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Sistematizando os pressupostos sobre a hipótese
do
marketing de contra-hegemonia
Jorge Almeida
Professor de Teoria e Metodologia da Pesquisa, do Curso de Comunicação
Social, com Habilitação em Publicidade e Propaganda da Universidade
Católica de Salvador, Estado da Bahia Brasil.
Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura
Contemporâneas da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal
da Bahia – Brasil . Facom-UFBa
Membro do Comitê de Opinião Pública da Fundação Perseu Abramo.
Do Conselho Editorial de Teoria&Debate.
Autor de “Como Vota o Brasileiro” e “Estratégia, a luta política
além do horizonte visível”.
e-mail: jorgealm@uol.com.br
Fone: (55) 71 321 4158
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Sistematizando os pressupostos sobre a hipótese
do
marketing de contra-hegemonia
Jorge
Almeida
Resumo: O conceito
e a prática do marketing político e eleitoral são polêmicos e ainda
carentes de definições mais claras consensuais. Seu uso em ações políticas,
especialmente campanhas de forças políticas da direita à esquerda
tem sido motivo de diversos debates e faz parte do amplo leque temático
do campo de estudos de comunicação e política. Neste texto estudamos
e endoçamos a concepção que sustenta uma relação política inseparável da política
com o marketing (criticando as concepções do marketing político apolítico) e procuramos desenvolver a hipótese do marketing de
contra-hegemonia. Para tanto, partimos de um amplo levantamento
de conceituações do marketing em geral, do marketing institucional
e do marketing político e procuramos sistematizar os pressupostos
para o desenvolvimento desta hipótese.
Sistematizando os pressupostos sobre a hipótese
do
marketing de contra-hegemonia
Jorge Almeida
O conceito
e a prática do marketing político e eleitoral são polêmicos e ainda
carentes de definições mais claras consensuais. Seu uso em ações políticas,
especialmente campanhas de forças políticas da direita à esquerda
tem sido motivo de diversos debates e faz parte do amplo leque temático
do campo de estudos de comunicação e política. Nosso interesse mais
geral é o de estudar e reforçar a concepção que sustenta uma relação política inseparável
da política com o marketing (criticando as concepções do marketing político
apolítico) e desenvolver a hipótese do marketing
de contra-hegemonia. Para tanto, neste trabalho, partimos de um amplo
levantamento de conceituações do marketing em geral, do marketing
institucional e do marketing político e procuramos sistematizar os
pressupostos para o desenvolvimento desta hipótese.
2. "Voto é marketing, o resto é política"
Cid Pacheco, considera que o marketing
político ainda é "cercado de desinformação, e controvérsia
quanto à sua natureza e abrangência" (Pacheco, 1994). Segundo
ele, por ser uma atividade ainda relativamente recente no campo
da política. Para seu entendimento, antes de tudo é necessário fazer
a diferença entre o marketing político e o eleitoral. Este
autor considera que o marketing eleitoral é um fato não-político
que se tornou um dos fatos políticos mais relevantes da política
contemporânea, isto porque o marketing vem de fora da política
e diz respeito ao mercado. Surge do mercado para o mercado. Mas,
sua presença na política não deve ser vista como estranha ao mundo
contemporâneo. Da mesma forma que o marketing foi uma necessidade
para os mercados complexos da sociedade de consumo de massas,
tornou-se necessário para a atuação política em eleitorados massivos,
como os das atuais democracias liberais. "É assim que o marketing
se associa à política: para atender a uma necessidade histórico-social.
A chamado, não por intromissão". É apenas "uma arte de
ajustamento do sujeito/produto ao meio ambiente. Gosto da analogia
com o surfista que parece dominar as ondas. Na realidade, ele apenas
ajusta-se, em plena harmonia e interação, às forças do oceano. Oceano
e Mercado são poderosos demais para serem dominados pela fragilidade
relativa do indivíduo, a quem cabe, isto sim, integrar-se inteligentemente
ao sistema das forças ambientais, tão mais poderosas do que as suas
- e usá-las a seu favor" (Pacheco, 1994).
