Fonte: www.familialima.com

Visualize a seguinte cena: cinco membros de um conjunto musical em pé num palco, cada qual com um instrumento, tocando e cantando músicas com melodia agradável e fácil de gravar na mente, fazendo uma dança bobinha, de um lado para o outro, de um lado para o outro, vestidos com trajes idênticos, porém até elegantes e todos sorrindo para o público que os aplaude. É possível pensar num grupo de pagode, na melhor tradição Negritude Júnior ou SPC, não? Pois, apesar de não ser propriamente isso, não fica muito atrás. Trata-se da Família Lima, a mais nova aberração midiática a encher nossa paciência e torturar nosso cérebro, tocando ou aparecendo na televisão ou na Caras.

Os membros: o pai, com barba e cara de "um dia eu me torno Antônio Fagundes"; Lucas, que namora com a Sandy, o que é muito sintomático; Allen, a. k. a. Allen, o 8º passageiro, ou mesmo Allenígena; Amon Rá, que só pode ser filho de Baby do Brasil e Moisés, tão insignificante que não conseguiu inspirar uma piada. São todos parentes, e quem duvidar e levantar a teoria de que são estranhos reunidos por um empresário com propósitos exclusivamente comerciais deve lembrar-se de algumas evidências genéticas, como o cabelo sempre esticado e preso num rabo de cavalo, o olhar sedutor de um polvo na seção de frios de um supermercado e a expressão de quem pensa "tenho a impressão de que sou carismático". Mas eles reiteram tão enfática e neuroticamente que são porque são uma família feliz que alguém até pode entender que estão se defendendo de alguma acusação que porventura possa ser feita algum dia.

Não se pode nem acusá-los de não gostarem de boa música ou de boas roupas, mas a maneira como eles gostam representa exatamente a banalização desses valores, a tradução para um gosto deficiente como o deles. Tocam a Primavera de Vivaldi sorrindo e dançando, com uma batida rítmica ao fundo, baixando o clássico ao nível rasteiro de percepção melódica não apenas deles como de todo seu público. Para em seguida tocarem uma música romântica gosmenta de autoria (leia-se "responsabilidade") própria. É, na verdade, o mau gosto em seu grau máximo, justamente por almejar um pretenso requinte. Estão bem mais próximos é de uma mistura de Richard Clayderman, Kenny G, Emílio Santiago e Cauby Peixoto.




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