
Com anos de atuação no mercado das artes como ator, gestor e produtor cultural, Sérgio Sobreira vivenciou na pele a sensibilidade dos processos criativos antes de se dedicar à docência e à pesquisa sobre a formação e o fazer artístico no âmbito acadêmico.
Mestre, doutor e pós-doutor em Sociologia, Sobreira é Professor da FACOM e pesquisador do Centro de Estudos Multidisciplinares de Cultura (CULT) e do grupo Políticas Públicas e Economia Criativa. Atua na interseção vital entre expressão artística, análise de públicos e formação profissional, investigando os caminhos que levam a criação dos palcos e telas até a sociedade.
Nesta entrevista concedida à Stefane Luz*, Sérgio Sobreira analisa a identidade artística única da FACOM, o papel catalisador do audiovisual e da música na formação dos estudantes, a experiência prática na formação em sala de aula e a necessidade de políticas públicas e dados estruturados para fortalecer o setor cultural brasileiro.
Qual tem sido a sua experiência de vivenciar a conexão entre as artes e a FACOM? Como você tem visto a expressão dela?
De alguma forma, a minha compreensão de como é que as artes se entrelaçam com a Faculdade de Comunicação, remonta ao ano de 2001, ano em que eu ingressei pela primeira vez como professor substituto. Naquela época, eu era ator e produtor com uma atuação intensa no mercado teatral baiano.
Já me interessavam, por ser produtor, as questões que denunciavam o universo da produção teatral, as dificuldades que a gente passava, os desafios. E eu ouvi falar que havia um curso de graduação em Produção Cultural na Universidade Federal da Bahia na Faculdade de Comunicação.
Fui participar de um evento sobre marketing cultural realizado no Instituto Cultural Banco do Brasil, CCBB.E, nesse evento, estava presente a professora Linda Rubim, do curso de Produção Cultural. Ela disse: "Você devia dar aula na FACOM,a gente precisa dessa voz do mercado". Eu ri, porque aquilo era completamente distante dos meus objetivos. Mas meses depois abriu uma seleção de professores substitutos.
A FACOM é, por excelência, um lugar que acolhe essa dimensão da arte naquilo que ela tem de criativa
E eu, como produtor artístico, como pessoa que empreendia espetáculos teatrais, participei dessa seleção. Ali iniciou a minha relação com a FACOM. De alguma forma, um espelhamento dessa imbricação entre as artes, a produção cultural e a FACOM.
Eu vejo que a FACOM é, por excelência, um lugar que acolhe essa dimensão da arte naquilo que ela tem de criativa, de instigante, processo criativos, artísticos, que são muito diversos, são muito amplos. E o curso de Produção Cultural tem esse desafio de converter o universo dionisíaco das artes no universo apolíneo dos projetos.
Você percebe de alguma forma que a FACOM se diferencia em sua identidade artística?
A FACOM tem as suas peculiaridades. Além de abrigar um curso de Jornalismo que foi a origem da FACOM, onde está a nossa alma mater, ao se direcionar para o campo da produção cultural e mais adiante incorporar na área de concentração de cinema, a gente se engajou, sim, no campo da identidade artística. À medida que a gente se colocou como elemento integrante do processo, onde a arte sai da criação, do insight criativo e vai se transformar em produto, no livro, numa peça, numa exposição, no show, no filme, no vídeo, no clipe, enfim, em tudo aquilo que passa por esse fluxo de arte virando cultura.
A nossa identidade está apoiada e baseada nessa particularidade. E somos raros. Acho que tem pouquíssimos cursos de produção cultural em nível de graduação no Brasil. Temos aqui em Salvador, tem também na Federal Fluminense, mas alguns poucos lugares.
Qual é a linguagem artística que você percebe que mais provoca os estudantes de comunicação hoje?
Olha, inevitavelmente, é a própria primazia do audiovisual no mundo, é a linguagem que os jovens mais falam junto com a música.
Então, isso tem sido um caminho quase natural, tanto que a gente está incorporando a partir de uma área de concentração oferecida aos integrantes do BI, a consolidação de um curso de formação em cinema e audiovisual. Eu acredito que esse é o lugar que mais tem relação com a gente. Embora a FACOM tenha experimentos e projetos que se relacionam com outros campos artísticos.
Por exemplo, nós temos o FACOM Faz Som, que é um evento já produzido há muitos anos através da Produtora Júnior, e que tem essa interface bem consolidada, bem referente com a música independente, com a música emergente feita em Salvador.