Este autor considera que o conceito
de marketing político é controverso principalmente entre
os especialistas, mas que o de marketing eleitoral é indiscutível:
"Voto é marketing, o resto é política", devendo
seguir a lógica do marketing originário do mercado, onde
o primado é do consumidor. Assim, "tudo começa e acaba com
o eleitor". Assim, o marketing eleitoral, deve saber
discernir o que é ideológico do que é político e do que é especificamente
eleitoral. Enquanto o ideológico é um campo de idéias mais subjetivas
e abstratas (e limitado a segmentos mais predispostos e minoritários),
o político é um campo de ações objetivas pelo poder, "de troca
de vantagens - um campo francamente pragmático e freqüentemente
fisiológico e clientelista. É o território histórico da real
politik" (Pacheco, 1994). Já o campo eleitoral, se assemelha
mais ao mercado e a propaganda eleitoral, assim, segue as mesmas
regras da propaganda de qualquer mercadoria: "o candidato -
enquanto objeto eleitoral - é um 'produto' e a eleição é uma 'venda'
- ambos, obviamente, entre aspas: estamos no campo das metáforas”.
(Pacheco, 1994).
Para este autor ainda, o marketing
eleitoral, é uma técnica indispensável para a "administração
da indiferença", característica dos processos eleitorais, ao
lado da "lei do adiamento máximo ou procrastinação" (relativa
à demora na definição do eleitorado) e da "lei da efemeridade
dos ciclos-de-interesse público" (relativa ao gosto da novidade
pelos eleitores). Sendo assim, o marketing eleitoral não
deve procurar disputar o voto cristalizado, mas apenas os "flutuantes"
e os "retardatários", que são característicos de um eleitorado
menos definido ideologicamente e de baixa motivação política. Portanto,
só o marketing pode enfrentar esta situação de indiferença
do eleitor comum à campanhas de conteúdo político. Como conseqüência,
"o maior inimigo do candidato é o político", frase que
segundo este autor é uma caricatura que "guarda traços fundamentais
de veracidade". Portanto, "as técnicas indutivas da decisão
do voto massificado - isto é, o marketing político - constituem
hoje, no Brasil, um campo de saber-e-fazer muito evoluído... que
veio para ficar. O fato é que, no mundo de hoje, tornou-se improvável
o sucesso numa eleição apenas por meios puramente políticos, sem
contribuição substancial das técnicas de marketing"
a qual, entretanto, deve ser vista como relativamente eficiente,
mas limitada e não infalível nem onipotente.
3. Alguns conceitos de marketing
“O termo marketing, em seu sentido
original, determina as relações comerciais de uma instituição com
sua clientela. Ele poderia ser também chamado de comercialização”
(Camacho, 1983). Já no sentido atual do termo, o marketing se desenvolve
entre as décadas de 20 e 50, dependendo da perspectiva dos autores.
Apesar de já existirem cursos de marketing em Universidades dos
EUA desde 1910 (Gracioso, 1982), ainda se tratava do marketing voltado
para o produto e posteriormente para o preço. O marketing voltado
para o cliente – considerado pela maioria dos autores como o marketing
mais moderno - se desenvolve especialmente a partir da Segunda Guerra
Mundial, para responder à complexidade cada vez maior do capitalismo.
“Pouco a pouco, tomava forma o conceito básico de marketing moderno:
produz-se aquilo que os consumidores desejam” (Gracioso,
1982)
Por outro lado, "No âmbito especificamente
comunicacional da sociedade, alterações importantes também ocorrem
e irão incidir no contexto, que circunscreve e possibilita o surgimento
do marketing. O desenvolvimento da publicidade, iniciado
de modo significativo desde meados do século XIX, já indicava o
esgotamento do mercado como lugar suficiente de publicização e,
em seqüência, de realização das mercadorias. A passagem de uma lógica
predominante de concorrência de preços para uma nova lógica de concorrência,
aquela intitulada de marcas” (Rubim, 1997).
O marketing passa a se orientar
por três pontos básicos: 1- os bens e serviços devem ser produzidos
de forma orientada para o consumidor; 2- deve haver uma integração
das mais diversas atividades da empresa para atender as finalidades
definidas; 3- o objetivo fundamental é a obtenção do lucro ótimo
a longo prazo. Para obter bons resultados, o marketing vai
considerar não somente os fatos vinculados a uma mercadoria, mas
também aos valores e, neste sentido, o marketing seria uma
engenharia que integra fatos a valores com o objetivo de buscar
o lucro ótimo a longo prazo. Neste conceito, o marketing
deve incorporar todas as atividades da empresa desde antes da produção
e até a chegada do produto ao consumidor. A estratégia geral também
está claramente orientada para atender uma demanda já existente,
seja ela sensível de modo mais explícito, seja ela latente. Este
conceito, vai superar o trinômio que tradicionalmente orientava
as empresas: produção, administração e vendas, como processos mais
estanques. Por outro lado, vai quebrar a lógica tradicional de que
quem tem o melhor preço ou a melhor qualidade, terá uma fila para
comprar a sua mercadoria. Os três pontos básicos citados acima,
também podem ser melhor entendidos se os decompomos.
