Info Fisiológica
 
Os estímulos nervosos que trafegam sem cessar através do cérebro realizam "idas e vindas" num ritmo e num volume impensáveis até para um supercomputador. Os axônios se ramificam e se entrelaçam, sobrepondo-se e formando uma densa rede com vias bem definidas, que formam-se obedecendo com uma alta precisão ao código genético. O cérebro é, de longe, o órgão mais complexo do nosso organismo. Suas operações se dão com tanta eficiência e precisão que até o mais leve desvio no sistema nervoso já altera completamente o comportamento do ser.
Em uma situação de interação "normal" com o meio ambiente (meio ambiente não no sentido ecológico, mas querendo significar "o ambiente à nossa volta"), o cérebro humano realiza operações nervosas completas: os órgãos sensoriais captam os estímulos externos, as informações são avaliadas, ponderadas, suas conseqüências são imaginadas e a partir daí, há ou não uma reação da parte do indivíduo.
Porém, quando o cérebro detecta, através dos sentidos, uma situação de risco, o caminho por onde normalmente passam as sinapses é reduzido para possibilitar reflexos mais rápidos. É como se os impulsos nervosos "cortassem caminho". Acontece que, devido a esses atalhos nervosos, o processo de estímulo-reação é arrematado, e o momento de ponderação e calculo mental das conseqüências não é feito. O indivíduo age de forma inconseqüente, mas não por opção, pois esse processo é inconsciente. Geralmente, é esse o comportamento apresentado durante o ato de violência. O medo, a ira, ou o que quer que seja, aciona hormônios de alta performance muscular (como a adrenalina) e o sujeito acaba fazendo uma loucura, da qual só vai se arrepender mais tarde, quando cair em si.
Esse estado de alerta, ou nervosismo, é acionado por um mecanismo que não calcula conseqüências ou implicações sociais quando entra em ação. Assim, essa "arma da sobrevivência" acaba sendo um fator de distorção nas relações sociais entre os indivíduos de uma sociedade que, por ser racional, espera deles o domínio de suas próprias consciências. Mas como responder por uma situação em que não se está no controle? A violência é um fator irracional, quando gratuita, mas às vezes é premeditada e planejada longamente. Todo indivíduo tem, em maior ou menor grau, uma marca da violência na sua personalidade. E todos nós temos impulsos violentos. Cabe a cada um ter a tranqüilidade e o autocontrole necessários para não fazer besteiras das quais vá se arrepender mais tarde.

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