Terreno demarcado
Arquivos de jornais disponíveis online são pouco acessíveis

 

Encontrar uma notícia antiga na Internet pode ser uma tarefa árdua e algumas vezes cara. O usuário se depara com limitações na maioria dos arquivos de jornais e revistas que estão online. O grande potencial de memória do jornalismo digital acaba sendo utilizado em benefício das próprias empresas de comunicação, como mais uma forma de obtenção de recursos, e mais uma vez a democratização da informação fica em segundo plano.

Na prática, precisar destes arquivos pode significar, por exemplo, pagar R$2 por uma matéria que estava ali, na banca perto de casa, há dez dias, no caso de O Globo (http://oglobo.globo.com). Sem fotografias (porque os arquivos ficariam pesados), sem gráficos, texto puro. Além de precisar fazer um pedido mínimo de R$6 ao matutino carioca, você ainda tem que encarar o consolo: "Por enquanto, o acesso ao material publicado na última semana é grátis." Na verdade, esse é um procedimento comum principalmente nas edições online dos grandes jornais, conforme aferiu a pesquisa realizada na Facom pelo Grupo de Jornalismo Online - Um mapeamento de características e tendências do jornalismo online brasileiro.

Mas, porque se aborrecer, se a Folha de S. Paulo consegue ser mais radical. Nada a mais do que a edição diária. De resto, é preciso ser assinante do jornal, ou do provedor de acesso à Internet Universo On Line (www.uol.com.br), que, aliás, mergulhou de cabeça da privatização do conteúdo da Web. Seus assinantes têm exclusividade em jornais e revistas dos mais diversos publicados pela editora Abril. Já foi pior, mas a visitação dos sites caiu. Na falta de público, procurou-se alternativas, como dar acesso às áreas mais gerais da publicação, restringindo as melhores matérias aos assinantes.

Na versão online do Jornal do Brasil (www.jb.com.br) a burocracia é maior, mas o leitor pode sair ganhando. É preciso fazer uma assinatura específica para ter acesso aos arquivos via rede se quiser saber algo mais do que as quinze edições que o site disponibiliza. Ao custo mensal de R$18, é possível ter acesso a todo conteúdo das edições destes 30 dias. Já publicações como O Globo e Correio Braziliense (www.correioweb.com.br) oferecem funcionários especializados para fazer a pesquisa.


Na Bahia, como em muitos assuntos, a coisa parece correr mais solta. O portal A Tarde On Line (www.atarde.com.br), do diário de maior circulação do estado, abriu seus arquivos à pesquisa online desde 1997. A gratuidade não diminui a qualidade do serviço. Estão à disposição as buscas por edição ou palavras-chave e as edições estão completamente digitalizadas. Ao contrário de O Estado de S. Paulo (www.estado.estadao.com.br), por exemplo, que apesar de oferecer livremente edições desde dezembro de 1995, traz muitos números incompletos em seus arquivos.

Mesmo com tanta tecnologia, uma pesquisa de cunho científico, por exemplo, pode acabar pedindo uma visita à redação, como nos velhos tempos. Os arquivos online não passam da década de 90, época em que os jornais brasileiros começaram a trabalhar seus textos em formato digital. O Estado de S. Paulo é o primeiro jornal brasileiro a iniciar um projeto para a digitalização dos arquivos anteriores a este período, mas ainda não há previsão para os primeiros resultados.

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