Orientação voltada para o consumidor,
significa identificar e satisfazer seus desejos e necessidades;
satisfazer estes desejos ou necessidades, mas da forma como,
onde, quando e pelo preço que o consumidor
aceite pagar; nunca deixar de considerar que o verdadeiro determinante
das vendas e dos lucros é o consumidor.
A integração do conjunto das atividades
da empresa não é simples. Em primeiro lugar, é preciso articular
os três fatores básicos tradicionais que citamos (produção, vendas
e administração). Porém, além disso, no conceito de marketing
há uma complexificação das funções partindo do planejamento e indo
até o controle, portanto parte de antes da produção e vai além das
vendas. Além do mais, não basta dirigir os fatores controláveis
(intrínsecos e sob o poder de decisão da empresa) mas de prever
o comportamento de fatores incontroláveis, ou seja, externos à empresa
(como o comportamento de outras empresas, a situação econômica,
transtornos da natureza, etc). Tudo isso leva a que o marketing
seja entendido como um mix.
O terceiro ponto é o lucro, ou melhor,
a obtenção do lucro ótimo a longo prazo. A empresa tem que ter claro
que sua função não é social, de criar bem estar ou empregos ou desenvolver
o país, e sim o lucro. Mas as palavras ótimo e longo prazo,
também não estão aí por acaso. Lucro ótimo não é sinônimo de lucro
máximo, nem muito menos de imediatismo. Lucro ótimo é o que permite
um crescimento equilibrado da empresa, sem provocar crises que possam
se abater sobre ela. Por exemplo, salários muito baixos ou queda
de qualidade para obtenção de melhor preço, podem resultar negativamente
em médio prazo. Ou então, um lucro menor no curto prazo, pode facilitar
a penetração da mercadoria no mercado e ampliar os lucros a médio
e longo prazos.
Mas o conceito e os limites da ação
do marketing são complexos e polêmicos. O "Dicionário
de Termos de Marketing" (Moreira, Pasquale e Dubner,
1996), por exemplo, traz 4 definições para o verbete "marketing",
onde o mesmo é classificado ora como "conjunto de atividades",
ora como "técnica", ora como "processo". Além
disso, este dicionário apresenta ainda outros 34 verbetes com sub-divisões
do termo.
Vejamos então alguns conceitos de marketing,
segundo diversos autores.
Um dos maiores clássicos do marketing,
Philip Kotler, começa assim a sua definição: "O marketing é
a função dentro de uma empresa que identifica as necessidades e
os desejos do consumidor, determina quais os mercados-alvo que a
organização pode servir melhor e planeja produtos, serviços e programas
adequados a esses mercados. No entanto, o marketing é muito mais
do que uma função isolada - é uma filosofia que orienta toda a organização.
A meta do marketing é satisfazer o cliente de forma lucrativa, criando
relação de valor com clientes importantes" (Kotler e Armstrong,
1999).
Já um clássico nacional, Raimar Richers
(1985), diz que as finalidades básicas do marketing são detectar
espaços abertos (oportunidades abertas no mercado e demandas insatisfatoriamente
satisfeitas) e ocupar esses espaços. Mas "detectar e ocupar",
pressupõe que não basta ter um "bom" produto e fazer uma
intensa promoção. Para isso ocorra satisfatoriamente, existem as
4 funções do marketing, ou “Teoria dos 4 As” de Richers: Análise
(investigação para compreender as forças do mercado); Adaptação
(ajustamento da oferta da empresa às forças externas); Ativação
(que são medidas para fazer o produto chegar aos mercados definidos,
entre elas a propaganda); Avaliação (investigação e interpretação
dos resultados - preparando-se para o futuro). Sendo que estas 4
funções devem girar em torno dos objetivos e metas gerais da empresa.
Portanto, a propaganda é apenas uma parte do “composto”, ou “mix
de marketing”.
Alguns conceitos são chaves e precisam
ser melhor entendidos. São eles: necessidades, desejos, demandas,
produtos, valor, satisfação, qualidade, troca, transações, relacionamentos,
mercados.
O conceito mais básico do marketing
é o das necessidades humanas (físicas, sociais e individuais, etc),
necessidades que não são criadas pelos profissionais de marketing.
Quando uma necessidade não é satisfeita, as pessoas procuram uma
maneira de reduzi-la ou satisfaze-la. Desejos são as necessidades
humanas moldadas pela cultura e individualidade. A depender da realidade,
as necessidades se manifestam através de desejos diferentes. Já
as demandas, são desejos que podem ser atendidos (ou comprados),
pois os desejos são ilimitados e os recursos são limitados. Mas,
para o marketing, a transação não deve ser passageira. O fundamental
é construir um relacionamento, ou seja, uma relação de longo prazo
para transações mais lucrativas.
