Por: Marcelo Ribeiro
Datar o surgimento de algo tão complexo quanto o cinema brasileiro pode ser bastante problemático e reducionista, envolvendo o risco de simplificar demais as coisas e de projetar no passado categorias que só fazem sentido para nós, no presente, depois de significativas transformações. Feita essa ressalva, de modo mais geral, quando se fala no surgimento do cinema brasileiro, costuma-se mencionar duas datas pontuais: o dia 5 de novembro de 1896, quando ocorreu uma primeira exibição pública de filmes curtos, no Rio de Janeiro, e o dia 19 de junho de 1898, quando Afonso Segretto, italiano radicado no Brasil, filma a Baía de Guanabara.
Cada data ganha relevância de acordo com o que se entende por “cinema brasileiro”
Cada data ganha relevância de acordo com o que se entende por “cinema brasileiro”. Se essa expressão diz respeito à produção de imagens, o dia 19 de junho de 1898 se destaca, embora exista a possibilidade de que outras filmagens tenham sido produzidas antes. Caso entendamos que o “cinema brasileiro” passa pelo contato do público brasileiro com imagens cinematográficas, a data de 5 de novembro de 1896 é que assume o primeiro plano, como ocorre quando se data o surgimento do cinema na França (e no mundo) pelo dia 28 de dezembro de 1895, quando os irmãos Lumière apresentam filmes do seu cinematógrafo em uma sessão para o público pagante (embora se saiba de registros mais ou menos experimentais anteriores).
Desde o final do século XIX, a produção e a exibição de filmes constituem campos intensos de atividade no Brasil, e o cinema brasileiro tem existido de forma rica e heterogênea. É impossível resumir a complexidade dessa existência múltipla do cinema brasileiro a uma história simples ou linear, pois ela varia bastante não apenas no tempo, mas também no espaço, nas regiões e estados brasileiros.
A história do cinema brasileiro envolve a atuação de empresas privadas, como os estúdios Cinédia, Atlântida ou Vera Cruz, entre os anos 1930 e 1950, ou atualmente a Rede Globo e diversas produtoras (das maiores, como a O2 Filmes, às menores como a Filmes de Plástico) e distribuidoras (das maiores, como a Globo, às menores, como a Vitrine Filmes), entre tantos outros exemplos possíveis. Também é importante citar a presença recorrente de diferentes instituições e órgãos públicos e/ou estatais (envolvendo eventualmente entidades de economia mista), como o Instituto Nacional de Cinema Educativo (1936-1966), a Embrafilme (1969-1990) ou a Agência Nacional do Cinema, a Ancine (criada em 2001 e em atividade).
O dia que te conheci (2024), dirigido por André Novais Oliveira / Filmes de Plástico
Mas é também fundamental mencionar a persistência significativa de instituições artístico-culturais (como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro ou a Cinemateca Brasileira) ou educacionais (sobretudo desde os anos 1970 e 1980, com o surgimento de cursos de cinema em universidades). Também é essencial falar em experiências com o cinema e o audiovisual realizadas de modo criativo, às margens dos quadros institucionais mais consolidados, por indivíduos (como Mário Peixoto, diretor de uma obra de vanguarda importantíssima, Limite, de 1931, ou as experiências do cinema marginal nos anos 1960 e 1970) e coletividades (como os diversos coletivos de cinema indígena, dos quais despontam cineastas já reconhecidos individualmente em circuitos de festivais, como Divino Tserewahú, Patrícia Ferreira, Takumã Kuikuro ou ainda Isael e Sueli Maxakali).
Algumas das principais mudanças na história recente do cinema brasileiro dizem respeito à emergência e à consolidação do cinema feito por grupos entendidos socialmente como minoritários, antes relegados à condição de objetos em filmes feitos por cineastas de grupos dominantes (com ampla predominância de homens brancos, ainda hoje observada no campo cinematográfico). Tais grupos — mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBT+/queer, entre outros — têm se tornado cada vez mais incontornáveis no cinema brasileiro contemporâneo. O cinema indígena, o cinema negro, o cinema feito por mulheres, o cinema queer e outros campos emergentes são espaços de significativa criatividade e importância artística, cultural e social.
Se há algo a comemorar no dia 5 de novembro é a riqueza e a diversidade do cinema brasileiro que o público atual pode encontrar.
O contato da variada e importante produção atual com o público enfrenta desafios, como a ocupação recorrentemente predatória das salas de cinema por blockbusters hollywoodianos e a instabilidade e fragilidade de medidas como as necessárias cotas de tela, entre outras. No entanto, se há algo a comemorar no dia 5 de novembro, pensando na memória da exibição pública de filmes realizada em 5 de novembro de 1896, é a riqueza e a diversidade do cinema brasileiro que o público atual pode encontrar em salas de cinema, serviços de streaming e sites, mostras e festivais.
Marcelo Ribeiro é professor de História e Teorias do Cinema e do Audiovisual na FACOM/Ufba. Autor de “Do inimaginável” (Editora UFG, 2019), livro sobre cinema e direitos humanos, assim como de capítulos e artigos sobre imagem, cinemas africanos, história do cinema, arquivo e descolonização. Doutor em Arte e Cultura Visual e mestre em Antropologia Social.
O quê: XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
Quando: 23 a 25 de novembro de 2026
Reforçamos o comunicado (26/08/2026) acerca da suspensão das aulas no período de 23 a 25 de novembro de 2026, conforme estabelecido na Resolução nº 02/2026, em razão da realização do XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e do XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
O envio dos resumo pode ser feito até 23 de setembro.
Nesta edição, o Seminário reúne a produção de estudantes dos programas PIBIC/PIBITI, Sankofa, Permanecer, PET, Pibiexa e de pós-graduação vinculados aos programas institucionais de pesquisa e de extensão da universidade, reafirmando o compromisso da UFBA com a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As atividades serão compostas por sessões de Comunicação Oral e de Intervenções Artísticas.
Envio dos resumos: até 23/09/2026
Aprovação pelo orientador: até 30/09/2026
Ressubmissão de atividade não aprovada: até 05/10/2026 Aprovação da ressubmissão pelo orientador: até 07/10/2026 Divulgação do cronograma e local das apresentações: 04/11/2026
Inscrições e programação completa em: seminario2026.ufba.br
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Quando: 23 a 25 de novembro de 2026
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Aprovação pelo orientador: até 30/09/2026
Ressubmissão de atividade não aprovada: até 05/10/2026 Aprovação da ressubmissão pelo orientador: até 07/10/2026 Divulgação do cronograma e local das apresentações: 04/11/2026
Inscrições e programação completa em: seminario2026.ufba.br
Suspensão de atividades acadêmicas em relação a realização de Seminário de Pesquisa estudantil
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Quando: 23 a 25 de novembro de 2026
Reforçamos o comunicado (26/08/2026) acerca da suspensão das aulas no período de 23 a 25 de novembro de 2026, conforme estabelecido na Resolução nº 02/2026, em razão da realização do XLV Seminário Estudantil de Pesquisa e do XXVII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação.
O envio dos resumo pode ser feito até 23 de setembro.
Nesta edição, o Seminário reúne a produção de estudantes dos programas PIBIC/PIBITI, Sankofa, Permanecer, PET, Pibiexa e de pós-graduação vinculados aos programas institucionais de pesquisa e de extensão da universidade, reafirmando o compromisso da UFBA com a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. As atividades serão compostas por sessões de Comunicação Oral e de Intervenções Artísticas.
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