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Aos cento e cinqüenta anos da primeira luta para a constituição
de sua identidade própria, hoje resumida popularmente no
dito de que "uma foto vale mais do que mil palavras",
o fotojornalismo vive novamente sua mais antiga e árdua luta:
a do tempo. Num primeiro momento de sua história, a busca
da liberdade da escolha do momento, ser senhora do instante através
da redução cada vez maior dos tempos de exposição,
conquistada a duras penas. Hoje, a lentidão dos downloads,
prejudica novamente a fotografia jornalística limitando a
plenitude de sua expressão em seu mais novo e instigante
suporte: o jornal online.
Na fotografia, em seus primeiros anos de existência, predominavam,
principalmente pelas limitações técnicas da
época, paisagens e retratos, estáticos na sua intemporalidade,
frutos de longos tempos de exposição. Ainda com equipamentos
nada discretos para que se pudesse registrar um instante de descontração
e com tempos de exposição incapazes de conferir à
espontaneidade dos gestos o movimento do momento, acabava por suprimir
do instante capturando seu caráter documental.
Com o aprimoramento das técnicas, o fotojornalismo começa
a definir seus objetivos. Através dos instantâneos
de Erich
Salomon, no começo do século passado, a fotografia
começa a ganhar maior liberdade de atuação.
A escolha do momento torna-se um ato pessoal e fundamental para
a melhor compreensão do instante registrado. À medida
que as velocidades de captação vão aumentando,
o fotojornalismo vai se infiltrando na sociedade perseguindo o ineditismo,
atrás daquele instante fugaz capaz de sintetizar o momento
histórico numa fração do segundo.
Surgem as grandes marcas, Leica, Nikon, Cannon, e finalmente, já
no final do século, após 150 anos servindo à
história, o reinado absoluto da película é
ameaçado pelos CCDs dos novos equipamentos digitais. Fragmentando
a imagem em milhares de impulsos elétricos, possibilitando
o armazenamento em computadores e transmitindo via satélite
a notícia quase que instantaneamente a qualquer canto do
mundo, a fotografia digital ocupa cada vez mais seu espaço
definitivo na instantaneidade da notícia.
Novas tecnologias, novos suportes, e quando pareciam rompidas as
barreiras do tempo para sempre, eis que o fotojornalismo esbarra
novamente na sua luta mais antiga. O suporte mais atual, onde se
desenvolve o novo modelo de se transmitir notícias, os chamados
jornais online, dependem da velocidade da rede para baixar as fotos
produzidas, e abdicam novamente de um espaço mais amplo para
a divulgação das imagens registradas, em função
de uma comodidade para seu usuário e de uma limitação
tecnológica, que fazem com que a fotografia tenha seu espaço,
nessa nova mídia, mais reduzido ainda do que nas já
tradicionais formas de suporte.
É bem verdade que alguns sites jornalísticos, principalmente
os norte americanos como o MSnbc,
uma associação da Microsoft com a rede de televisão
NBC, o USA Today,
o Washington
Post, investiram pesado e oferecem aos seus leitores amplas
galerias de fotos não só em matérias especiais,
mas também vinculadas às principais notícias
do dia, por vezes até animadas (interativas), com projeções
de slides, inclusive aproveitando recursos sonoros, em diversos
assuntos tratados nos seus webjornais, mas estes ainda são
minorias, mesmo nos Estados Unidos.
Infelizmente, a grande maioria dos Jornais online no Brasil e em
vários países da Europa limita-se a poucas e pequenas
fotos (thumbnails) que, mesmo quando clicadas, abrem-se para uma
notícia mais completa, mas relegam a ilustração
do fato à mesma imagem sem acrescentar novas fotos. Somente
os fatos principais de cada editoria são contemplados. Utilizam-se
de galerias apenas em situações extremas, a exemplo
da cobertura da entifada no Oriente Médio ou dos atentados
de 11 de setembro, em que a maioria dos sites noticiosos ofereciam
fartas galerias alimentadas a cada instante por novas fotos da tragédia.
Oferecem na seção de esportes seqüências
dos melhores lances e em algumas matérias especiais pode-se
também encontrar uma opção maior de fotos.
Podemos aí citar como exemplos alguns dos principais jornais
online do Brasil como o Zero
Hora, o A
Tarde na Bahia, o Correio
Brasiliense, o Estadão
de São Paulo, a Folha
de Pernambuco, Correio
do Povo de Porto Alegre, O
Liberal de Belém e a Gazeta
do Povo do Paraná esses três últimos, inclusive,
sem galerias de fotos. Pelo mundo o NY
Post, o Los
Angeles Times, o La
Vanguardia espanhol, o Le
Monde e o Le
Figaro da França. Na Inglaterra o The
Times, o The
Independent, o Sunday
Mirror assim como os já citados webjornais franceses
praticamente não apresentam fotos e não possuem galerias.
Isso apenas para citar alguns poucos exemplos dos vários
jornais online pesquisados.
Alguns desses sites como o do Jornal
do Brasil, o Estado de São Paulo e O
Globo que possuem apenas uma galeria de fotos do dia, limitada
geralmente a poucos registros de alguns dos principais fatos, remetem,
geralmente, às suas respectivas agências de notícias.
Aí sim, se o usuário for cadastrado, poderá
usufruir um pouco mais da velocidade e da amplitude de cobertura
que os fotógrafos digitais tem a oferecer.
Das primeiras palavras moldadas na prensa de Gutenberg ao primeiro
jornal com fotos agregadas a um texto, séculos se passaram
e, a partir daí, em menos de cem anos o fotojornalismo alcançou
seu status de importância na elaboração da notícia.
E é bem verdade que agora, com a velocidade com que avançam
as novas tecnologias esse problema da lentidão na transmissão
de imagens na net será rapidamente solucionado.
Talvez uma fotografia não valha mais do que mil palavras.
Fotografias e palavras se moldam em separadas forjas. Elas se afastam
em diferentes direções, transmitindo diferentes habilidades,
fabricando diferentes impressões. Na prática do jornalismo
elas são como parceiros comerciais, duas áreas que
necessitam profundamente uma da outra. As formas de suas interações
nos novos suportes serão o futuro do próprio jornalismo.
A fotografia deve prosseguir na busca de um maior espaço,
persistindo em sua luta contra os revezes tecnológicos, interagindo
em igualdade de espaço e condições com a sua
velha parceira: a palavra.
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