Assim, mercado são compradores reais
e potenciais de um produto que têm necessidades e desejos, que podem
ser satisfeitos por valores através de uma troca, transação e, preferencialmente,
um relacionamento. Mas, no qual vendedores não vendem somente produtos,
mas também comunicações (sobre seu produto) e recebem não somente
dinheiro, mas informações (sobre necessidades e desejos).
Mas, como vimos, entre desejos e demanda,
existe uma diferença, pois desejos são ilimitados e recursos são
limitados – ou, a produção pode crescer e os desejos diminuírem
ou se modificarem.
Resolver este problema é uma tarefa
para a administração de marketing. "Em certas ocasiões pode
haver demanda adequada, demanda irregular, demanda em excesso, ou
até mesmo não haver demanda alguma, e a administração de marketing
deve encontrar formas de lidar com esses diferentes tipos de demanda.
Administração de marketing preocupa-se não apenas em descobrir e
ampliar a demanda como também em mudá-la ou até mesmo reduzi-la"
(Kotler e Armstrong, 1999).
4. Administração de marketing é
administração de demanda
Demanda administrada significa clientes
administrados. Para que aja troca são necessárias pelo menos duas
partes, mas para que aja administração de marketing basta
que uma das partes de uma troca em potencial defina seus objetivos
e os meios para obter as respostas desejadas da(s) outra(s) parte(s).
"A administração de marketing
identifica-se, historicamente, com o trabalho especializado de tratar
com o mercado de clientes em favor do produto final da empresa
(grifos nossos)" (Kotler, 1990).
Mas a função de um gerente de marketing
é muito maior do que somente estimular a demanda pelos produtos
da empresa. “A administração de marketing é a atividade de regular
o nível, o tempo e o caráter da demanda, de tal modo que ajude a
empresa a atingir seus objetivos. Resumindo, administração de
marketing é a administração da demanda" (Kotler, 1990).
"A organização estima o nível
desejado de transações com um mercado. Em qualquer época, o nível
da demanda real pode estar abaixo, igual ou acima do nível desejado
de demanda" (Kotler, 1990). Isto conduz a oito estados diferentes
de demanda e tarefas específicas de marketing para cada estado de
demanda. (vejam que a organização também tem seus próprios desejos,
que podem não coincidir com aqueles do “mercado”!)
As Tarefas Básicas do Marketing
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Estado da Demanda
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Tarefa de Marketing
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Nome da Tarefa
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1
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Negativa
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Corrigir a demanda
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Marketing de conversão
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2
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Inexistente
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Criar a demanda
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Marketing de estímulo
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3
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Latente
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Desenvolver a demanda
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Marketing de desenvolvimento
|
|
4
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Declinante
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Revitalizar a demanda
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Marketing de revitalização
|
|
5
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Irregular
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Sincronizar a demanda
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Marketing de sincronização
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6
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Plena
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Manter a demanda
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Marketing de manutenção
|
|
7
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Excessiva
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Reduzir a demanda
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Marketing de redução
|
|
8
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Indesejada
|
Destruir a demanda
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Marketing de eliminação
|
Francisco Gracioso, no seu clássico
Marketing, uma experiência brasileira (1982) também destaca
a questão da criação da demanda: “a teoria econômica clássica falhou
no ponto em que o estudo moderno do marketing realmente tem início:
o consumidor e os problemas da criação da demanda. Falhou porque
não reconheceu que a demanda deve ser criada e estimulada”.
Para ele, teoria do marketing chega
à “formulação atual” e agora só se produz “aquilo que pode ser vendido
com lucro. Ou seja, o que o consumidor deseja”. Porém, anseios e
necessidades “são constantemente estimulados e aumentados” e ao
lado de procurar “adivinhar e satisfazer os mais recônditos desejos
de Sua Majestade, o Consumidor” (tanto os atuais como os “latentes”)
o marketing deve também “naturalmente, estimular continuamente o
surgimento de novos desejos”. Esta idéia do “latente” é importante,
pois a “empresa passa a orientar-se em função das oportunidades
atuais e potenciais do mercado...” (Gracioso, 1982).
6. Problemas na
conceituação de administração de marketing
Diz Kotler: "Descrevemos a administração
de marketing como o esforço consciente para atingir resultados desejados
de troca com os mercados visados. Agora surge a pergunta: qual é
a filosofia que norteia esses esforços de marketing? Qual é o peso
relativo escolhido para servir aos interesses da organização,
dos clientes e da sociedade? Muitas vezes eles se
chocam. É desejável que as atividades de marketing sejam realizadas
dentro de um conceito claro de um marketing abrangente e responsável"
(Kotler, 1990).
