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Qualquer trabalho a respeito do jornalismo digital, até
muito pouco tempo atrás, não tratava do aspecto do
usuário. Porém, aos poucos, esse comportamento vem
mudando e muitos profissionais e teóricos estão despertando
para a importância de também estudar e refletir sobre
aqueles que estão do outro lado do computador: os leitores.
O público ávido por informação na Internet
cresce a cada dia. O mais novo estudo da Nua
Inetrnet Survey, publicado em 13 de agosto de 2002, aponta
que dos 6.324 bilhões de pessoas estimados no mundo, 9.3%
têm acesso online. Desses cerca de 580 milhões usuários
online, pouco mais de 185 milhões são da Europa e
cerca de 182 milhões são da América do Norte.
Assim, antes de discutir qual o melhor formato, há uma necessidade
de também estudar e saber quem é esse público
que está acessando em busca de notícias.
O jornalismo digital altera profundamente o papel do repórter
e do editor, pois o poder nesse novo modelo está nas mãos
do consumidor/leitor.É o leitor que seleciona e filtra as
notícias, participa, interage e discute assuntos a serem
abordados. Segundo a jornalista Monique Abrantes, “ele não
é um agente passivo da comunicação, muito pelo
contrário, torna-se ativo e espera ser retribuído
pela sua participação. Dessa forma, podemos dizer
que o conteúdo de uma publicação eletrônica
não pode ser produzido em série e nem ser unilateral.
Ele precisa provocar reações e o responsável
pelo conteúdo - no caso,o jornalista - não pode se
isentar deste resultado.”
Segundo o co-editor do Weblog Ponto Jol, o jornalista Raphael Perret
Leal, padronizar o público de
um site, pode vim a ser um problema que alimenta alguns mitos. Muitos
manuais do jornalismo digital recomendam o uso de textos e parágrafos
curtos, alegando que o internauta navega com rapidez , o que torna
difícil prender sua atenção.
Mas será realmente que um conteúdo rico e um design
arrojado não são suficientes para atraírem
os usuários? E os cadernos especiais e mais aprofundados
na internet? Artigos e ensaios não têm vez na web?
Para Perret, “as respostas a essas provocações
serão elucidadas quando o jornalista parar para pensar em
seu público. Antes de produzir o site, quem ele quer atingir
e atrair? E, com a página no ar, quem está realmente
visitando? Serão sempre as mesmas pessoas? O que elas procuram?
São elas que determinarão a sua linguagem e a forma
com a qual ele se comunicará. Logo, faz-se necessário
entender o público e montar o seu perfil”.
A interatividade proporcionada pala tecnologia Internet tem no e-mail
o seu melhor exemplo, ajudando a decifrar os visitantes de determinado
site. Ao pensar sobre essa interatividade, o jornalista Perret sugere
o uso dos relatórios de visitação,
que também podem trazer algumas informações
essências sobre o público de determinado site e alerta
que ambém não se deve esquecer das tradicionais pesquisas
de mercado, que buscam avaliar os objetivos do visitante de um site
através de questionários e sondagens qualitativas
e quantitativas.
A avaliação do perfil do público ajuda a entender
o formato de determinado site, principalmente quando seu resultado
é interpretado adequadamente. Raphael Perret explica que
“a análise profunda e correta dos e-mails, relatórios
e das pesquisas são tão (ou mais) essenciais quanto
a simples existência da técnica de descrição
do comportamento do visitante. Neste ponto, a internet consegue
levar uma ampla vantagem em relação aos veículos
impressos, pois é possível fazer um acompanhamento
constante, desde que uma certa rotina de interpretação
e observação seja seguida.”
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