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À memória do
Parque, dos orixás... |
No salão do Centro de Estudos Afro-Orientais ( CEAO ), da Universidade Federal da Bahia, em 27 de agosto último, foi lançado, ao som de berimbaus, o livro "História, Natureza e Cultura Parque Metropolitano de Pirajá". Primeiro número da Coleção Cadernos do Parque, realizado pelo Programa Memorial Pirajá, o livro pretende divulgar estudos e escritos sobre o Parque São Bartolomeu, importante reservatório ecológico, identitário e cultural da Bahia. O Programa, criado pelo Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu e CEAO-UFBa em parceria com órgão públicos e privados, visa a educação, pesquisa e extensão nas áreas ambiental e cultural. Criado em 1987, o Memorial é fruto de um trabalho de mobilização social de educadores, contando com mais de 130 associações e grupos comunitários da região do subúrbio ferroviário, para a preservação e proteção do Parque, seu acervo natural e espiritual. O Parque Metropolitano de Pirajá, com 1.550 ha, situado entre o Subúrbio Ferroviário e Pirajá-Valéria uma das áreas mais pobres da cidade , foi criado em 1978 pela Prefeitura da Cidade de Salvador. Ele representa, segundo dados da UNESCO, um dos remanescentes mais significativos da Mata Atlântica em zona urbana do Brasil. "Suas nascentes e represa que abastecem parte do subúrbio estão ameaçadas pela mineração ilegal, projetos habitacionais e poluição de diferentes procedências", declara Ana Lúcia Formigli, coordenadora do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu e organizadora do livro. Para Formigli, a revitalização do Parque não está distante da melhoria da qualidade de vida da população vizinha, pelo contrário, "um Parque se torna aliado do desenvolvimento de uma comunidade na medida em que associa preservação e usos sustentáveis", declara. Através do Programa, as comunidades locais estão aprendendo a beneficiar-se do Parque, sem depredá-lo. Everaldo Duarte - agbagigan e economista -, Gey Espinheira - professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBa - e mais quatorze escritores de diferentes áreas, vão descrevendo histórica, cultural e socialmente, nas 166 páginas deste primeiro Caderno, o Parque São Bartolomeu ( trechos do livro ). O livro possui ilustrações de Carybé, Lage e Gisela Moreau, que retratam a herança da religião africana na Bahia , além de fotografias de Sérgio Berbert e Luciano Andrade, mostrando a beleza do lugar.
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Terreiro do Bogum e o Parque São Bartolomeu" de Everaldo Duarte Agbagigan
e economista , p.19 ). "Em todo lugar onde se encontrem os sinais naturais de criação, as árvores, os rios nas suas nascentes, os lagos e a fauna em plena liberdade, aí estarão em harmonia as representações das Divindades da religião Afro-Brasileira. Somente esta abordagem já viabilizaria a afirmação de que o Parque São Bartolomeu, pela sua composição, se identifica como local sagrado, além de, pelo oferecimento de um ambiente calmo e acolhedor, também se identificar como local de retiro e meditação para outra religiões". O Parque São Bartolomeu: esquecimento e memória" de Gey Espinheira professor de Sociologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBa , p.23 ). " No âmbito do urbanismo aqui entendido como ação sobre o espaço das relações de produção, em que o próprio espaço é transformado em mercadoria - os investimentos urbanos, públicos e privados, tomaram uma orientação oposta ao espaço do subúrbio, região em que se localiza o Parque São Bartolomeu". Pontos convergentes de utopias e culturas: o Parque São Bartolomeu" de Angelo Serpa professor do Instituto de Geociências da UFBa , p.67 ). "Os primeiros habitantes e usuários do Parque São Bartolomeu foram os índios Tupinambás uma das tribos pertencentes ao grupo Tupi-Guarani que no século 16 povoaram todo o país com seus um milhão de habitantes. Os índios Tupi-Guarani que os portugueses encontraram na sua chegada ao Brasil tinham acabado de cheg |