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PANOPTICON
- Você poderia explicar como foi realizada a pesquisa?
Luciana Mielniczuk - O
trabalho foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online
(FACOM/UFBA). Mais precisamente por uma equipe de cinco pessoas:
o Prof. Dr. Marcos Palácios, coordenador da pesquisa; duas
bolsistas de Iniciação Científica, alunas da
graduação, a Beatriz Ribas e a Sandra Narita; uma
aluna do mestrado, a Suzana Barbosa; e uma aluna de doutorado, que
sou eu. Foi um trabalho que durou um ano, de agosto de 2000 até
agosto de 2001. Foram estudados 44 jornais brasileiros, comerciais,
diários e gratuitos existentes na Web. O objetivo principal
da pesquisa era saber se estes jornais utilizam, em seus produtos,
as potencialidades oferecidas pela Web.
PANOPTICON - Quais foram
os critérios para se selecionar os 44 jornais?
Luciana Mielniczuk - Os jornais online foram escolhidos de
acordo com o seguinte critério: 1) deveriam ser edições
diárias com uma versão impressa correlata; 2) esta
versão impressa deveria ser auditada pelo IVC (Instituto
Verificador de Circulação, www.ivc.com.br). Este segundo
ponto foi importante por que permitiu eliminar da amostra publicações
amadoras e não profissionais. Além disso, também
permitiu que fosse feita uma classificação dos jornais
estudados de acordo com a faixa de tiragem de seus congêneres
impressos. Num primeiro momento, foi elaborado um formulário
que funcionou como um roteiro de observação. Era necessário
que os jornais fossem analisados respeitando uma mesma sistemática.
Isso só foi possível em função deste
roteiro de observação, que constou de 52 questões
enfocando as cinco características do jornalismo na Web:
interatividade, memória, personalização, multimidialidade
e hipertextualidade.
PANOPTICON - Quais foram
os principais resultados obtidos?
Luciana Mielniczuk - Os dados indicam que a característica
da interatividade, através da utilização do
e-mail nas publicações, é destacadamente a
possibilidade mais explorada, estando presente em 95% das publicações.
Este recurso consiste na disponibilização no site
do jornal de um e-mail para que o leitor possa entrar em contato,
interagir, com a equipe que trabalha no jornal. Outra característica
bastante utilizada é a da memória, com 68% das publicações
oferecendo algum tipo de serviço (pago ou não) de
acesso às matérias publicadas em datas anteriores.
A terceira característica mais utilizada é a hipertextualidade,
que aparece em 64% dos jornais. Aqui, porém, é preciso
fazer uma observação: o índice aponta apenas
para a possibilidade, constatada na primeira tela do jornal, de
oferecer links externos, que apontem para fora do site da publicação.
É importante dizer que o hipertexto tem sido utilizado apenas
como uma maneira de organizar a publicação. A utilização
do hipertexto no corpo da matéria, como um recurso para narrar
o fato jornalístico, ainda é muito inexpressiva.
PANOPTICON - E quais são
as recursos menos utilizadas pelo jornalismo brasileiro feito na
web?
Luciana Mielniczuk - Um recurso pouquíssimo utilizado
é o chat, que pertence ao grupo da característica
interatividade. Somente 2% dos jornais oferecem chats próprios,
ou seja, chats organizados e mantidos pelo jornal. A possibilidade
de permitir que seus leitores recebam serviços personalizados,
seja através de e-mail ou celular (a partir da tecnologia
WAP) ou então que configurem, de acordo com seus assuntos
preferidos, a tela de abertura do jornal não é empregada.
Do universo pesquisado, 5% exploram a característica da personalização.
E por último, a multimidialidade, ou seja, a possibilidade
de utilizar sons e imagens em movimento também fica com índice
muito baixo, aparecendo em apenas 7% dos jornais.
PANOPTICON - Como você
vê o jornalismo online brasileiro hoje?
Luciana Mielniczuk - Consideramos que nestes sete anos de
história do jornalismo na Web, são identificados três
momentos (esta classificação não vale só
para o Brasil, ela é geral). No primeiro momento, caracterizado
pelo modelo transpositivo, os produtos oferecidos, em sua maioria,
eram meras reproduções de algumas partes dos grandes
jornais impressos, que passavam a ocupar o espaço na internet.
A segunda fase, chamada de metafórica, é quando, mesmo
ainda atrelado ao modelo do jornal impresso, os produtos na Web
começam a fazer experiências na tentativa de explorar
as características oferecidas pela rede. Um terceiro e último
momento, seria quando o jornalismo feito para a Web explora de forma
exaustiva os recursos oferecidos pelo ambiente, incorporando ao
produto as caracteríticas que podem ser exploradas. Neste
momento estaria sendo feito o webjornalismo. Com este estudo, concluímos
que o jornalismo brasileiro desenvolvido para a Web encontra-se,
ainda, na fase da metáfora. Estamos engatinhando nesta prática
e ainda há um longo caminho a percorrer.
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