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Não teve jeito. Por falta de um parceiro empresarial
que cobrisse o buraco deixado pelo grupo La Fonte, do empresário
Carlos Jereissati, o site Notícia e Opinião
(No.) (www.no.com.br)
foi desativado no último dia 16. Os arquivos, contudo, ficam
no ar com apoio do Viva Favela (www.vivafavela.com.br)
e do ComDomínio (www.comdomínio.com.br).
Cerca de uma semana depois da veiculação do comunicado
oficial de despedida, que ainda está no antigo endereço,
um dos editores do No. , o articulista Xico Vargas, deu a seguinte
entrevista para o Panopticon por telefone. Nela, ele confirma o
motivo do fechamento e faz um breve balanço da experiência,
que durou dois anos.
Panopticon - O que foi que aconteceu
de um mês para cá?
Xico Vargas - O que aconteceu - o que vinha acontecendo -
foi uma desistência de um dos grupos econômicos (o grupo
La Fonte, do empresário Carlos Jereissati), que não
honrou seus compromissos e desistiu de realizar o aporte de dinheiro
necessário para manter o site. Nós estávamos
buscando alternativas, algum outro grupo, mas não conseguimos,
então fomos obrigados a fechar. O arquivo do site está
no ar, mas ele permanecerá desativado, a não ser que
consigamos outro patrocinador.
Panopticon - Vocês acham
que podem conseguir outro patrocinador?
Xico Vargas - A cada dia que passa, a chance se torna menor.
Panopticon - Os jornalistas
continuam vinculados ao site?
Xico Vargas - Não, só os editores e a direção
continuam ligados ao site. Os jornalistas e repórteres não
têm mais nenhum vínculo. Já foram devidamente
indenizados e alguns até arranjaram emprego em outros lugares.
Panopticon - Como o sr. avalia
a experiência do NO., durante os dois anos em que ele esteve
funcionando?
Xico Vargas - Foi uma experiência muito proveitosa.
Provou que é possível fazer um site jornalístico
desse porte no Brasil. É uma coisa muito diferente dessas
publicações em tempo real, pois essas são normalmente
ligadas a veículos grandes de comunicação.
Além de que o NO. era jornalismo com aprofundamento, com
qualidade e análise, era um jornalismo de reportagens. O
NO. foi também uma demonstração muito clara
de como o país é grande. Jornalistas do país
inteiro escreviam no NO. e nós tínhamos muitas reportagens
sobre coisas que não se viam em mais lugar nenhum. Agora,
se os investidores não acharam que poderiam investir no site,
é uma pena. Aí foi falha nossa também, em parte,
pois não conseguimos estruturar um departamento comercial
eficiente, que conseguisse gerar receita própria suficiente.
No início, custava mais, mas, nos últimos meses, o
site custava cerca de 470 mil reais mensais. Desses aí, nós
chegamos a cobrir 290 mil, com receita própria. Com venda
de conteúdo para outras publicações e venda
de espaço publicitário. Mas nós sempre dependemos
de patrocinadores para custear o resto das despesas.
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