A vida mediada por computadores

Daniel Freitas

Estamos cercados de computadores por todos os lados. Vivemos uma era em que a grande maioria de nossas ações é mediada por essas máquinas. Poucas pessoas escrevem cartas. Nenhum documento é aceito manuscrito. Qualquer estabelecimento, por menor que seja, dispõe de pelo menos um computador. Para conversar, recorre-se aos chats, mesmo entre interlocutores desconhecidos. A tela do computador traz o mundo ao internauta, que passa horas hipnotizado por essa poderosa, porém recente mídia que é a internet.

A internet invadiu também o jornalismo. Jornais de todo o mundo aderem ao formato online com ou sem sucesso. A informação digitalizada, seja ela de natureza jornalística ou não, já está tão incorporada na cultura contemporânea que vale a pena correr o risco. Por isso mesmo, essa cultura vem sendo chamada de cibercultura, e o jornalismo online é parte fundamental dela. É o quarto poder numa tela interativa, disponível quando e onde o usuário quiser.

O jornalismo digital é um suporte essencial à prática da redação e divulgação de notícias. As potencialidades da internet são indiscutíveis e incontestáveis. A instantaneidade, o tempo real... Seria até desnecessário discorrer sobre suas vantagens. Assim como a existência de espaço infinito e a incrível capacidade de armazenar informações antigas. A internet veio para facilitar e muito a vida dos jornalistas. Contudo, insistir que o formato online traz consigo o poder de modificar o comportamento das pessoas em relação aos outros meios de comunicação é uma tremenda bobagem.

A leitura de notícias pela rede deve ser vista como mais uma alternativa. Afirmar que recorrer ao rádio ou à TV em busca de informação é coisa do passado é, no mínimo, "forçar a barra". Cada meio tem a sua especificidade e o seu valor, e nenhum substitui o outro. Ter a notícia na tela do computador em casa é cômodo apenas para algumas pessoas. Certamente, há outras que preferem ir à banca atrás do jornal impresso. Vale ressaltar ainda que, a despeito de muitos cibermaníacos que insistem em dizer que a internet está em todo lugar, apenas uma pequena parcela da população - no Brasil pelo menos - tem computador em casa. E dessa pequena parcela, somente um número mais reduzido ainda tem acesso à internet.

É importante lembrar que a internet ainda passa por uma fase de correção de rumos, embora já esteja consolidada como um importante nicho para negócios e alvo de polpudos investimentos do mercado publicitário. O jornalismo encontrou na internet uma importante parceira na divulgação de notícias. Jornais impressos, é bom que se repita, só tem a ganhar ao investir no segmento. Afinal, nada contra a internet, que conseguiu chegar a 50 milhões de lares dos Estados Unidos em apenas cinco anos. Um pouco de cautela, no entanto, é necessário para que essa mesma internet, tão benéfica em seus propósitos, não tome o lugar da vida daqueles que gastam um tempo considerável de suas existências em frente a uma tela de computador.

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Daniel Freitas é faconiano e aluno da disciplina Oficina de Jornalismo Digital. O texto é uma reflexão crítica impulsionada pela sua postura quase neo-ludita sobre as novas tecnologias da comunicação.

Inspirado pelo seminário interno sobre tendências e perspectivas do JOL, apresentado no dia 09/04/02, Daniel dá seu recado.