Porém, o autor reconhece que a cada
dia é questionada a sinceridade do conceito do marketing aplicado
pelas empresas, ou se, na prática, não passa de "conversa fiada".
Mais importante: além desta crítica
da prática das empresas, há um questionamento do próprio conceito
de marketing, por este ignorar "o conflito entre a satisfação
do desejo individual e o interesse coletivo a longo prazo"
(Kotler, 1990). Na procura de uma saída para isto, surgiram, inclusive,
propostas alternativas como o de marketing "humanístico",
de "consumo inteligente" e de "imperativo ecológico".
Kotler apresenta então o conceito de
marketing societal, como resposta, sendo que este difere
do simples conceito de marketing, acrescentando o detalhe de 'bem-estar
do consumidor e do público a longo prazo', exigindo mudanças nas
perspectivas da organização e incluindo de quatro considerações
nas tomadas de decisões: desejos dos consumidores, interesses
dos consumidores (mesmo se eles não estiverem cônscios disso!),
exigências da empresa e bem-estar social." (Kotler, 1990).
Até
que ponto o capitalismo, especialmente em sua fase de neoliberalismo
selvagem, é capaz de admitir este tipo de conceito de marketing
como prática, é outra questão.
A partir do marketing, a propaganda
não somente cresce de importância, mas agora ela faz parte de um
complexo mais amplo que é o marketing mix: "No longo
percurso entre a idealização de um produto, sua fabricação até chegar
às mãos do consumidor, veio ter lugar o processo de marketing,
com a propaganda servindo como lubrificante da complexa engrenagem"
(Figueiredo, N de Lima, 1970). Ou seja, a propaganda, por si só,
não é a alma do negócio pois não se pode falar em propaganda eficaz
isoladamente. De pouco ou nada adianta uma "boa propaganda"
se a mercadoria não é a que o consumidor deseja. Ou se esta não
chega no ponto certo, ou com a qualidade desejada, ou no preço acessível
ou na quantidade necessária, ou no tempo hábil: "digamos, porém,
que, quando o nosso consumidor procura por aquela marca de dentifrício,
o revendedor não a tenha em estoque ... o que aconteceu? A propaganda
realizou plenamente a sua tarefa... mas a venda não ocorreu"
(Domingues, 1970).
Além das pesquisas de mercado, o planejador
deve ter também conhecimento "do comportamento da indústria
da qual a empresa faz parte, em termos absolutos e em relação à
economia do país como um todo". (Simonsen Júnior, 1970).
Outros autores, como Ricardo Ramos
(1987), atenuam, entretanto, a relação entre a propaganda e marketing
mix, não a vendo de forma atrelada. Este autor lembra que
a propaganda tem uma origem muito mais remota que o marketing,
não só internacionalmente, como no Brasil.
Entretanto, este autor concorda com
Roberto Simões, quando aquele diz que "É preciso considerar
que a propaganda é uma atividade integrante do complexo de marketing
e de que seu planejamento não pode divergir do plano de marketing"[2]. E acrescenta que "certamente
o plano de propaganda se inscreve no planejamento geral de marketing,
já que a publicidade é um trecho dos esforços de comercialização
de um determinado produto. Sob esse aspecto, não há dúvida de que
não apenas ela não pode divergir da orientação mercadológica da
empresa, como deve apoiá-la e, se possível, reforçá-la. Em todo
caso, por mais sedutoras que se tenham tornado as campanhas publicitárias,
propaganda continua ligada à idéia de persuasão.
"O objetivo da propaganda
é uma tarefa específica de comunicação a ser realizada para um público-alvo
específico durante determinado período. Os objetivos de propaganda
podem ser classificados por propósitos básicos - informar, persuadir
ou lembrar" (Kotler e Armstrong, 1999), sendo que a propaganda
persuasiva, aumenta de importância com aumento da concorrência e
o objetivo da empresa é "criar uma demanda seletiva",
para seus produtos pode ser do tipo comparativa (com os concorrentes).
"O objetivo da propaganda é fazer
com que os consumidores pensem e reajam ao produto ou à empresa
de uma certa maneira, e as pessoas só reagirão se acreditarem que
serão beneficiadas com isso e por isso é preciso identificar quais
os benefícios os consumidores querem. "O ideal é que a estratégia
de mensagem esteja atrelada diretamente à estratégia de posicionamento
mais amplo da empresa" (Kotler e Armstrong, 1999).
