ver as meninas morrererem.

       Um ano antes da morte ele e meu irmão do meio começaram a ficar estranhos. Lúcio dava a entender que sabia de alguma coisa, mas era medroso demais pra falar. Nós desconfiamos e falamos com minha mãe, que não queria dar ouvidos. Três meses antes ele começou a dar pistas de que sabia que ia morrer. Um mês antes da morte ele saiu do tráfico. Foi encontrado morto no lago em frente a boate Gilberto Salomão, tão deformado que até hoje ninguém dá cem por cento de certeza da morte dele. E foi nisso que minha mãe se apegou até hoje. Ela não está muito sã e ainda sofre muito. Quanto a mulher dele, essa deixou as filhas com os pais e foi cuidar da vida. As meninas vão ao psicólogo até hoje e com minha exceção ninguém da família tem acesso a elas."

Marta Silva, 53 anos

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