Faculdade de Comunicação da UFBA realiza reformas para ampliar a acessibilidade na instituição

Publicado em: 01-09-2024

Por Lucas da Hora* 

A Faculdade de Comunicação da UFBA vem se empenhando em tornar a unidade um espaço mais acessível para os seus estudantes. No final de 2023, a FACOM iniciou algumas mudanças no prédio que seguem em reta final em 2024. As obras visam adequar a infraestrutura da faculdade com as normas de acessibilidade.

O diretor da FACOM, Leonardo Costa, relembra que as reformas para tornar a faculdade mais acessível são resultado de uma articulação que começou em gestões anteriores. “Ficamos 21 anos sem elevador. Depois de muita luta, e de vários trabalhos de gestões passadas, Suzana Barbosa, diretora entre 2013 e 2021, conseguiu ao final do mandato a inauguração dos dois elevadores. Isso ampliou a discussão de acessibilidade na instituição, que cada vez mais recebe estudantes PCD”, observa o diretor.

As reformas entre 2023 e 2024 foram iniciadas após mapeamento realizado pela arquiteta Clara Soledade, que identificou o que precisava ser feito na Unidade. O diagnóstico de Clara revela quais foram as primeiras impressões. “Primeiro ponto identificado foi o acesso ao edifício. Não basta mudar a estrutura interna se o estudante não vai ter como chegar no prédio”, sinaliza Clara que é arquiteta da Superintendência de Infraestrutura (SUMAI) da UFBA. A profissional se refere ao percurso que o estudante realiza da biblioteca central até a FACOM.

Para resolução do entrave apontado, foram adotadas medidas como a adição de guarda-corpos, de corrimãos nas escadas e nas rampas que já existiam no trajeto, a correção dos passeios irregulares, a pavimentação lisa, a adição de rampas acessíveis e a instalação da faixa de pedestres na rua em frente à FACOM, com sinalização podotátil em toda a rota. 


Acesso ao Prédio da FACOM. Foto: Lucas da Hora

Já internamente, é possível notar que a FACOM incorporou à estrutura do prédio elementos que orientam pessoas de diversas condições a se encontrarem dentro da instituição, por meio das chamadas referências edificadas. Nesse sentido, o balcão de informações foi adaptado para cadeirantes, inseriu-se um mapa tátil para deficientes visuais, plaquinhas de braille e sinalização podotátil. O recurso para a obra veio de emenda parlamentar, através dos deputados Alice Portugal (PCdoB) e João Roma (PL). 

Adalton Jesus, estudante de jornalismo da FACOM avalia que a faculdade avançou nas políticas de acessibilidade. “Eu entro em 2019,  uma  época que não tinha nem elevador na Faculdade de Comunicação. Então a gente percebe um avanço muito grande e um esforço da instituição em acolher as pessoas com deficiência”, destaca Adalton.


Adalton Jesus na FACOM/Foto: Bianca Dória

As reformas seguem as diretrizes da norma NBR 9050/2015, que promove a acessibilidade nos espaços urbanos. “Hoje nenhum arquiteto pode emitir um registro de responsabilidade técnica sem notificar que está atendendo a acessibilidade”, disse Clara. A norma surgiu em 2004 e a partir de 2015 passou por uma reforma que estabeleceu orientações básicas para construções em espaços urbanos e públicos.

Estudante de jornalismo da FACOM, Vanessa Ferreira afirma que a instituição é um espaço acessível. “Sempre considerei a FACOM um ambiente muito acessível, porque já passei por lugares que não oferecem nenhum tipo de acessibilidade. Eu lembro que quando eu entrei na FACOM a rampa que dá acesso à portaria ela tinha alguns buracos aí com essa nova transformação colocaram cimento e tá bem melhor para se locomover”, afirmou a estudante.


Vanessa Ferreira na FACOM/Foto:Lucas da Hora

Vanessa ressalta ainda a dificuldade que enfrentou ao tentar transitar em outras unidades da UFBA, enquanto uma estudante cadeirante. “Ainda há um longo caminho pela frente”, acredita. A arquiteta Clara Soledade destaca que a escassez de verbas tem dificultado a ampliação da acessibilidade na Universidade Federal da Bahia e que a verba vinda por emenda parlamentar facilitou as obras na FACOM. “A gente conseguiu ampliar um pouquinho o espaço da faculdade porque tinha uma verba um pouco maior e a FACOM já tinha feito uma reforma posterior à 2004. Um período em que essa norma entrou em vigor, então muita coisa já estava acessível”, declara a arquiteta. 

Já Adalton defende que é necessário a adoção das políticas afirmativas para estudantes PCD na prática. “A acessibilidade está nos detalhes. Uma calçada desnivelada é uma coisa simples para todo mundo, mas para uma pessoa com deficiência não.  É buscar entender como funciona a locomoção de uma pessoa com deficiência ao pegar o buzufba, por exemplo”, exemplifica Adalton.

*sob supervisão de Jéssica Carvalho