A passos lentos

Fernanda Macedo

Faculdades de comunicação do país ainda engatinham no ensino do jornalismo online

Qual seria o ambiente ideal para o desenvolvimento das técnicas jornalísticas aplicadas às novas tecnologias? A maioria das faculdades de comunicação brasileiras, onde deveriam estar sendo pensados e formulados os alicerces do novo método de fazer jornalístico, ainda não está dando a devida importância à questão. A falta de desenvolvimento de habilidades específicas para a área resulta na formação incompleta do jornalista. Depois de graduado, o profissional se vê obrigado a aprender apressadamente as regras impostas por estudos pré-estabelecidos, sendo que eles próprios poderiam estar fazendo parte desse processo de análise, experimentando e formulando novos modelos.

A carência de professores que dominem e pesquisem as novas práticas acompanha a incompreensão da importância do estudo nas novas técnicas. A demanda pela instalação de um laboratório exclusivo para esse aprendizado também pode inviabilizar o projeto. Essas são algumas das causas apontadas por Elias Machado, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, para o vácuo instaurado nos programas das faculdades quando se trata de jornalismo digital. Além disso, segundo Machado, “o jornalismo online é uma área nova, onde se está apenas tateando”.

As faculdades apontadas pelos ranking do Ministério da Educação e do Guia do Estudante, estão dando os primeiros passos para a construção do jornalismo on-line. A maioria ainda engatinha; algumas não possuem sequer uma disciplina obrigatória específica para a análise e emprego das novas estruturas. Essa ausência pode ser interpretada, em boa parte, como falta de compromisso com a capacitação dos futuros profissionais que ingressarão num mercado onde o "como fazer" ainda não foi definido e poderia estar sendo pensado em conjunto nas próprias instituições de ensino.

O ambiente de experimentação, neste caso, é extinto pela insuficiência de teoria e/ou prática a respeito do assunto. A escassez de produtos feitos por estudantes na área é resultado dessa carência. “Sem embasameto teórico, o desenvolvimento de uma narrativa multimídia torna-se impraticável”, constata Machado.

O resultado é a falta de produção experimental ou, quando esta existe, a cópia de modelos pré-definidos. Um exemplo pode ser observado na pesquisa de Vinícius Araújo, estudante da Universidade Federal da Paraíba, que fornece uma estimativa sobre a participação dos futuros jornalistas na internet. Araújo encontrou apenas 107 sites ligados a estudantes de jornalismo num universo de 111 faculdades.

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Pesquisa de Vinícius Araújo