Outros autores partem de concepção
bem semelhante. Para Santos (1979), propaganda é “a comunicação
de massa, paga, cujo objetivo é difundir informações, criar atitudes
e ações benéficas para o anunciante”...”uma comunicação dirigida
a convencer as pessoas, que a orienta, para determinada decisão
de compra... a aplicação comercial da arte de persuasão humana”.
“A comunicação mercadológica parte
da empresa visando persuadir o mercado”. “A comunicação, no âmbito
do marketing, é todo e qualquer esforço realizado para persuadir
as pessoas a comprarem determinado produto ou a utilizarem determinando
serviço. As formas pelas quais ela se efetua tomam nomes diversos:
propaganda, publicidade, promoção de vendas, venda pessoal e relações
públicas” (Simões, 1977)
“A propaganda pode ser definida
como um conjunto de atividades através das quais determinadas mensagens
são transmitidas a um público-alvo, usando meios de comunicação
de massa pagos pelo anunciante, com o propósito explícito de informar,
motivar e persuadir os membros do público-alvo a adotarem produtos,
serviços ou idéias sob o patrocínio de determinada organização”
(Rocha e Christensen, 1994)
E o que vem a ser mesmo persuadir?
Segundo o “Aurélio” é "Levar a crer ou a aceitar. Induzir,
convencer" (Ferreira, 1993). Para Andrade (1978) trata-se do
"emprego de argumentos verdadeiros ou falsos com o propósito
de conseguir que outros indivíduos adotem certas crenças, teorias
ou linhas de conduta". E, segundo Gracioso (1982), no processo
de persuasão “as atitudes mentais devem ser transformadas de negativas
em positivas; e de simplesmente positivas para entusiásticas, em
relação à compra”.
Então, como fica o “Consumidor-Rei”?
Presumia-se que este, sendo o “Sua Majestade”, deveria ser o sujeito
do marketing. Mas não é bem assim. Segundo Simões (1977), os objetos
do marketing são os bens produzidos, e os sujeitos são as
instituições que “executam” as atividades de marketing. E o consumidor?
Bem este (e suas necessidades, gostos e preferências) são “objetivos”.
Ou, em outras palavras e outros autores, “público-alvo”, “mercado-alvo”,
“consumidor-alvo”, “grupo-alvo”, “comprador-alvo” para serem “atingidos”
pelos produtos e comunicações de algum sujeito.
8. Na contramão
do Marketing?
Se marketing é surfar nas ondas do
mercado (Richers, 1997), seria possível pensar em “contramão do
marketing”? Pois é assim que pensa Domenico Barili (1997), que é
nada menos do que o Diretor Geral da Parmalat Mundial. A “contramão
do marketing” é a alternativa que ele apresenta para os medos das
grandes “Indústrias de Marca” diante dos produtos mais baratos e
de baixa qualidade, alguns por ele considerados predatórios. Ele
quer voltar a valorizar o “produto”.
Para ele, o conceito atual de marketing
começa a ser superado, sendo este uma técnica que muda com o
tempo, de acordo com as transformações do mundo, as quais são
em parte causadas pela evolução espontânea do universo dos consumidores
e em parte induzidas pela ação dos produtores e distribuidores
dos bens a eles destinados (grifos nossos)” (Barili, 1997).
O seu medo é a derrota da Marca, diante
da qualidade baixa e preços baixos. A saída é defender a qualidade
diante do preço, o que significa uma atitude ofensiva de defesa
do produto, contra certas tendências do mercado consumidor e dos
distribuidores. Segundo Barili (1997), “fala-se de empresas orientadas
para o marketing, mas se reconhece para elas um patrimônio intangível
positivo somente se estiverem em condições de produzir lucro”. E
o que viabiliza os lucros são seus produtos, os quais devem ser
defendidos através de ações econômicas e da comunicação que, segundo
ele, permite não somente “reposicionar o consumo, mas também criá-lo”
... “Como a comunicação pode inventar, estimular, regenerar consumos,
assim também pode desviá-los. Desviá-los de um setor a outro, de
uma marca a outra” (Barili, 1997).
9. Marketing no sentido amplo
Como vimos, o marketing não se aplica
apenas a produtos ou a empresas com fins lucrativos. Temos, assim,
o marketing de organizações e pessoas e de idéias sociais, pois
"as idéias também podem ser vendidas" e "em certo
sentido, todo marketing é marketing de uma idéia". Pode-se
querer "mudar um comportamento (desestimular dirigir embriagado)
ou uma crença básica", e "projetar estratégias de mudanças
sociais efetivas". Neste caso, há um processo normal de planejamento,
no qual os profissionais de marketing "primeiro, definem o
objetivo da mudança social" ... "em seguida, analisam
as atitudes crenças, valores, comportamentos" (Kotler e Armstrong,
1999) do público-alvo e das forças sociais que o influem, desenvolvem
o plano de marketing, montam a estrutura, avaliam e fazem os ajustes
necessários.
