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Panopticon - Quais as diferenças entre o trabalho
de um jornalista na Internet e no jornalismo impresso?
Marcos Venâncio - Na Internet o jornalista
é pauteiro, editor, repórter e até fotógrafo. Rompe-se de certa
maneira a divisão do trabalho que acontece nas redações dos jornais.
Além disso, a web exige do jornalista um preparo muito maior, com
mais conhecimento de assuntos diversos e especificamente da web.
Apesar de todas essas características, o trabalho no jornalismo
online não é tão diferente, não. Exige, como nos jornais, nas TVs
e nas rádios, apuração competente, precisão e texto final.
Panopticon - A Internet ainda é um campo em
expansão para os jornalistas?
Marcos Venâncio - É o único campo em
expansão para a categoria. As redações tradicionais tendem a reduzir
cada vez mais pessoal, com a adoção de novas tecnologias. Sobra
a web.
Panopticon - Na sua opinião, que jornais brasileiros
têm a melhor versão online?
Marcos Venâncio - Perguntinha difícil
de responder. Os "grandes" (Folha-Abril, Globo e Estado) têm os
mesmos problemas. Talvez a Folha tenha avançado um pouco. Os "pequenos"
(e aí eu incluo A Tarde On Line, Correio Braziliense e outros) comem
pela beirada, abocanhando acessos regionais e firmando liderança
em seus estados. Nenhum atingiu ainda a maturidade de um nível de
jornalismo online que o internauta busca. E não é só no Brasil,
não. Vejam os "gigantes" americanos e europeus na web, que fazem
sites que apenas reproduzem um formato já presente nas edições impressas.
Panopticon: O aumento do número dos sites
verticais - especializados em uma área de interesse - é uma tendência
do jornalismo online?
Marcos Venâncio - Não arrisco palpites
na web. Aliás, de uns anos pra cá quem arriscou se deu mal. Creio
que o jornalismo online pode ser generalista e específico. Há público
para vários formatos.
Panopticon - Qual a posição atual do jornalismo
online no grupo A Tarde?
Marcos Venâncio - Do ponto de vista
da diretoria do jornal, está na ponta e pronto para crescer, o que
aliás vem ocorrendo desde o final de 1999. Estabelecemos uma central
de informações, da qual sou o coordenador, para gerenciar os conteúdos
e alimentar o portal. São quatro jornalistas, sete estagiários de
jornalismo, dois de programação visual e quatro operadores, além
do quadro de repórteres do jornal, que também produz para o site.
Panopticon - Qual a especificidade do jornalismo
de A Tarde On Line em comparação ao jornal A Tarde?
Marcos Venâncio - A Tarde On Line, através
da Central de Informações, produz conteúdo específico para a web.
Temos um Plantão de Notícias em tempo real de 7 da manhã às 2 da
madrugada (podendo se estender mais a depender dos fatos), que inclui
flashes do noticiário ao longo do dia. Produzimos também um newsletter
(notícias por e-mail), um serviço de wap (wap.atarde.com.br), além
dos canais www.zignow.com.br e www.cineinsite.com.br. Vamos lançar
até março o novo canal de Esportes, com conteúdos exclusivos para
a Internet. Em paralelo fazemos um trabalho junto à redação procurando
adequar o trabalho dos repórteres ao meio eletrônico, além de incentivá-los
a usar em suas reportagens dados oriundos da web e dos diversos
canais do portal.
Panopticon - Quais as perspectivas futuras
do jornalismo online na Bahia?
Marcos Venâncio - A meu ver, as perspectivas
são boas, embora o mercado venha se fechando nos últimos anos na
área dos jornais. Na web, sites importantes fecharam recentemente
no estado, mas há investimentos em Internet dos grupos A Tarde e
Rede Bahia, o que parece indicar a expansão deste campo de trabalho.
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