| O
portal foi o eleito. Nas páginas de campanha tem lojinha, material
de propaganda, contato com o candidato, agenda, vídeos, fotos
e textos noticiosos. Os quatro candidatos à Presidência
da República nas Eleições 2002 investiram na
internet como importante recurso de campanha. Bem ou mal, fizeram
uso das características do jornalismo online: interatividade,
hipertextualidade, multimidialidade,
memória, personalização.
O conteúdo na web esteve em sintonia com os argumentos escolhidos
pelo candidato para vencer as eleições.
O famoso “Lulinha paz e amor” dos jornais
moldou a produção do site
de Luís Inácio Lula da Silva. Uma imagem em flash
com crianças abraçando a estrela do partido ocupou
a maior parte da página principal. Na seção
de notícias não houve denúncias contra
os concorrentes, nem ao menos respostas diretas a possíveis
ataques sofridos por Lula. As entrevistas
e notícias do site procuravam reforçar o preparo do
candidato para assumir a presidência e a ética na vida
pessoal. As entrevistas com empresários, estudiosos e a história
de vida do candidato mereceram tratamento e exposição
especiais. A possibilidade de “vitrine” que o portal
oferece foi mais aproveitada no site petista. A Lojinha do PT tem
destaque na página principal e também aparece em pop
up.
O site do presidenciável José
Serra, da Frente Grande Aliança (PSDB-PMDB), utilizou
ao máximo a linguagem jornalística. As pautas reforçaram
os destaques já dados no programa eleitoral gratuito. O programa
Segunda-Feira,
os depoimentos
de artistas e o argumento de que “com Serra é dito
e feito” repercutiram em todas as seções
do site. Os assuntos eram readaptados ao estilo de cada seção.
Aspectos positivos do tão mal falado governo FHC foram mostrados
para surpreender o eleitor na seção “Você
sabia?”. Um jogo de memória em flash de quadros
com palavras e símbolos fortes da campanha serviu para fixar
no eleitor os principais aspectos “vendidos” pelo candidato.
A falta de recursos propagada pelo candidato na televisão
pode explicar a simplicidade do site do candidato Anthony Garotinho
da Frente Brasil Esperança. Mas o site não traz o
famoso bônus R$1, nem links para contribuir com a campanha.
Um ou duas fotografias grandes dividem o centro da página
principal com textos de lides extensos colocados sem muito ordenamento.
Uma coluna à direita tem links para a vida do candidato e
os recursos de multimídia. Os links para contato com o candidato
não tem um ambiente intermediário, ligam direto ao
programa de envio de mensagens. A atualização das
matérias é limitada a, no máximo, quatro notícias
por dia. A afirmação de vitória, a administração
no Governo do Rio de Janeiro, a família e a fé são
os elementos mais explorados.
No site do candidato do PPS, Ciro Gomes, a
esposa Patrícia Pillar, o concorrente José Serra e
seu marketeiro Nizan Guanaes também aparecem como personagens
de destaque. Na série de notícias aparecem títulos
que atraem o interesse pela curiosidade, como: “Uso descarado
da mídia”, “Nem seu Creysson escapa”, “Cuidado
com a central de boatos”, “O Otoniel é nosso”,
“Xô garoto baixo astral”, “Mussolini tem
um filho no Brasil”, “O senhor das trevas”, “Não
é brinquedo não”. O texto tem linguagem informal
e próxima do leitor, é construído dirigido
a “você”, o internauta. A utilização
de pop up e títulos piscantes com ataques ao candidato José
Serra deixa claro que a estratégia foi centralizada num concorrente.
Uma seção semelhante a “você sabia?”
do site tucano apresentou realizações de Ciro, tentou
desconstruir a idéia de bom ministro de José Serra
e trouxe dados negativos do governo FHC.
|