Entretanto o marketing social é considerado
muito novo. Algumas campanhas têm sido bem sucedidas, "mas
são necessárias mais aplicações antes que se possa avaliar plenamente
o potencial do marketing social para gerar mudanças sociais"
(Kotler e Armstrong, 1999).
No Brasil, é entre as décadas de 80
e 90 (coincidindo com a volta de eleições diretas para cargos majoritários
e o horário gratuito de TV) que se expandem “as novas regras para
o fazer político apoiados em um saber que lhe é precedente,
o marketing comercial ou publicitário, mas que exige um esforço
de adequação às peculiaridades do produto (a política) e o conhecimento
das nuanças de um mercado onde o que se oferece e se consome são
imagens e não bens materiais” (Carvalho, 1999).
“O grande desafio para os estrategistas
de marketing político é encontrar e abraçar antes de todos os outros,
o ciclo de idéias e aspirações que está em ascensão em um determinado
momento na sociedade” (Carvalho, 1999).
Porém, “sendo um produto vivo,
o candidato tem uma história que pode ser incongruente com o ‘lugar
dos desejos’[3]
dos eleitores/consumidores em uma determinada conjuntura. Neste
caso, a recomendação extrema dos instrutores políticos aos
candidatos é que desistam ou adiem suas pretensões políticas à espreita
de um momento que lhes seja favorável..
Este, entretanto, pode não
ser o único caminho, pois, como vimos, o marketing também admite
outras vias de alteração das demandas ou uma mudança das prioridades
dos eleitores, de modo que fique mais fácil a aceitação do candidato
como o mais capaz de resolver os problemas, ou dar solução às demandas
que passem a ser consideradas mais importantes ou prioritárias.
Identificamos, nas eleições de 94, um caso típico (ver Almeida,
1999). Assumindo, como Carvalho, o conceito de Cenário de Representação
da Política[4] como o correspondente
político ao “macro ambiente mercadológico”, podemos dizer que a
estratégia de FHC, quando Lula estava com o dobro das suas intenções
de voto, não foi o de tentar parecer melhor do que Lula para resolver
problemas como a fome e o desemprego (acerca dos quais Lula parecia,
no olhar do eleitorado, o mais preocupado). Foi o de, com a criação
do Plano Real, fazer uma intervenção no ambiente, a partir do Estado
e com apoio do mercado (econômico) e da grande mídia, criar uma
nova situação onde ele pode aparecer como o que estava conseguindo
atender à nova demanda que era resolver a inflação e depois o resto
dos problemas.
O marketing político é tido
como a utilização dos princípios do marketing na atividade
política, seja ela de governos, partidos ou personalidades políticas,
estando em imediato processo eleitoral ou não. Mas seu conceito
parece ainda menos consensual do que o do marketing em geral. Marcelo
Coutinho Lima (1988), por exemplo, assume o conceito básico de marketing
para chegar ao conceito de marketing político como visando “garantir
a maior adesão possível a uma idéia ou causa que pode, ou não, ser
encarnada” num candidato.
Rego (1985), afirma que “a tarefa principal
do político é atender às necessidades de seus eleitores, de acordo
com a plataforma de seu partido e os anseios gerais da sociedade”
e que o marketing político é o “esforço planejado para se cultivar
a atenção, o interesse e a preferência de um mercado de eleitores”
sendo, neste caso, “o caminho indicado e seguro para o sucesso de
quem deseja entrar na política” (Rego, 1985). Para tal, ele apresenta
24 lições, instruções e reflexões para facilitar a campanha de candidatos.
Pinho (1991), reafirmando o conceito
de Rego, valoriza mais as técnicas de marketing consubstanciadas
num plano de marketing de seis pontos: 1) definição do produto (o
candidato); 2) determinação dos públicos-alvo; 3) definição dos
problemas e oportunidades; 4) definição da imagem e mensagem do
candidato; 5) determinação dos instrumentos e métodos utilizáveis;
e 6) formulação do plano: o que fazer, quando, como, onde e com
quem.
Miguel Reale Júnior, destaca o marketing
político como conquista da democracia e exercício ativo da cidadania,
na medida em que, segundo suas palavras, “o coronelismo, os currais
eleitorais, o clientelismo perdem força, o eleitorado, liberto das
amarras do obscurantismo e da subserviência, requer a prática do
marketing político como técnica de cooptação e persuasão”[5].
