| Iracema De Oliveira Prado Alcântara e Silva | ||
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| Iracema De Oliveira Prado Alcântara
e Silva nasceu em São Paulo, na bairro dos Jardins.
Filha de Antônio Carlos Alcântara e Silva - um coronel
negro reformado do exército e agora dono de uma rede de
postos de gasolina - e de Maria Eugênia Oliveira Prado,
integrante de uma das mais nobres famílias paulistanas,
pode-se dizer que Iracema nasceu com muita sorte. Rica
desde a infância, estudou no Colégio Dom Bosco, um semi-
internato para moças, de formação católica. Apesar
desta vida relativamente fácil, algo a incomodava
extremamente : Iracema era a única aluna negra da escola.
A discriminação era grande, e ela sempre era apelidada
de forma extremamente cruel pelas colegas. Macaca, morena
cor de vinil, fuligem de esgoto, resto genético da
humanidade e infeliz produto da lei de Princesa Isabel
eram algumas das colocações de suas colegas sobre a sua
raça. Deste modo, a doce Iracema foi ficando cada vez mais fechada em seu mundo, isolada de qualquer contato com outras pessoas. Foi mais ou menos aos 14 anos que a sua vida começou a mudar. Eram os anos 70. A crise do petróleo de 73 foi extremamente penosa para a família Alcântara Silva e Silva. O preço dos derivados de petróleo subiu de forma exorbitante, e as dificuldades econômicas obrigaram Antônio Carlos a retirar a menina do semi internato e a colocá-la em uma escola pública. Lá, a realidade dos alunos negros e mestiços da periferia, já atingidos pelo movimento Black Power, passou a fazer com que Iracema tivesse cada vez mais orgulho de sua cor, de sua origem. O orgulho transmutou-se rapidamente em ação: As saias plissadas e blusas bem comportadas do tempo de outrora foram substituídas por coloridas batas de motivos africanos. Os cabelos presos e alisados libertaram-se e ganharam Dreadlocks. Os cursos de francês e alemão foram abandonados, e a aprendizagem da língua Iorubá passou a ser um dos maiores objetivos da vida da bela negra de generosas ancas e curvas estonteantes. A timidez cede lugar ao despojamento e à descontração, o que iluminava ainda mais os olhos grandes de Iracema. A reação da família foi a pior possível: Iracema já não contava com o apoio de sua família. Sair de casa era a única decisão possível. Entregue à sorte das ruas, Iracema conhece então Mãe Dezinha de Yansã, uma negra gorda que tinha contato com políticos influentes e era sempre solicitada por gente endinheirada para fazer as suas consultas. Entrenecida pelo olhar meigo de Iracema, Mãe Dezinha de Yansã acolhe a jovem de 16 anos em seu Ilê. Iracema converte-se ao candomblé, e descobre que que seu santo de cabeça é Oxum, a protetora das águas doces. A vida transcorre de forma pacata para a mais nova filha de Santo do terreiro de Mãe Dezinha. Mas, com o falecimento de Mãe Dezinha, o Ilê torna-se um local de amargas lembranças para Iracema, então com 21 anos. A afeição e identificação entre as duas havia sido de tal forma forte que a presença de mãe Dezinha até mesmo no ar do terreiro. Aconselhada por outras filhas de santo, Iracema resolve sair de São Paulo e ir tentar uma vida melhor em Salvador, a capital negra do país. Um apartamento cedido por um político influente da bahia (na ocasião prefeito biônico da Capital, um tal de Antônio Carlos Magalhães) seria o ponto de apoio à nova vida de Iracema. Ela poderia vender acarajé e se dedicar ao candomblé no terreiro de Mãe Menininha do Gantois, amiga de longa data de Mãe Dezinha de Yansã. Assim fez nossa heroína. Morando no Palais du Bordeaux desde então e fazendo seus despachos no terreiro do Gantois, agora sob a liderança de Mãe Stella, Iracema tem conseguido sobreviver de forma tranquila. |
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