Seu dinheiro vale mais informação

Marcele Facchinetti

O mundo hoje tem sede de informação. Seja nas rádios, televisões, jornais, revistas e, é claro, na Internet, as pessoas buscam estar antenadas. Apesar de tantas facilidades para estar atualizado, a tendência mundial dos sites jornalísticos é cobrar pelo conteúdo veiculado, o que limitaria o acesso livre ao material. Importantes jornais online, como New York Times e Washington Post (ambos norte-americanos) e o inglês The Times, já fecharam o seu conteúdo e serviços a assinantes. No Brasil, isso ainda não se configura como tendência, embora a Folha de S. Paulo, entre outras publicações, já restrinjam o acesso a suas edições.

Na Folha, os internautas só acessam as matérias na web se forem assinantes do portal Universo Online - UOL (onde o site está hospedado) ou do próprio jornal. O que não acontece com o Folha Online, site do mesmo grupo com acesso aberto, que disponibiliza um conteúdo sem relações diretas com o material impresso e em forma de agência de notícias.

Já a versão na rede do jornal O Globo, mesmo os internautas que não são assinantes do veículo podem usufruir de notícias gratuitas, de forma completa, sem restrições. Com a assinatura, no valor à vista de R$ 680,40, por um ano, para o jornal na versão impressa, o assinante terá como diferencial a possibilidade da utilização de um canal personalizado de comunicação dentro do Online. Ele poderá obter serviços especiais como, descontos e ingressos a shows, teatros, cinemas e outros.

O mesmo acontece com o Jornal do Brasil. A versão Online do conceituado veículo também oferece informações sem custo para o leitor, sendo ele assinante ou não. Mas se a pessoa tiver a assinatura do jornal em papel poderá lucrar com muitas regalias. Através do Guia Clube JB, uma publicação bimestral gratuita e exclusiva para os assinantes, é apresentada um roteiro com promoções e descontos oferecidos em diversos estabelecimentos.

O Correio Braziliense é outro veículo que também utiliza um cartão personalizado para leitores do jornal tradicional. Ao fazer uma assinatura mensal, por R$ 32,00, o leitor poderá contar o mesmo conteúdo do correioweb.com.br com o de papel, além receber o cartão Club Vip, que dará direito a descontos em pré-estréias e sessões culturais, dentre outros lugares.

Para Fernanda Malta, leitora assídua de alguns jornais disponíveis na rede, o conteúdo não pago é sem dúvida o que lhe proporciona a maior possibilidade de navegar por vários sites que fornecem notícias. "Sou assinante de um jornal impresso que disponibiliza recursos para que eu tenha vantagens em alguns serviços, mas o que eu não acabo usufruindo. O que realmente gosto é de poder acessar várias publicações online sem ter que pagar pelo conteúdo. E caso os jornais tenham que cobrar pelo acesso, futuramente, eles perderão leitores, como será o meu caso. Eu não terei dinheiro para ser assinante de todos de minha preferência", comentou.

E um dos diversos jornais que utiliza do mesmo mecanismo na web, como os outros já citados, de não cobrar pelo material jornalístico é O Estado de São Paulo. Sem nenhum custo adicional, o internauta pode "navegar" pelas editorias, colunas, artigos e outros links do portal estadao.com.br sem ter que "desembolsar" nada além do que já se gasta ao se conectar à Internet.

Mas para Tatiana Lima, editora do portal A Tarde Online, que também oferece conteúdo gratuito tanto para assinantes ou não, esse perfil de oferecer um material jornalístico sem custo ao internauta deverá acabar em breve. "Ainda é comum acessarmos um jornal online e não sermos 'impedidos' de ler uma matéria, mas a tendência será de reservarmos um conteúdo específico ao assinante. Futuramente devemos valorizar mais e oferecer privilégios a quem paga para ler o jornal", avaliou.

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