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Os ataques aos EUA apontam para um novo marco na história
do mundo Ocidental, para uma nova reorganização do
poder e da geopolítica mundial. Não sabemos ainda
até onde esta constatação pode nos levar: terceira
guerra mundial? resolução de problemas crônicos
como o embargo à Cuba, a guerra entre Palestinos e Israelenses,
a poluição do planeta, a exterminação
de povos africanos
? Ainda estamos sob o impacto das imagens
que, ao vivo e em tempo real, nos jogaram na sideração
qualquer
prognóstico pode induzir a erros. Tudo parece ficção
e realidade.
Assistimos a tudo como ficção, como um espetáculo
tipicamente americano, do cinema americano. Nas telinhas da TV,
nos vídeos amadores, nas fotos e nas webcams na Internet,
o mundo lá fora é só imagens; parece ficção
parece
não existir, existindo, entretanto, da forma mais implacável:
ao vivo, direto, live para todo
o planeta. Ficamos perplexos pelos fatos, não pela manipulação
da mídia, mas pela mídia tomada de assalto pela radicalidade
do ato.
A profusão de câmeras, de olhos eletrônicos,
nos coloca em meio ao paradoxo maior da imagem: ao mesmo tempo comprovação
dos fatos (e aí todos somos fontes de informação),
e simulacro, fonte de erros e de ilusões. Cada olho eletrônico
espreita cada pedaço como big brothers disseminados, como
um panóptico eletrônico vigilante (veja, por exemplo
as imagens de NY ao vivo no site
spycam). Dessa forma, as imagens (amadoras e profissionais)
produzidas em todos os lugares e de todas as formas, nos colocam
na suspensão das certezas, no excesso de informação
e desinformação. A sensação é
de estarmos assitindo a um filme policial de ficção-científica,
participando, virtualmente, da cena como detetives/espectadores
em busca dos responsáveis, como se estivéssemos em
um grande role playing game mundial.
No caso do WTC, a estrutura midiática contemporânea
(mass media e Internet) está sendo tomada pela dimensão
espetacular /especular do acontecimento, mais do que espetacularizando,
ela, o mundo real. Esse efeito de espelho, fractal, tem a consistência
de um sonho, do torpor e da anestesia. As imagens nos anestesiam
por sua densidade real. Ficamos paralizados diante das cenas aterrorizantes,
fixos atrás da confortável telinha mesmo que
a apreensão toque nosso corpo com a possibilidade de uma
guerra mundial. Agora mesmo, diante da televisão, vejo a
imagem de NY na CNN onde uma fumaça fantasmagórica
é apenas indício das duas torres gêmeas e gigantescas
que simplesmente desapareceram.
É real mas parece ficção
imaginário
cinematográfico, magia do inexorável. Os americanos
já concelaram estréias de filmes sobre terrorismo
nos EUA, mostrando efetivamente a linha tênue entre ficção
e realidade. Assim, as estréias de Collateral Damage, com
Arnold Schwarzenegger, e Big Trouble foram canceladas por tempo
indeterminado. As séries Nova York Contra o Crime e Third
Watch da TV também estão com suas produções
interrompidas por tempo indeterminado.
Começo efetivo
ou fim irremediável do século
XXI, o ataque que derrubou as duas torres do Centro Mundial do Comércio,
que destruiu parte do Pentágono e que, simbolicamente, derrubou,
por tabela, o prédio da Nasdaq (a bolsa da nova e-conomy)
nos coloca em meio a um ponto de mutação, de inflexão.
Entramos, parece, numa nova ordem mundial, numa ordem de urgência
máxima, na eminência de uma guerra incontrolável
daí
a perplexidade causada por essa forma abrupta de rompimento com
o lugar comum, com a certeza, com a normalidade do real, que faz
com que a anomalidade brutal pareça ficção.
Estamos todos, como em um sonho, flutuando entre o real, o irreal
e o imaginário, como as imagens da guerra do golfo, uma guerra
de informação de virtualização, de simulação
e desrealização. Mas esta era guerra; metódica,
planejada, falada, e não terrorismo dessa magnitude; cego,
improvável e inpensável. Cái assim mais uma
das (in) certezas contemporâneas. A era das improbabilidades
derruba o lugar sagrado do Tio Sam como imaculado. O senhor do destino
do mundo civilizado é abalado de forma cruel
e inédita. Agora, se tudo está globalizado sob a batuta
neoliberal, tudo e todos podemos ser alvos desse efeito (global),
até mesmo aqueles que aparentemente controlam o processo.
No ano 2000 o mundo já tinha acabado (Baudrillard). No século
XXI tudo recomeça? Estaremos vendo o fim do pósmoderno?
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