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Acessar a versão online de uma revista brasileira é, quase sempre,
garantia de se deparar com as mesmas matérias encontradas nas publicações
impressas. Algumas vezes, nem todo o conteúdo da revista está disponível
na rede. Assim, o leitor precisa apelar para as bancas, caso queira
ler aquilo que está apenas anunciado no site. Em linhas gerais,
ou se lê uma transposição do papel para web (com tímidas modificações),
ou se lê menos que isso (algumas chamadas, uma ou outra reportagem
na íntegra). No início deste ano, foi lançada uma revista que foge
a esta regra. A Play (Conrad Editora),
que trata do mundo pop e do entretenimento, propõe uma fórmula de
website diferente das convencionais. Na Internet, a publicação está
representada pelo entretenimentoeletronico.org,
que não traz, no entanto, os mesmos conteúdos encontrados na Play.
Ao invés disso, disponibiliza matérias, entrevistas e colunas, que
seriam adequadas à linha editorial da revista, mas aparecem exclusivamente
no site.
O leitor que participa
As seções do site estão divididas em dois blocos. No primeiro deles,
onde estão "colunas", "matérias" e "entrevistas", há uma maior concentração
de textos mais longos, escritos basicamente pelo mesmo grupo de
"players" - equipe de escritores da revista Play. Um segundo bloco,
dividido em "junkmail", "download" e "links", trata de informações
mais curtas, dicas a respeito de links que interessam ao leitor
da Play. O interessante é que, nesse segundo caso, quem colabora
com a manutenção das notícias são os próprios internautas, que enviam
seus comentários. Desse modo, a participação do leitor não se restringe
a velhas fórmulas, como livros de visita, enquetes, cadastros para
serviços de newsletter ou o famigerado botãozinho de "opine" ou
"sugira", muitas vezes, escondido em algum canto do site. O internauta
provê conteúdo dentro do entretenimentoeletronico.org,
compartilhando a sua experiência com outros usuários. É claro que
esta possibilidade já estava aberta em sites pessoais e blogs. Contudo,
o ambiente que acolhe todos esses conteúdos - o de uma revista impressa
e de circulação nacional - acaba emprestando audiência e credibilidade
às informações encontradas dentro dos domínios de seu site, além
de fornecer uma pista sobre qual a identidade do seu público alvo.
A respeito da participação do internauta, Alexandre Matias, editor
da Play, afirmou: "Não queremos guiar o nosso leitor, porque ele
também vai nos guiar. Eu queria que a revista tivesse um vínculo
com o leitor maior do que a simples relação redator/leitor - ativo/passivo
que os principais veículos têm".
Tempo e espaço sem limites
Outra peculiaridade da Internet muito bem explorada no site da
revista Play é a maneira de lidar com o tempo de atualização e com
os limites de espaço. O site pode ser atualizado a qualquer instante
e é capaz de armazenar toda informação que, por motivos de espaço,
não foi parar na revista. Somente em janeiro, foram inseridas mais
de 100 colaborações breves dos internautas e mais de 30 textos,
entre colunas, matérias e entrevistas - número significativo se
imaginarmos o espaço destinado aos leitores dentro de uma revista
ou site. As atualizações foram feitas quase que diariamente. Esse
processo dá origem a um produto paralelo à revista, mas com uma
personalidade semelhante. Assim, além de comprar a versão impressa,
o leitor é estimulado a visitar o website, já que não se repetem
os conteúdos entre uma mídia e outra e abre-se a possibilidade de
sua participação. O exemplo da revista Play e do Entretenimento
Eletrônico mostra que compreender o ritmo da web e explorar suas
potencialidades de interatividade, quebra de limites de tempo e
espaço de memória pode ser uma ótima alternativa à simples transposição
de conteúdos.
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