Uma nova arma

Davi Lemos

A professora Tatiana Loureiro contou sua experiência nos Estados Unidos, onde o ambiente Internet, no que ela classificou “tática de guerrilha”, vem sendo um instrumento para trazer pluralidade ao jornalismo. Com essa nova possibilidade de telejornalismo digital, pode-se noticiar e, até mesmo, levantar grandes discussões que poderiam culminar, por exemplo, com grandes protestos contra o Fundo Monetário Internacional ou contra o Banco Mundial.

E o melhor, disse Tatiana, é que, com uma câmera digital nas mãos e uma máquina conectada à rede por onde pudesse enviar as imagens captadas, qualquer um desses protestos pode ser coberto. Ações geralmente contrárias aos interesses de grandes corporações financeiras e de comunicação poderiam ser cobertas. Para a professora, criou-se uma rede alternativa de TV na Internet. “E isto veio para contrabalançar os efeitos de controle da TV pelas grandes redes”.

O problema apontado para que esta “guerrilha” se transforme numa ação efetiva em favor da pluralidade é a exclusão digital. “Mesmo nos Estados Unidos se fala em exclusão digital. A grande audiência dessas TVs ainda são as universidades e os ativistas de centro-esquerda”, exemplificou Tatiana. E completou: “Traduzindo isso para a sociedade brasileira, a gente senta e chora. No Brasil, apenas 6% da população tem acesso à Internet e apenas 0,3% tem acesso em banda larga, ideal para a transmissão de imagens e sons”.

Para Tatiana Loureiro, o principal empecilho para que essa “tática de guerrilha” renda frutos é a exclusão social. Esse fator é a causa para a falta de acesso aos bens materiais e à informação transmitidas pela rede de computadores.

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