Análise Social


Presente

Estamos no início de um milênio, o terceiro da era cristã, vivendo num mundo que apesar de belo, ainda é cheio de desigualdades, aberrações e guerras. Vivemos numa sociedade que é quase como uma selva, pois corremos o risco de sermos mortos (não pela nossa carne, mas por um pedaço de papel) a qualquer momento, não precisando para isso nem sair de casa. Não digo que isso com certeza vai acontecer - longe de mim ser sensacionalista - mas quero dizer com isso que há uma probabilidade razoável de que isso possa acontecer, mais de uma vez até, com você. Felizmente é impossível morrer duas vezes. Precisamos ser realistas e admitir que esse mundo é um mundo mergulhado no caos e regido por relações de poder tão arcaicas que chegam a ser ridículas. Todos nós somos subordinados a algum tipo de autoridade, que foi instituída para servir aos interesses não sei de quem. Até na democracia, onde supostamente o governo serviria ao povo, não é isso que acontece, porque a democracia está geralmente associada ao capitalismo, que já é um sistema de produção que claramente não visa o bem comum. Pode até ser que a democracia não seja tão injustificada como a ditadura, mas de forma alguma é possível afirmar que ela exista para servir integralmente ao cidadão, que só pelo fato de viver na miséria enquanto alguns poucos têm muito mais do que pode comer já tem seus direitos desrespeitados. Pode até ser que no conceito a democracia seja digna, mas o que se vê na sua prática não é isso. Eu me refiro à democracia, porque as formas de governo totalitárias são assumidamente tirânicas, enquanto que a democracia é disfarçada "em pele de cordeiro". E como parece ser este o sistema de poder que tem sido adotado em cada vez mais lugares do mundo, é necessário lembrar o seu lado sórdido. Enquanto não houver clara na mente das pessoas a idéia de que a violência é ruim até para ela mesma e que não é o poder que vai torná-la melhor, e sim a virtude, o mundo vai continuar como está. A civilização humana vai continuar se debatendo nas trevas de uma ignorância inconsciente e sangrenta. Enquanto todos (ou pelo menos a maioria) não tiverem arraigados em si o respeito pela vida do próximo, e pela sua dor, estaremos condenados a mais alguns milênios de assassinatos e guerras.

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