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  Jornal "A Tarde", 16 de dezembro de 1995

   Febre que não passa

Acima do bem e do mal, os Beatles continuam fazendo a cabeça dos

quarentões e da garotada que viaja num passado

que não pôde conhecer.

    Por Simone Ribeiro

    Parece que foi ontem. Cabeludos, carecas, quarentões pais de família ou simples estudantes universitários, os fãs dos Beatles não cansam de relembrar o passado. Por eles, o grupo jamais acabaria. Evocam uma era de sonhos, fantasia e doçura, à qual, freqüentemente, estão misturados fatos de suas vidas. Em todo planeta, a febre beatlemaníaca não passa. Alheia às especulações sobre a qualidade do lançamento mais recente do primeiro de uma nova série de CDs do quarteto de Liverpool, The Beatles Anthology , a "tribo" está elétrica, revivendo emoções, lembranças que embalaram sua juventude ou, simplesmente, viajando num passado que não pôde conhecer. De repente, o maior fenômeno musical de que se tem notícia em toda a história da humanidade volta a ser sensação em festinhas, bares/restaurantes e discotecas. E num tempo em que a indústria cultural dissolve tudo tão rapidamente, não deixa de ser espantoso.

    O respeito e a admiração pelo grupo que revolucionou a cena pop dos anos 60 e ditou regras de comportamento une crianças, jovens e velhos. Não formam um clube qualquer. São mesmo especiais, capazes de brigar por causa da genialidade de Paul e de John, dos motivos que levaram à dissolução do grupo 25 anos atrás, ou de quem sabe mais sobre a vida de cada um dos quatro músicos. O engenheiro civil Ricardo Lagoeiro, 46, é uma dessas pessoas. Vem acompanhando a trajetória da banda desde o comecinho. Sabe datas, fatos importantes, tudo na ponta da língua. "Nunca vi nada igual. Beatles é clássico, uma espécie de patrimônio pessoal de cada um de nós", define, com um olhar emocionado. O baiano Edvaldo Ramos, 44, também adora falar sobre o assunto. Festinhas e namoradas vêm à tona. "Naquele tempo, tudo era fabuloso, apesar de a gente não ter carro nem dinheiro. Ouvia Beatles na radiola dos outros.No dia que eu morrer, gostaria que tocasse The Long and Winding Road. A minha curiosidade em relação a eles nunca acaba. Costumo dizer a meus filhos que um dia iremos a Londres. Mas só quero conhecer Liverpool e Penny Lane" , afirma. Fã que se preza, além dos discos, tem que colecionar fotos, recortes de jornais, fotos autografadas do conjunto e outros acessórios. E este é o caso de Edvaldo.

    Adriana Maria só tem oito anos. Fala pouco, sorri bastante. Nela, assim como em suas duas outras irmãs, Luciana, 10, e Patrícia, 14, a semente beatlemaníaca foi cultivada pelo pai. Walter Nóbrega, 41, que se orgulha do feito. A caçula diz que "Xuxa enjoa, mas Beatles não". A família é tão fissurada pelo grupo que, muito antes do Fantástico ( Globo) exibir o tão esperado vídeoclipe com a nova música, Free as a bird, em que a voz de Lennon, morto em 1980, pontua a canção graças a um milagre da tecnologia, eles já conheciam a novidade. O líder da banda Beatles in Senna, Toinho Senna, 45, que aos 14 já tinha uma banda de Beatles em Itapetinga, interior do estado, também faz parte do numeroso clã de fãs. "Esse mito nunca vai morrer, porque por trás existe uma mensagem de paz. É como um ciclo da natureza. Tem a ver com morte e ressurreição", analisa. Eduardo Cekaitis, 21, carioca, que toca ao lado de Toinho não esconde sua emoção com o lançamento da antologia, que vem causando sensação na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Desde os nove anos, ele já
cultuava o mito. "Quem hoje supera os Beatles?", pergunta inflamado. "Pegar um material como aquele e transformar em obra- prima prova que eles nunca sairão do topo mundial", opina.

    (...) Por causa desse fascínio irremediável, na terra do axé, Beatles também tem vez, a ponto de se tornar um negócio lucrativo. Há cerca de um ano, o bar e restaurante Sound & Sandwich anunciava a banda Beatles in Senna, formada por Toinho Senna, Eduardo Cekaitis, Jerry Marlon, Guimo Ligoya e Carlos Ruiz. Atualmente, todas as quintas e sábados, o local fica lotado e mesmo quem não se atreve a se exibir na exígua pista de dança agüenta.

    Acabou dando tão certo que a Beatles in Senna transformou-se na fonte de renda principal dos músicos, sendo requisitada constantemente para shows no interior do estado. Até o final do ano, a agenda dos rapazes está repleta. O surgimento da banda está diretamente ligado ao Sound & Sandwich, cujo proprietário é um fã de carteirinha do quarteto inglês, o advogado João Torres, 43. Os pôsteres espalhados pelas paredes da casa não mentem. Ele, que possui tudo o que se refere à literatura sobre Beatles, discografia oficial e pirata, além de inúmeras fotos originais e autografadas, já garantiu o primeiro volume da antologia recém saída (...).

Jornal "Qual o Lance", 31 de outubro de 1995

Jornal "A tarde", 4 de julho de 1996

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