Rosário dos Pretos comemora com missa datas centenárias

Pelourinho - Centro Histórico de Salvador
A venerável ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às portas do Carmo promoveu no dia 25 de Outubro, pela manhã, no Pelourinho, mais um momento em que o tempo parece parar e o sincretismo religioso aparece de uma forma nítida. Para comemorar a data de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, os 296 anos de construção da igreja e os 313 da irmandade, foi celebrada uma missa festiva, seguida de uma procissão pelo Centro Histórico.

Turistas, maravilhados, não entendiam a liturgia de resistência contra o flagelo da escravidão, às vésperas de um novo milênio. A comunidade agia naturalmente, com suas "contas" do candomblé e os símbolos do catolicismo lado a lado.

O padre Hélio Rocha explicou que os escravos cultuantes do candomblé tinham nos ifás (pedras, búzios) sua forma de comunicação com a divindade. Os católicos faziam isso com o terço. A igreja católica para atrair os escravos, deu força ao culto da Nossa Senhora do Rosário, que simboliza o sincretismo das duas religiões.

Como acontece em todos os anos, integrantes da irmandade da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e de várias Ordens Religiosas de Salvador estiveram presentes à missa do último Domingo de outubro - quando se comemora o dia da Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

Liturgia encanta

A missa é diferente das convencionais. Os cânticos que emocionam o público são acompanhadas de uma musicalidade inspirada nos terreiros de candomblé. Instrumentos musicais, como o agogô e o cavaquinho, além da presença da banda mirim do afoxé Filhos de Gandhy, dão um ritmo que faz com que os fiéis dancem e cantem, demonstrando confiança e fé na divindade suprema, que ora é Deus, ora é Oxalá. "O mais importante é que tudo isso é verdadeiro. As pessoas não estão fingindo", afirma a psicóloga Josélia Habib.

 

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