Pesquisa produz o primeiro mapeamento sobre o jornalismo online brasileiro
Estudo realizado pelo GJOL da FACOM conclui que a fase ainda é a da metáfora

por Suzana Barbosa

Os jornais online brasileiros ainda apresentam fortes características das publicações em papel. Ou seja, não exploram de forma satisfatória as possibilidades oferecidas pelo suporte digital para o desenvolvimento de produtos jornalísticos. Um exemplo ilustrativo desta situação é o uso da fotografia como recurso mais empregado pelas publicações, em detrimento da utilização de simulações, do áudio e do vídeo na narração do fato jornalístico.

Estas são algumas conclusões da pesquisa "Um mapeamento de características e tendências no jornalismo online brasileiro", realizada entre agosto de 2000 e agosto de 2001 pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online da Faculdade de Comunicação (UFBA). Os resultados da pesquisa foram apresentados no I Congresso da Rede de Escolas de Comunicação da Bahia (RedeCom), ocorrido nos dias 29 e 30 de abril, na FACOM.

O estudo analisou 44 jornais, que foram selecionados de acordo com o seguinte critério: possuir similar impresso, ser comercial, gratuito, diário e ser filiado ao Instituto Verificador de Circulação (IVC). Desta forma, como explica Marcos Palacios, professor titular da FACOM e coordenador da pesquisa, pôde-se classificar os jornais tendo por base a faixa de tiragem dos seus congêneres impressos. Além disso, permitiu delimitar o universo estudado, eliminando-se da amostra webjornais produzidos por empresas jornalísticas que não possuíam produtos impressos.

A sistemática da pesquisa teve como parâmetro o trabalho desenvolvido em 1998 pelo professor Tanjev Schultz na Indiana University (USA). No entanto, enquanto o estudo de Schultz se concentrou apenas na característica da interatividade para analisar os 100 jornais americanos, o GJOL ampliou para as cinco características: interatividade, personalização, multimidialidade, hipertextualidade e memória. As publicações foram analisadas a partir de um roteiro de observação contendo 52 questões, baseadas nas respectivas características. Cabe ressaltar que os pesquisadores encontraram disparidades entre o número de jornais existentes nas cinco regiões brasileiras que preenchessem os requisitos de análise. Na região Norte, apenas um jornal se enquadrou nas categorias, ao passo que no Sudeste e Sul foram encontrados 12 e 13 jornais, respectivamente. O Centro-Oeste apresentou três e o Nordeste, 15.

Para Luciana Mielniczuk, doutoranda na FACOM e integrante do Grupo de Jornalismo Online (GJOL), este primeiro mapeamento permite que se tenha uma visão ponorâmica da situação: a utilização dos recursos oferecidos pela Web nos produtos jornalísticos. "Mas este trabalho é apenas um começo. Tendo em mãos esta espécie de radiografia, é preciso investigar uma série de outras questões, como por exemplo, as razões pelas quais algumas das possibilidades do ambiente digital não estão sendo exploradas", observa Luciana.

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De acordo com a análise feita a partir das características estudadas, os recursos mais utilizados são:
- Interatividade: e-mail = 95%
- Hipertextualidade: links externos na 1ª                    página = 64%
- Memória: arquivo disponível = 68%
                   superior a 7 dias = 59%
                   busca por data = 64%

Os recursos menos utilizados são:
- Interatividade: chat = 2%
- Personalização:
                     assuntos por editorias                      selecionadas = 5%
                     configurar a 1ª tela do jornal                      como abertura do browser = 5%

- Multimidialidade:
                     utiliza áudio e vídeo = 7%

Para ler o artigo na íntegra, acesse o site do GJOL - www.facom.ufba.br/jol