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Panopticon - Qual o núcleo
temático do IBAHIA?
Paula Góes - O iBAHIA não tem uma especificidade,
ele tem canais para vários públicos. Existe o canal iRADO que é
para adolescentes, existe um canal de astrologia, tem o Plantão
de Notícias, entre outros canais. O iBAHIA é um portal e dentro
dele tem vários links, onde os internautas buscam o que lhes interessa.
Panopticon - Qual é o
público alvo do site?
Paula Góes - Nosso público alvo é a
população baiana em geral. Eu considero que o público alvo do Plantão
de Notícias é qualquer pessoa que se interesse pelo o que está acontecendo
ao seu redor e tenha acesso ao meio Internet. Aqui em Salvador,
por exemplo, os jovens estão conectados neste momento para trocar
abadás pelo site; quem vai sair de carro pode está querendo saber
como está o trânsito e este usuário pode achar no Plantão a informação
que deseja. Procuramos noticiar fatos que interessam a população
baiana, sejam eles internacionais, nacionais (como uma notícia sobre
imposto de renda) ou ainda local. Isto no Plantão de Notícias. Quem
quiser saber sobre algo mais específico pode ir para os canais de
saúde, culinária, astrologia, etc. procuramos dar um cara mais regional
ao site.
Panopticon - Que posição
ocupa o jornalismo dentro do portal?
Paula Góes - O Plantão de Notícias é
um dos destaques mais importantes. Quando o internauta abre a página
do iBAHIA, ele ver logo o provedor de notícias com fatos que estão
ocorrendo no mundo, no Brasil, na Bahia e, mais especificamente,
em Salvador. Aí está a função do jornalismo dentro do site. Mas
também há jornalismo nos canais oferecidos. Nós, da equipe da redação,
procuramos dar um enfoque jornalístico às matérias disponibilizadas
no site através de entrevistas com pessoas renomadas em determinados
assuntos. Por exemplo, se falamos de dieta no canal de saúde, procuramos
falar com algum nutricionista influente e conhecido.
Panopticon - Existe no
iBAHIA uma equipe específica para o jornalismo online?
Paula Góes - O iBAHIA tem três repórteres
formados em jornalismo e mais um estagiário de jornalismo. É uma
equipe pequena, mas é uma equipe.
Panopticon - Como são
divididas as funções dentro desta redação?
Paula Góes - No caso do Plantão de Notícias,
que exige imediatismo, os repórteres veiculam as notícias no momento
em que são produzidas. Neste caso, o repórter também é o editor
de seu texto. No caso das matérias mais "elaboradas", que são veiculadas
nos canais, nós temos uma editora.
Panopticon - Então, no
Plantão de notícias a prioridade é para notícias curtas?
Paula Góes - É, notícia factual, curta,
que obedece à própria característica da Internet, onde as pessoas
não perdem muito tempo lendo grandes reportagens. Nós procuramos
colocar o fato principal do acontecimento, às vezes acompanhando
o desenrolar do fato e veiculando cada etapa como uma nova notícia.
As matérias maiores são colocadas no destaque de topo com foto,
mas para o plantão mesmo não há muito tempo para delongas.
Panopticon - Você acha
possível realizar um jornalismo investigativo no Plantão de Notícias?
Paula Góes - Sim. É possível realizar
jornalismo investigativo em qualquer meio. No caso do Plantão, isso
é feito quando um fato dá margem a várias notícias. À medida que
vamos apurando o fato e colocamos no ar informações novas sobre
determinado assunto, estamos realizando investigação. Apenas não
precisamos de um nova edição para veicularmos a matéria de uma vez
só. A Internet possibilita que o público tenha a cada minuto uma
informação nova sobre um mesmo assunto. Não deixa de ser investigação,
o que muda é o formato.
Panopticon - Com que freqüência
surge uma nova notícia no Plantão do iBAHIA?
Paula Góes - Normalmente a cada
10, 15 minutos colocamos uma nova notícia no portal. Mas isso depende
do que está acontecendo e do momento em que tomamos conhecimento
destes fatos. Se ocorrer um desabamento agora e na mesma hora ficarmos
sabendo, imediatamente o fato entrará no ar. Isto vai muito do momento
em que a notícia aparece para nós jornalistas do site. Algumas notícias
"frias" são programadas para entrar no ar em um momento certo. Por
exemplo, as programações de hoje do Festival de Verão nós podemos
colocar a partir das 14h. Tem coisa que dá para programar, mas tem
coisa que deve entrar no ar na hora que acontece.
Panopticon - Qual o critério
de noticiabilidade?
Paula Góes - Para o Plantão de notícias
é o que estiver acontecendo, é tudo. Nós avaliamos de acordo com
o nosso público, se acharmos que é interessante para o nosso público,
nós colocamos no ar.
Panopticon - Como é feita
a apuração dos fatos?
Paula Góes - Por telefone. Se acontecer
algo agora, nosso primeiro ato é telefonar para saber os detalhes.
Isso porque não temos ainda estrutura de uma grande redação para
nos mobilizarmos. A intenção é um dia podermos sair daqui (espaço
da redação do iBAHIA) com Laptop, câmera fotográfica digital e a
coisa acontecer e nós registrarmos na mesma hora. É isso que caracteriza
o jornalismo digital, o que não acontece ainda na Bahia.
Panopticon - Não há saída
dos repórteres à rua para cumprir uma pauta?
