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Versões online de jornais americanos estão
mostrando que podem funcionar como importantes catalisadores na
conquista de assinantes para a edição impressa. O
site do jornal The
New York Times chegou a vender 85 mil assinaturas para o
impresso. O Boston.com
angariou para a sua versão impressa, o The Boston Globe,
um total de 15 mil assinantes. O poder de fogo da internet também
se manifesta como uma extensão do meio tradicional. O mesmo
The New York Times, tem uma circulação média
mensal de pouco mais de um milhão de exemplares vendidos
em bancas, enquanto três milhões e meio de pessoas
acessam por mês suas páginas na Web.
Ao trazer essa realidade para o Brasil - a Bahia, em particular
- o quadro sofre algumas modificações. O A Tarde,
jornal de maior circulação no estado, mantém
uma versão
online desde 1996 e ainda não atraiu assinantes para
o impresso. "Mantemos um patamar de 30 mil assinantes em toda
a Bahia e esse número não se alterou em decorrência
do A Tarde Online, pois a internet é um fenômeno
recente, ainda não consolidado no Brasil, e de público
segmentado", avalia Amílton Barros, analista de marketing
do jornal.
O jornalista Rosental Calmon Alves, professor knight chair
na Universidade do Texas/EUA, aponta no texto Reinventando
o Jornal na Internet, que a versão digital de um jornal
continuará sendo um meio de comunicação a mais,
com uma função perfeitamente complementar às
dos meios tradicionais. Pesquisas internacionais - com estatísticas
confirmadas no Brasil - indicam que os impactos negativos da internet
são mais fortes em relação à televisão.
Internautas que passam muito tempo na frente da tela de um computador
não querem ficar de novo na frente de outra tela, a da TV.
Mesmo assim, a internet está longe de 'canibalizar' outros
meios. "Não conheço um só caso documentado
que mostre que notícias divulgadas na internet levam a uma
queda de circulação do impresso", destaca Rosental
Alves, um dos responsáveis pela edição do primeiro
jornal online brasileiro - o Jornal do Brasil.
Tatiana Lima, coordenadora da Central de Dados e Informações
(CDI) do jornal A Tarde, diz que a variação
da venda de exemplares em bancas não tem razões específicas.
"Os jornais vendem mais em um dia, menos em outro por diversos
motivos. A relação entre versões online e impressa
ainda não se concretizou pelo menos aqui no A Tarde.
O dia de maior número de vendas é o domingo, e isso
não tem nada a ver com internet. O caso é que as pessoas
têm mais tempo de ler no domingo", afirma ela.
O analista de marketing Amílton Barros vai além e
salienta que a maneira de ler uma notícia na internet é
diferente, pois o internauta dá uma 'zapeada', lê os
assuntos na base da pesquisa e consulta. "Além de ser
mais barato e acessível, o jornal impresso conta com a seção
dos classificados, de grande apelo popular. Ainda que a versão
também disponibilize os classificados, não é
a mesma coisa, pois no papel o leitor pode circular, recortar e
carregar consigo para onde quiser", conclui.
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