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| "Conheci-o: era um padre, um desses Santos Sacerdotes da Fé de
crença pura. Em sua fala de eternal doçura falava o coração. Quantos, oh! Quantos
ouviram dele frases de candura, que dinfelizes enxugavam prantos! E como alegres
não ficaram tantos corações sem prazer e sem ventura! No entanto, dizem que este padre
amara. Morrera um dia desvairado, estulto, sualma livre para o céu se alara. E Deus
lhe disse: 'És duas vezes santo, pois se da Religião fizeste culto, foste do amor o
mártir sacrossanto."
*** Eles se conheceram na adolescência, no Egito. Ele com 21, ela com 15 anos, fizeram-se juras de amor eterno. Ele, querendo proporcionar vida melhor a ela, foi para a América tentar a sorte. Prometeu que viria buscá-la assim que conseguisse o sucesso. Viajou, montou uma sapataria e finalmente pôde mandar trazê-la. Nessa mesma época, estourou a 2ª Guerra Mundial, e as viagens ficaram muito difíceis. Ele resolveu não arriscar a vida da sua noiva e aguardar mais um pouco. Finda a guerra, ele escreveu uma carta e mandou o dinheiro para que ela atravessasse o Atlântico. Meses depois o sapateiro não tinha tido nenhuma notícia da sua amada. Ela, por sua vez, sofria com o mesmo problema. O que teria havido com ele? Anos passaram até que ele resolveu casar-se. Ela decidiu-se pelo mesmo. Ambos tiveram filhos com os respectivos esposos, e mais 3 décadas se passaram. O sapateiro prosperou, mudou de ramo, tornou-se um empresário. Ela fez um bom casamento do ponto de vista financeiro e uma vida confortável. O que o destino não faz... Num salão de chá, 43 anos depois da separação, os dois encontraram-se, pois sentaram-se em mesas vizinhas. Não foi preciso perguntas, nem explicações foram dadas: ambos largaram as respectivas famílias e mudaram-se para o Oeste dos Estados Unidos. Descobriram, então, que os irmãos da jovem egípcia haviam interceptado as cartas com o dinheiro, mudando todo o caminho que ambos seguiram. |
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