Cobertura ampla das eleições na internet pode ajudar o eleitor

Carlos Marcos Torres

Desde a popularização da internet no Brasil, esta é a primeira disputa eleitoral no país com ampla cobertura na rede mundial de computadores. Os sites de notícia brasileiros só tinham dado atenção diferenciada, com tamanho uso das potencialidades do webjornalismo, para o "Atentado de 11 de Setembro" nos EUA e para a última Copa do Mundo de Futebol. Com o uso da hipertextualidade, interatividade, memória e multimidialidade para tratar da Corrida Eleitoral de 2002, quem pode sair ganhando é o eleitor que agora tem melhores condições de encontrar as informações necessárias para a escolha do seu voto.

Em uma análise dos principais sites de notícia do país como UOL, Último Segundo do IG, Globo News e o regional A TARDE on line, percebe-se a oferta de grande variedade de conteúdo. Ao navegar por eles, o usuário encontra informações desde as últimas notícias, passando pelo calendário eleitoral, respostas para as perguntas mais freqüentes, links para os websites de campanha, do TSE e TREs, dos Partidos e da Legislação, biografia dos presidenciáveis, altos e baixos nas pesquisas, opinião de colunistas, até a possibilidade de participar de enquetes e grupos de discussão.

Dos sites analisados, apenas O "UOL Eleições 2002" apresenta informações sobre as campanhas nos Estados, fornecendo uma lista dos candidatos ao Governo e ao Senado. Nem mesmo o ATARDE on line, cuja base é o diário impresso de maior circulação na Bahia, disponibiliza dados sobre os candidatos ao Governo e ao Senado.

Apesar desses sites noticiosos terem disponibilizado espaços diferenciados para tratar da Corrida Eleitoral neste ano, é fácil perceber que as potencialidades do webjornalismo foram melhor aproveitadas para a cobertura da Copa do Mundo de Futebol. Seria necessário, por exemplo, mostrar um pouco mais da história política do país: disputas eleitorais anteriores, fluência partidária dos candidatos, a origem dos partidos políticos ou até mesmo uma lista dos acusados e condenados por corrupção.

Todavia, mesmo que essas potencialidades não estejam sendo utilizadas com maior desenvoltura, a disponibilização de maior quantidade de conteúdo relacionado às eleições facilita o acesso às discussões das questões políticas e econômica ao eleitor, permitindo-lhe construir seu próprio caminho na seleção das informações.

Um exemplo disso é que as indicações de voto parecem reagir a cada novidade na campanha com um dinamismo que não acontecia antes. Um novo acontecimento traz implicações diretas nas pesquisas: notícias de corrupção, entrevistas, mudanças econômicas e comentários de jornalistas, especialistas e atores políticos já alteraram por diversas vezes a composição das alianças para a disputa, já derrubaram candidatos e detonam semanalmente alterações nos resultados das pesquisas de opinião.

Copyright © 2002 - Oficina de Jornalismo Digital - Faculdade de Comunicação / UFBA