Paula Góes - Não. Só saímos quando temos
uma entrevista marcada, mas isso é feito antecipadamente e apenas
com notícias "frias". No Plantão de Notícias isso geralmente não
acontece. Com o factual somente em casos especiais como o Festival
de Verão, em que deslocamos uma parte da equipe para a cidade do
festival. Ainda não temos condições técnicas de fazer isso, apenas
em coisas bem especiais. Na maioria das vezes fazemos contatos por
telefone ou contactamos algum repórter do Correio da Bahia
que esteja cobrindo o acontecimento. Eu acho, porém, que o ideal
de jornalismo online é poder veicular a notícia na hora em que o
fato ocorre. Antes de eu trabalhar no iBAHIA, trabalhei num outro
portal em Alagoas e nós tínhamos um pouco mais do que isso, embora
o tamanho da redação fosse menor. Nós fizemos coberturas locais
bem interessantes; houve uma sobre uma rebelião em um presídio e
outra sobre um incêndio numa loja da rede Bompreço, em que transmitíamos
os fatos do local da ocorrência.
Panopticon - Quais os
suportes utilizados na produção da matéria?
Paula Góes - No Plantão de Notícias
as pautas chegam até nós através de e-mail das assessorias, por
fax e por telefone. Também quando o pessoal do Correio da Bahia
fica sabendo de alguma coisa, ele nos passa a informação e nós corremos
atrás. Como o iBAHIA ainda é um site pouco conhecido é muito difícil
que as pessoas nos procurem, como acontece nas redações dos jornais
impressos e televisivos. Aqui sempre ligam para o Correio.
As pautas, nós ficamos sabendo através da redação
do jornal, na maioria das vezes.
Panopticon - Existe transposição
do que já existe em outros veículos para o portal iBAHIA?
Paula Góes - Às vezes, sim. Nós aproveitamos
notícias que estão no Correio de hoje. Mas na maior parte
das vezes nós antecipamos a notícia, porque o Correio fica
sabendo hoje mas só pode publicar no dia seguinte.
Panopticon - E quanto
às notícias de outras fontes, agências, como é feita a cobertura?
Paula Góes - Nós temos uma parceria
com a Globo News, que nos fornece notícias do Brasil e do
exterior. Não temos como apurar este tipo de notícia.
Panopticon - O iBAHIA
tem outros parceiros?
Paula Góes - A Globo.Com é o
parceiro oficial. Mas não ficamos limitados apenas a esta agência.
Também recolhemos notícias de agências do Nordeste e da Agência
do Brasil, que é do Governo Federal.
Panopticon - No caso de
uma notícia possuir mais de uma versão, qual o critério usado na
escolha?
Paula Góes - Neste caso não publicamos
ou publicamos a versão que possui mais consistência de informações
e colocamos sempre a fonte. Tem coisas que podemos deixar de dar,
pois é de interesse geral. A morte de Cássia Eller, por exemplo.
Vai muito da avaliação que cada jornalista faz. Eu não sei definir
quais são os critérios utilizados. Eu, particularmente, me coloco
como uma leitora; então penso no que eu gostaria de saber, primeiro
como pessoa, segundo como usuária da Internet.
Panopticon - Como você
define esta diferenciação entre usuário da Internet e o público
em geral?
Paula Góes - Eu acho que o público da
Internet está mais interessado na última notícia e não no que aconteceu
ontem. Se pensarmos a informação enquanto notícia, o público internauta
e o público geral querem saber das mesmas coisas, mas em termos
de temporalidade o internauta que procura por notícias quer saber
o que está acontecendo naquele exato momento.
Panopticon - Com essa
vantagem nas questões do tempo e do espaço, o que você acha que
vai acontecer com os outros veículos de comunicação?
Paula Góes - Eu não acredito que a Internet
vá acabar com o jornal impresso, assim como a TV não acabou
com o rádio. Os veículos tendem a conviver harmonicamente, prestando
serviços em momentos diferentes.
Panopticon - Como o iBAHIA
aproveita as potencialidades oferecidas pela mídia computador/internet
no canal de notícias?
Paula Góes - Por enquanto os recursos
áudio e vídeo não são aproveitados.
Panopticon - E a urgência
do tempo, no que contribui ou prejudica?
Paula Góes - Não existe o medo ou pressa
em tomar ou dar um furo. Se compararmos com o jornal impresso ou
televisivo, então, essa urgência é praticamente liqüidada,
uma vez que necessitam de uma nova edição para disponibilizar a
notícia.
Panopticon - E quanto
a outros portais e sites jornalísticos?
Paula Góes - Aqui em Salvador não existe
essa preocupação. Só existe o A Tarde Online que dá notícias
pela Internet, mas não nos intimida em termos de concorrência.
Panopticon - Há algum
tipo de interferência do leitor na construção da matéria?
Paula Góes - Na construção especificamente
não há interferência. As pessoas costumam enviar e-mail pedindo
mais notícias sobre esportes, por exemplo, e nós procuramos atender.
Panopticon - Como é aproveitada
a questão da interatividade no Plantão de notícias?
Paula Góes - Principalmente através
de e-mail. Os usuários também usam o telefone, mas para reclamar.
Ainda não estamos utilizando o potencial que o meio oferece, como
links do tipo "dê sua opinião" ou "comente esta matéria". Nos canais
realizamos enquetes.
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