O audiovisual por ter, digamos assim, uma maior facilidade, qualquer celular se converte num centro de recepção e também de produção. As pessoas hoje fazem pequenos filmes, editam materiais apenas com o gadget deste na mão. Não precisa mais do que isso. Então, isso confere uma uma maior proximidade.
Agora é curioso porque a gente tem conseguido colocar no mercado egressos que vão trabalhar com as mais diferentes linguagens. Nossos ex-alunos, quando vão para o mercado, têm uma pluralidade de atuações.
Como professor, como você implementa a expressão artística durante as suas aulas?
A disciplina pela qual eu tenho sido responsável ao longo dos últimos 15 anos (GCOM0023, Oficina de Análise de Cursos e Práticas Culturais) é uma disciplina de carga horária bastante expressiva e tematiza o campo da análise dos públicos e das práticas culturais.
Cada semestre os alunos elegem um determinado tema e têm total liberdade para isso. Deixo que cada turma tenha a capacidade de emergir através de um exercício bastante criativo em sala de aula, o que eles querem estudar.
A gente já estudou o consumo de audiovisual das telas, das salas de cinema, das livrarias de sebo Salvador, do consumo de literatura, dos teatros, das casas de show. Então, a cada semestre os alunos da disciplina se voltam para a análise de um determinado lugar de arte, de uma determinada expressão artística e fazem uma prática de investigação para entender quem é o público que consome aquela arte, que consome aquele território.
Mas também o público que não consome. Toda ausência é uma latência. Aquele público que não está indo ao teatro, que não está assistindo a um filme na sala de cinema, a gente tem que entender quais são as razões.
São impedimentos? São dificuldades? Está na ordem do simbólico? Está na ordem do material? Está na ordem do cultural? Salvador é uma cidade que tem uma mobilidade urbana muito complicada, tem também questões de segurança. De que forma esses aspectos impactam na relação que as pessoas têm com a oferta artística cultural da cidade?
Embora a pandemia tenha nos mostrado que a gente não vive sem os conteúdos de arte e a gente precisa disso para nossa cidadania, o Brasil ainda não entendeu a dimensão estratégica e central da cultura
Nesse contexto de transformação de políticas culturais, quais são os desafios e oportunidades que você enxerga para o mundo da arte, tanto na FACOM, quanto externamente?
Essa é uma cebola com muitas camadas. Primeiro ponto, políticas culturais. Embora esse tema tenha sido cada vez mais presente e emergente na nossa sociedade, a gente ainda tem muitas questões a serem equacionadas.
Porque, embora a pandemia tenha nos mostrado que a gente não vive sem os conteúdos de arte e a gente precisa disso para nossa cidadania, o Brasil ainda não entendeu a dimensão estratégica e central da cultura como algo que participa da construção do Estado, do empreendimento civilizatório de uma sociedade.
Então, a gente ainda está muito aquém, tanto da parte institucional da política, ou seja, que lugar a cultura e as artes ocupam no Estado enquanto objeto de interesse estratégico. E falta a sensibilidade e o entendimento do quanto a arte e a cultura são ferramentas potentes para induzir o desenvolvimento socioeconômico e também para ampliar o protagonismo do país no mercado internacional.
Você veja o que a Coreia do Sul fez com o chamado K-pop, a música pop da Coreia. E os doramas, o produto audiovisual coreano, se espalhou pelo mundo de uma maneira que não há um lugar que não tenha alguém nesse momento ouvindo K-pop ou assistindo a um dorama. E o que é a Coreia em relação ao Brasil? Ela é muito menor do que qualquer estado brasileiro, mas tem conseguido (porque houve investimento do governo, houve uma política cultural forte) fazer das expressões culturais sul-coreanas ferramentas de comunicação daquela sociedade, daquele povo comum.
O Brasil ainda não entendeu essa lógica. Embora o produto cultural brasileiro, quando apresentado ao mundo, seja extremamente sedutor, encantador. As pessoas adoram o cinema brasileiro, adoram a música brasileira, adoram o teatro brasileiro; quando espetáculos brasileiros conseguem vencer as dificuldades de entrar no circuito dos festivais internacionais, fazem imenso sucesso.
Tom na Fazenda, que é um espetáculo que já rodou pela Europa, pelos Estados Unidos, pela Ásia, acaba de fazer uma temporada de dois meses na Coreia do Sul.
