Versão online pode gerar assinantes para edição impressa

por Mariana Rios
e Daniel Freitas

Versões online de jornais americanos estão mostrando que podem funcionar como importantes catalisadores na conquista de assinantes para a edição impressa. O site do jornal The New York Times chegou a vender 85 mil assinaturas para o impresso. O Boston.com angariou para a sua versão impressa, o The Boston Globe, um total de 15 mil assinantes. O poder de fogo da internet também se manifesta como uma extensão do meio tradicional. O mesmo The New York Times, tem uma circulação média mensal de pouco mais de um milhão de exemplares vendidos em bancas, enquanto três milhões e meio de pessoas acessam por mês suas páginas na Web.

Ao trazer essa realidade para o Brasil - a Bahia, em particular - o quadro sofre algumas modificações. O A Tarde, jornal de maior circulação no estado, mantém uma versão online desde 1996 e ainda não atraiu assinantes para o impresso. "Mantemos um patamar de 30 mil assinantes em toda a Bahia e esse número não se alterou em decorrência do A Tarde Online, pois a internet é um fenômeno recente, ainda não consolidado no Brasil, e de público segmentado", avalia Amílton Barros, analista de marketing do jornal.

O jornalista Rosental Calmon Alves, professor knight chair na Universidade do Texas/EUA, aponta no texto Reinventando o Jornal na Internet, que a versão digital de um jornal continuará sendo um meio de comunicação a mais, com uma função perfeitamente complementar às dos meios tradicionais. Pesquisas internacionais - com estatísticas confirmadas no Brasil - indicam que os impactos negativos da internet são mais fortes em relação à televisão. Internautas que passam muito tempo na frente da tela de um computador não querem ficar de novo na frente de outra tela, a da TV. Mesmo assim, a internet está longe de 'canibalizar' outros meios. "Não conheço um só caso documentado que mostre que notícias divulgadas na internet levam a uma queda de circulação do impresso", destaca Rosental Alves, um dos responsáveis pela edição do primeiro jornal online brasileiro - o Jornal do Brasil.

Tatiana Lima, coordenadora da Central de Dados e Informações (CDI) do jornal A Tarde, diz que a variação da venda de exemplares em bancas não tem razões específicas. "Os jornais vendem mais em um dia, menos em outro por diversos motivos. A relação entre versões online e impressa ainda não se concretizou pelo menos aqui no A Tarde. O dia de maior número de vendas é o domingo, e isso não tem nada a ver com internet. O caso é que as pessoas têm mais tempo de ler no domingo", afirma ela.

O analista de marketing Amílton Barros vai além e salienta que a maneira de ler uma notícia na internet é diferente, pois o internauta dá uma 'zapeada', lê os assuntos na base da pesquisa e consulta. "Além de ser mais barato e acessível, o jornal impresso conta com a seção dos classificados, de grande apelo popular. Ainda que a versão também disponibilize os classificados, não é a mesma coisa, pois no papel o leitor pode circular, recortar e carregar consigo para onde quiser", conclui.

Copyright © 2002 - Oficina de Jornalismo Digital - Faculdade de Comunicação / UFBA
 
O professor e jornalista Rosental Alves foi um dos responsáveis pela edição do primeiro jornal online brasileiro.

Capa da edição de 18.04.2002 do A Tarde, jornal de maior circulação de Salvador.