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Com a inserção do jornalismo na internet, parece
ter surgido uma certa expectativa sobre como funcionaria uma ética
no ciberespaço. Talvez essa exigência pela revisão
das normas morais nasça do caráter embrionário,
inexplorado da rede: há um território novo, portanto,
precisamos criar novas regras para organizá-lo.
Pensar dessa forma seria cair na armadilha de achar que a ética
só é válida em circunstâncias restritas
e seria mutável de acordo com seu espaço. Acontece
que, se a cada novo meio (e não estou incluindo a internet
como meio) fôssemos elaborar novos valores, não haveria
razão de existir ética alguma.
Na verdade, os valores jornalísticos que eram aplicados na
mídia impressa, no radiojornalismo e no telejornalismo continuam
valendo. O jornalista deve continuar tendo um compromisso com a
verdade, procurar preservar a esfera íntima alheia, e a dignidade
do próximo. Isso é moralmente válido em qualquer
lugar do mundo.
O que acontece é que, como a internet inaugura e potencializa
outras possibilidades no jornalismo - como a interatividade, a instantaneidade,
a hipertextualidade, a multimidialidade, - ela acaba por engendrar
também novos problemas de cunho ético.
A começar pela interatividade. Na rede, todos podem tornar-se
emissores de conteúdo. Existe uma autonomia maior sobre o
material publicizado. Por um lado, isso pode ser extremamente saudável,
já que passamos a não depender mais exclusivamente
dos meios tradicionais e podemos contar com pluralidade de opiniões
e de fontes. No entanto, no reverso da moeda, abrem-se brechas para
publicações ofensivas, humilhantes e preconceituosas.
A instantaneidade da web também traz seus vícios,
junto com suas vantagens. A imediaticidade com que as notícias
chegam ao leitor acaba imprimindo um outro ritmo na rotina de apuração
de informações. O compromisso com a notícia
em tempo real diminui o tempo de pesquisa, verificação
e checagem das informações que estão sendo
veiculadas, o que termina por aumentar o risco da publicação
de notícias falsas.
O caráter hipertextual do webjornalismo, por sua vez, pode
aprofundar a notícia em vários níveis, interconectando
informações através dos blocos de texto com
os links. Esse ato de "linkar" informações,
entretanto, está carregado de responsabilidade moral. O problema,
nesse caso, surge, quando uma notícia guia o seu leitor para
um site de conteúdo falso, tendencioso ou ofensivo. Mais
uma vez, o cuidado com a checagem dos fatos que se está indicando
é necessário, mesmo que o site indicado esteja fora
dos domínios da publicação online.
Por fim, a convergência dos meios na internet esclarece um
pouco por que não faz sentido falar em novos valores éticos
na internet: justamente pelo fato do ciberespaço abranger
vários media é que todos os cuidados que devem ser
tomados nos outros meios transferem-se também para ela.
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