
Nasce Alice de parto cesariano às 20h no Hospital Santo Amaro em Salvador. Familia presente: era tanta gente que até assustou o médico, Doutor Paulo Cruz! Avôs e Avós, tio e tias, primos e primas, além dos amigos mais próximos que são, muitas vezes nossa verdadeira família. Obrigado!
o tempo que passa...
É incrível como tudo muda em tão
pouco tempo. Um ser invade nossa vida e cativa inexplicavelmente nossos
corações. A rotina mudou completamente e o trabalho em manter
vivo esse ser tão frágil é enorme mas prazeroso. O
cansaço é inevitavel mas a excitação é
tanta que a máquina interna não desliga. Cabe aqui um parêntese:
é extremamente paradoxal, interessante e mesmo trágico,
essa fragilidade do ser humano na hora e depois (bom alguns anos) do nascimento
e sua prepotência logo que ganha uma certa independência.
Toda a tragédia e perversão da Cultura, aliás, é
fruto dessa prepotência, que se traduz em controle, dominação
em relação ao seu ambiente externo e interno..
Alice, dizem, parece com o pai, ela é branca
com os cabelos pretos (o braço e a orelha são cabeludo, mas
só agora, dez dias depois - estamos no dia seguinte do Natal de
1997) e olhos que causam polêmica: uns dizem que são azuis,
outros verdes ou que eles são cinzas como de todo bebê recém-nascido.
Alice tem hoje 50 cm e 2500g. Ela nasceu com 1 centímetro
e 250g a menos, às 20:02h do dia 15 de dezembro. Sob o signo de
sagitário com ascendente em gêmeos.
A rotina de Alice consiste em mamar e dormir como
todo bebê. A sua interação com o mundo limita-se ao
choro e a movimentos de braço e perna que eu tenho chamado de boxear
e andar de bicicleta. Por causa de um problema comum no fígado (uma
leve icterícia), Alice toma sol todo dia às 8:30h (estamos
no horário de verão e assim ela pega o sol de 7:30h) e depois
o banho. Mama e dorme.
O seu olhar é intenso embora pareça
sem foco. Mas o foco aqui importa muito pouco pois nos parece que ela "vê"
tudo, no mínimo ela sente muita coisa que se passa ao seu redor.
Depois de dez dias de nascida ela parece desviar o olhar quando ouve sons
e detesta o barulho do durez quando tiramos a sua frauda descartável.
Agora, canto música alto antes de puxar o adesivo, assim ela se
distrai e não percebe o barulho irritante do plástico descolando.
Ela saiu no Natal para ver a família na casa
do tio Carlos. Estavam todos lá: os tios e tias paternos e maternos,
os avôs e avós,e alguns amigos. Como sempre festa de Natal
é muito chata e Alice aproveitou e foi dormir sonhando com o leitinho
do futuro..., se futuro existir ainda. É essa a condicao socio-cultural
que ela recebe: no future, globalizacao, tecnologias de rede, desigualdades
e doenças incuráveis...
Dois meses se passaram e Alice continua
seu caminho inexorável para o crescimento. Começa a crescer
e a aprender coisas: primeiro que nosso corpo é frágil e
sujeito à doenças; ela pegou uma gripe com bronco-espasmos
que nos levou ao hospital mas que agora está curada. Ela aprende
a olhar as coisas, a falar com uma série de grunidos, que por mais
incompreensíveis que sejam, começam a fazer algum sentido;
ela vai reconhecendo coisas e impondo, pouco a pouco, sua personalidade
em formação. Aí está ela hoje com quase três
meses.

A seguir...
