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Em se tratando de texto para a Internet ele é
uma das principais referências no Brasil. Por isso, o PANOPTICON
não poderia deixar de ouvir Bruno Rodrigues, autor do livro
Webwriting: Pensando o Texto para a Mídia Digital.
PANOPTICON - O webwriter
surgiu com o advento de novas mídias como a Internet e da
consequente necessidade de se construir um conteúdo específico
para estes novos meios. Você acha que os redatores online,
em sua maioria, já conseguem pensar em um texto adequado
para esse novo formato, ou eles ainda estão presos a formatos
antigos como o impresso e o rádio?
BRUNO RODRIGUES - Ainda sinto, sim,
o jornalista preso a antigos formatos, como o impresso, mas o outro
exemplo que você deu, o rádio, é exatamente
uma das fontes de onde se bebe para escrever textos para a mídia
digital. São textos altamente persuasivos e extremamente
objetivos - assim como o texto para release, outro bom exemplo para
textos online.
PANOPTICON - A
questão do retorno - ter sempre a opinião do leitor
- é bem enfatizada. Que dicas você dá para se
conseguir essa resposta?
BRUNO RODRIGUES - Crie pontes, interatividade,
mas nunca se esqueça de mostrar ao usuário o resultado
prático desta aproximação. Um exemplo: de nada
adianta fazer enquetes online, do tipo 'em quem você irá
votar para presidente', achando que a única coisa que o usuário
espera é aquela 'pizza' com os percentuais. O que ele quer,
sim, é algo como perceber que esta pesquisa, da qual ele
participou, gerou pauta para uma matéria como 'segundo pesquisa
realizada neste noticioso, 48% dos nossos leitores votará
em Lula'. Aí, sim, o usuário será estimulado
a responder outras enquetes, já que ele se sentirá
útil e participante, e terá como retorno mais informação,
e não dados puros como os da pizza...
PANOPTICON - Você
defende a idéia de que cada tela deve ter 20 linhas de texto
em média. Essas 20 linhas formam o texto-plataforma que pode
ser entendido sem que o internauta clique em links internos ou externos.
Para sites de empresas isso parece bastante eficiente, mas quando
falamos de sites noticiosos em que a função é
informar o máximo possível você ainda concorda
que não se deve usar links externos no meio do texto?
BRUNO RODRIGUES - Sim, sempre. Tenha
certeza que no site que se pretende indicar no meio do texto há
alguém tão profissional e esforçado quanto
você, e achar que o usuário irá dar uma 'olhadinha'
e voltar é muito ingênuo. Ele permanece no outro site
e não volta. Portanto, links externos, sempre após
o texto; links para páginas internas, puxe-os ao máximo
para o fim do texto. Quanto a informar o máximo possível,
isso não é sinônimo de escrever tudo em uma
tela apenas, achando que o leitor quer tudo de uma vez só,
em uma só página. Um site funciona como uma cebola,
em camadas, e nas primeiras camadas dá-se o conteúdo
básico. Se o leitor quiser algo mais aprofundado, ele vai
navegando pelas camadas. Muito conteúdo em uma simples página
cria o 'information overload', e o usuário cansa ou se assusta.
PANOPTICON - Você
define o "texto 'empresarial' com tempo, regras e criatividade;
e o jornalismo online, sem tempo nenhum e com raras oportunidades
para insights criativos."Você poderia desenvolver esse
conceito?
BRUNO RODRIGUES - Em uma empresa, não
há a pressão do 'tempo real', já que se trabalha
conteúdo informativo institucional. Em jornais online, a
'agora' é fundamental, por isso o tempo existe para disponibilizar
a informação, apenas.
PANOPTICON - Trabalhar
em dupla com o webdesigner é sempre apontado como ideal na
hora de pensar o conteúdo a ser oferecido. Mas quando falamos
em grandes redações de jornais em que não há
esse contato direto há como o webwriter tentar solucionar
o problema trabalhando apenas o texto?
BRUNO RODRIGUES - Este momento de dupla
só é possível na criação de um
site ou em novas áreas deste, nunca no dia a dia da disponibilização
de novos textos - seria impossível.
PANOPTICON - Você
produz conteúdo para o site da Petrobras,
conte um pouco desta experiência. Afinal, essa é uma
das maiores empresas nacionais e que precisa trabalhar muito bem
sua imagem tanto para ganhar mercado no exterior quanto para expressar
segurança com o meio ambiente aqui no Brasil.
BRUNO RODRIGUES - Trabalhamos com vontade,
este é o segredo. Ninguém de minha equipe foi procurar
a adrenalina de uma redação online, o que seria um
engano enorme, já que o www.petrobras.com.br
é um site empresarial. Valorizamos muito o raciocínio,
antes de tudo. Pensamos muito antes de criar novas áreas,
e estamos o tempo todo em contato com o cliente e trocando idéias
entre o grupo, também. Claro que há problemas, assim
como em toda a empresa, mas trabalho é isso: aproveita-se
as facilidades e aprende-se com as dificuldades.
PANOPTICON - Qual
a melhor oportunidade de mercado para o webwriter hoje?
BRUNO RODRIGUES - Vamos analisá-lo
como um todo? Está ruim para o jornalismo online, já
que conta-se nos dedos os noticiosos online. Ótimo para sites
empresariais, de e-commerce e intranets (redes internas de empresas).
Razoável para CDs-ROM e sites wireless (acesso à internet
através de aparelhos portáteis sem fio, como o celular).
PANOPTICON - Em
seu livro você afirma que boa parte dos webwriters tem uma
vivência bastante diversificada em Comunicação
- jornalismo diário, assessoria de imprensa, redator de publicidade
etc. Além de boa noção editorial para priorizar
a informação além de saber jogar com texto,
imagens etc. Qual a sua dica para o estudante de jornalismo que
pretende trabalhar online assim que se formar?
BRUNO RODRIGUES -
Criatividade, antes de mais nada, mas não como algo que se
tem ou não, mas algo a se desenvolver em workshops ou com
leitura especializada. E contato com os avanços tecnológicos
simples, aqueles que nos possibilitam distribuir ainda melhor a
informação nas páginas.
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