Então, a gente poderia ter um protagonismo muito maior e melhor em relação à forma como nós tratamos a arte e a cultura. E acredito que a gente tem uma pequena participação nessa história de poder ajudar a induzir esse processo. Qualificando melhor os nossos alunos, levando eles a entenderem que têm uma posição estratégica e que eles devem se colocar, não só como profissionais no mercado, mas também enquanto cidadãos, atuando na pressão, nas formas de articulação e de organização coletiva.
Além disso, eu acho que tem sido um outro desafio qualificar melhor a nossa produção de dados. No Brasil, a gente conseguiu evoluir muito no debate ideológico, teórico e conceitual sobre o que é uma política cultural. Por outro lado, a gente produz muito poucos dados e indicadores sobre o que é cultura. A última pesquisa brasileira sobre o consumo cultural data de 2014. Temos uma lacuna temporal imensa sobre a investigação dos hábitos brasileiros de consumo de cultura.
Falta a gente demonstrar através da robustez estatística, com dados como esse, o quanto somos estratégicos para o desenvolvimento do país. Então, essas duas frentes precisam melhorar para a gente ter um protagonismo maior e melhor na sociedade.
*Stefane Luz é estudante de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da UFBA e bolsista em extensão no Núcleo de Comunicação e Extensão (NCE/FACOM).
O quê: XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
Quando: 23 a 25 de novembro de 2026
Reforçamos o comunicado (26/08/2026) acerca da suspensão das aulas no período de 23 a 25 de novembro de 2026, conforme estabelecido na Resolução nº 02/2026, em razão da realização do XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e do XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
O envio dos resumo pode ser feito até 23 de setembro.
Nesta edição, o Seminário reúne a produção de estudantes dos programas PIBIC/PIBITI, Sankofa, Permanecer, PET, Pibiexa e de pós-graduação vinculados aos programas institucionais de pesquisa e de extensão da universidade, reafirmando o compromisso da UFBA com a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As atividades serão compostas por sessões de Comunicação Oral e de Intervenções Artísticas.
Envio dos resumos: até 23/09/2026
Aprovação pelo orientador: até 30/09/2026
Ressubmissão de atividade não aprovada: até 05/10/2026 Aprovação da ressubmissão pelo orientador: até 07/10/2026 Divulgação do cronograma e local das apresentações: 04/11/2026
Inscrições e programação completa em: seminario2026.ufba.br
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Quando: 23 a 25 de novembro de 2026
Reforçamos o comunicado (26/08/2026) acerca da suspensão das aulas no período de 23 a 25 de novembro de 2026, conforme estabelecido na Resolução nº 02/2026, em razão da realização do XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e do XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
O envio dos resumo pode ser feito até 23 de setembro.
Nesta edição, o Seminário reúne a produção de estudantes dos programas PIBIC/PIBITI, Sankofa, Permanecer, PET, Pibiexa e de pós-graduação vinculados aos programas institucionais de pesquisa e de extensão da universidade, reafirmando o compromisso da UFBA com a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As atividades serão compostas por sessões de Comunicação Oral e de Intervenções Artísticas.
Envio dos resumos: até 23/09/2026
Aprovação pelo orientador: até 30/09/2026
Ressubmissão de atividade não aprovada: até 05/10/2026 Aprovação da ressubmissão pelo orientador: até 07/10/2026 Divulgação do cronograma e local das apresentações: 04/11/2026
Inscrições e programação completa em: seminario2026.ufba.br
Suspensão de atividades acadêmicas em relação a realização de Seminário de Pesquisa estudantil
O quê: XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
Quando: 23 a 25 de novembro de 2026
Reforçamos o comunicado (26/08/2026) acerca da suspensão das aulas no período de 23 a 25 de novembro de 2026, conforme estabelecido na Resolução nº 02/2026, em razão da realização do XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e do XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
O envio dos resumo pode ser feito até 23 de setembro.
Nesta edição, o Seminário reúne a produção de estudantes dos programas PIBIC/PIBITI, Sankofa, Permanecer, PET, Pibiexa e de pós-graduação vinculados aos programas institucionais de pesquisa e de extensão da universidade, reafirmando o compromisso da UFBA com a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As atividades serão compostas por sessões de Comunicação Oral e de Intervenções Artísticas.
Envio dos resumos: até 23/09/2026
Aprovação pelo orientador: até 30/09/2026
Ressubmissão de atividade não aprovada: até 05/10/2026 Aprovação da ressubmissão pelo orientador: até 07/10/2026 Divulgação do cronograma e local das apresentações: 04/11/2026
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