| Na última
década do século passado, o Esporte Clube Vitória
cresceu e muito, dentro e fora de campo. Reconstruiu um estádio
para 50 mil pessoas, o Manoel Barradas, e deve construir outro, o
mais moderno do Brasil, dentro de dois ou três anos. Tornou-se
um dos primeiros clubes-empresa do país, profissionalizando
seu departamento de futebol, dando um passo a frente de seus concorrentes.
Investiu na formação de novos talentos e revelou uma
série de craques. Com isso, o clube baiano avançou também
dentro das quatro linhas.
A reformulação gerou reflexos nos gramados, onde
o Vitória conseguiu equilibrar forças com seu arqui-rival
histórico no estado, o Esporte Clube Bahia, conquistando
seis dos últimos dez campeonatos estaduais, dois títulos
regionais na década e chegou até ao vice-campeonato
nacional, em 1992. As glórias, conseqüentemente, fizeram
a torcida rubro-negra crescer.
O único setor onde o Vitória não conseguiu
evoluir, inexplicavelmente, foi a internet, onde a demanda por volume
de investimentos é muito menor. O resultado disso? O clube
continua levando um banho do rival, pelo menos na rede mundial de
computadores. O site oficial do Bahia, o eusoubahia.com,
é atualmente o segundo em número de acessos no estado,
virou provedor de acesso, tem atualizações diárias,
transmite jogos em tempo real, é repleto de notícias
e foi considerado pelo iBest 2002 um dos melhores na área
de esportes de todo o país.
Já o site do Vitória, lançado em 2001, não
reflete a grandeza alcançada pelo clube nos últimos
anos. Apesar do design arrojado, as atualizações não
são diárias e o site não funciona nos finais
de semana – o que é inaceitável em se tratando
de uma página de futebol, já que os jogos acontecem
justamente no período. O ecvitoria.com.br
não transmite as partidas em tempo real e não disponibiliza
informações imediatamente após o fim da partida,
apenas no dia posterior.
A situação causa revolta nos torcedores do Vitória.
“Se dependesse da internet, a auto-estima do torcedor rubro-negro
estaria no fundo do poço. Não consigo entender como
é que o Bahia faz o que faz e nós não temos
um site a nossa altura. É uma vergonha ter que acessar outros
sites para saber informações de seu próprio
clube porque o site oficial existe, mas não serve pra isso”,
disse Renato Dourado Júnior, um dos chefes de torcida do
leão da barra.
A diretoria do Vitória se defende e diz que faltam recursos
para o investimento em internet. “A dificuldade financeira
dos clubes hoje é imensa. Os investidores estão fugindo.
Conosco não é diferente. Atualmente, o Vitória
ainda não dispõe de verbas para investir no site”,
disse o gerente de comunicação do clube, Jovino Pereira,
único responsável pela atualização do
ecvitoria.com.br.
Num comparativo com o rival, é difícil acreditar
no argumento da falta de recursos para levantar o site do Vitória.
O clube vai fazer um investimento de R$ 50 milhões para a
construção de seu novo estádio e gasta mensalmente
com seus jogadores de futebol cerca de R$ 400 mil só com
a folha salarial. Em contrapartida, para manter o eusoubahia.com,
o departamento de marketing do Bahia gasta mensalmente apenas R$
1,2 mil, com mão de obra e manutenção.
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