Depois do adeus
Entrevista com Xico Vargas, 24 de abril de 2002, por telefone

Não teve jeito. Por falta de um parceiro empresarial que cobrisse o buraco deixado pelo grupo La Fonte, do empresário Carlos Jereissati, o site Notícia e Opinião (No.) (www.no.com.br) foi desativado no último dia 16. Os arquivos, contudo, ficam no ar com apoio do Viva Favela (www.vivafavela.com.br) e do ComDomínio (www.comdomínio.com.br).

Cerca de uma semana depois da veiculação do comunicado oficial de despedida, que ainda está no antigo endereço, um dos editores do No. , o articulista Xico Vargas, deu a seguinte entrevista para o Panopticon por telefone. Nela, ele confirma o motivo do fechamento e faz um breve balanço da experiência, que durou dois anos.

Panopticon - O que foi que aconteceu de um mês para cá?
Xico Vargas -
O que aconteceu - o que vinha acontecendo - foi uma desistência de um dos grupos econômicos (o grupo La Fonte, do empresário Carlos Jereissati), que não honrou seus compromissos e desistiu de realizar o aporte de dinheiro necessário para manter o site. Nós estávamos buscando alternativas, algum outro grupo, mas não conseguimos, então fomos obrigados a fechar. O arquivo do site está no ar, mas ele permanecerá desativado, a não ser que consigamos outro patrocinador.

Panopticon - Vocês acham que podem conseguir outro patrocinador?
Xico Vargas -
A cada dia que passa, a chance se torna menor.

Panopticon - Os jornalistas continuam vinculados ao site?
Xico Vargas -
Não, só os editores e a direção continuam ligados ao site. Os jornalistas e repórteres não têm mais nenhum vínculo. Já foram devidamente indenizados e alguns até arranjaram emprego em outros lugares.

Panopticon - Como o sr. avalia a experiência do NO., durante os dois anos em que ele esteve funcionando?
Xico Vargas -
Foi uma experiência muito proveitosa. Provou que é possível fazer um site jornalístico desse porte no Brasil. É uma coisa muito diferente dessas publicações em tempo real, pois essas são normalmente ligadas a veículos grandes de comunicação. Além de que o NO. era jornalismo com aprofundamento, com qualidade e análise, era um jornalismo de reportagens. O NO. foi também uma demonstração muito clara de como o país é grande. Jornalistas do país inteiro escreviam no NO. e nós tínhamos muitas reportagens sobre coisas que não se viam em mais lugar nenhum. Agora, se os investidores não acharam que poderiam investir no site, é uma pena. Aí foi falha nossa também, em parte, pois não conseguimos estruturar um departamento comercial eficiente, que conseguisse gerar receita própria suficiente. No início, custava mais, mas, nos últimos meses, o site custava cerca de 470 mil reais mensais. Desses aí, nós chegamos a cobrir 290 mil, com receita própria. Com venda de conteúdo para outras publicações e venda de espaço publicitário. Mas nós sempre dependemos de patrocinadores para custear o resto das despesas.

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Página que comunicava o final das operações do No., capturada em 16 de abril de 2002.