Notícia com autonomia

A cada dia na Web surgem sites responsáveis por disponibilizar informação apurada sobre assuntos específicos. Trata-se de sites independentes, que não têm vínculos com veículos estabelecidos de comunicação e são feitos a partir da iniciativa de pessoas interessadas ou envolvidas em determinado assunto.

Os chamados sites independentes surgem da necessidade de se tratar de temas  de maneira autônoma, sem passar pela seleção de editores, ou ainda de assuntos que são ignorados – ou superficialmente tratados – pelos outros meios de comunicação. Em Salvador, por exemplo, foi a escassez de espaço para o rock underground que levou ao surgimento do BahiaRock (www.bahiarock.com.br). O site é um dentre os inúmeros exemplos de sites independentes.

Em alguns casos, o papel de divulgador desses assuntos recai exclusivamente sobre os sites independentes. Esses, geralmente, são sites bem segmentados, voltados para um público que, se é bastante fiel, ainda não é grande o suficiente para interessar aos grandes veículos de comunicação, seja através de web logs, páginas em provedores gratuitos ou até mesmo sites com domínio próprio. Este tipo de publicação é válido na medida em que amplia o horizonte de informações na internet, oferecendo ao internauta a possibilidade de ler assuntos que lhe interessam abordados de maneira diferenciada e às vezes com maior aprofundamento. Por outro lado - e esse é um grande problema - corre-se o risco de se absorver conteúdo de procedência duvidosa, mal apurado ou simplesmente copiado de outros meios, uma vez que uma boa quantidade dos produtores de conteúdo desses veículos independentes não é jornalista.

Mas, afinal, é jornalismo mesmo?

Nem todos os sites noticiosos independentes que existem na rede são provenientes de uma necessidade de falar sobre um assunto do qual não se fala em nenhum outro lugar. Alguns sites se sustentam na divulgação de informações “em primeira mão”, ou seja, em divulgar novidades obtidas através do contato direto com fontes. Se o que esses sites fazem pode ser definido como jornalismo, seria jornalismo do tipo investigativo, baseado em investigações realizadas muitas vezes pelo próprio responsável pelo site.
Há também os sites que se dizem provedores de conteúdo em primeira mão, mas que, no final das contas, de investigativos não têm nada. A “investigação” que realizam, muitas vezes, é resultado de uma espécie de compilação do que sai nos demais veículos de comunicação, uma vez que os produtores de conteúdo de sites independentes, na maioria das vezes, não dispõem de recursos para produzir suas próprias matérias, com suas próprias fontes. É é aí que mora o risco da pirataria e de onde se delineia o problema ético que envolve a prática do jornalismo que se faz sem a necessidade na internet, onde muitas vezes outros profissionais exercem a função que cabe ao jornalista.

Um dos possíveis problemas do “jornalismo” praticado nos sites independentes é, portanto, a falta de capacitação profissional dos realizadores, já que os responsáveis pela elaboração dos textos e das pautas em geral não são necessariamente jornalistas. São muitas vezes indivíduos leigos, que não estão cientes de uma série de códigos que devem reger o exercício da atividade jornalística. Por isso, podem não ter a preocupação devida com a apuração das informações e com a objetividade.
Por outro lado, no caso dos sites que tratam dos temas que não têm espaço nos grandes veículos, a falta de capacitação dos responsáveis pode ser compensada perante o público pela proximidade que eles têm em relação ao assunto de que trata. No caso do BahiaRock, por exemplo, os cinco que cuidam do site são pessoas que têm contatos estreitos com a cena rock soteropolitana. Isso pode lhes dar um conhecimento do objeto ou uma cumplicidade da parte do público que talvez um jornalista não obtivesse – pelo menos não da mesma forma.

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