Já Manhanelli (1988), não se preocupa
em recuperar os conceitos clássicos do marketing, partindo do conceito
de estratégia, mas assemelhado ao de guerra, como sendo a “a arte
de aplicar os meios disponíveis com vistas à consecução de objetivos.
Arte de explorar condições favoráveis com o fim de alcançar objetivos
específicos”. Sem meias palavras, diz ele: “Definimos as estratégias
utilizadas em marketing político como sendo a arte de impetrar ações
com o intuito de destacar um nome e suas qualidades junto aos eleitores
da forma mais clara e definitiva possível, levando, nestas ações,
informações de conteúdo que façam o eleitorado assimilá-las com
o objetivo de, no primeiro instante, eleger o dono do nome a um
cargo eletivo, e posteriormente alimentar este conceito e defendê-lo”
(Manhanelli, 1988). E, para que não restem dúvidas, acrescenta:
“em política, a estratégia deve ser utilizada como se utilizam os
generais em tempo de guerra, pois a única ação vergonhosa em campanha
eleitoral é perdê-la”. A eleição é vista como uma guerra sem Convenção
de Genebra e “o puritanismo não tem lugar nem hora em uma guerra
e nem em uma eleição, pois o que está em jogo é muito importante
para quem se dispõe a enfrentá-las” (Manhanelli, 1988).
Segundo Vera Chaia (1996) "Para
os profissionais de marketing, o candidato a um cargo político,
deve respeitar todas as etapas que envolvem a venda de um produto:
desde a criação de uma plataforma política, até a 'embalagem', ou
melhor, a conduta política, a forma de vestir, de se expressar".
Neste sentido, o marketing político não buscaria a formação
de um projeto político e de um candidato como "ele é",
e sim de modo que torne mais fácil a sua aceitação pelo mercado,
ou seja, pelo eleitorado. Seria uma forma "científica"
de conquistar votos, através dos mídia e as funções do marketing.
O candidato, (ainda segundo Chaia citando Richers[6]), "deve conhecer
as necessidades de seu eleitorado, e 'identificar-se com o ideal
condizente com o mercado', 'criar uma marca', 'o político deve,
depois, procurar ampliar vender a sua imagem', 'e apresentar promessas
convincentes' e trabalhar para ampliar seus apoios. Nesta concepção
de marketing, 'você não muda o indivíduo, mas pode educá-lo,
ou levá-lo a auto-educar-se, para atingir esse objetivo, adotando,
por exemplo, uma filosofia política', 'a idéia é moldar o indivíduo,
como moldar um produto".
Já vimos no início deste trabalho a
conceituação de Cid Pacheco sobre o marketing político e eleitoral.
Nestas formulações, algumas questões precisam ser questionadas,
a começar pela afirmação de que "no mundo de hoje, tornou-se
improvável o sucesso numa eleição apenas por meios puramente
políticos (grifos nossos)". Isto parece óbvio, mas não
ficamos sabendo o que o autor considera meios puramente políticos.
E, portanto, isto torna difícil dizer quando e onde houve eleições
disputadas com o uso de meios puramente políticos.
Por outro lado, se concordamos que
não é possível disputar eleições sem a utilização de técnicas de
marketing em geral e àquelas diretamente ligadas à comunicação
em particular, isto não significa concordar com a afirmação de que
"voto é marketing, o resto política". Mesmo porque,
esta frase parece se contradizer com o próprio conceito mais geral
de marketing, e o reduz praticamente à sua fase a publicitária.
Mesmo em casos considerados exemplares de candidaturas marcadas
pelo marketing e pela mídia, como a de Collor em 89, a ação
política foi fundamental. Como nos lembra Albino Rubim "com
certa facilidade, Collor foi afirmado como mero fenômeno produzido
pela mídia. Sem mais, tal afirmativa entroniza a mídia como sujeito
e deprecia Collor, deslocando-o para o papel de coadjuvante, quando
muito complacente com os desígnios da mídia. A ação política torna-se
assim apenas concernente à mídia. Antes de ser um privilégio da
mídia, a produção de Collor enquanto imagem social nacional teve
nele e em sua troupe co-partícipes de perspicácia e de intencional
intervenção política" (Rubim, 1999-c). Collor, assim, se utiliza
de todos os recursos disponibilizados pelo marketing, mas
dá a direção política e se articula politicamente para viabilizar
a sua vitória, o que fica bem claro ainda em “Notícias do Planalto”
(Conti, 1999). E em 94, na eleição de FHC, também temos a política
dirigindo o processo. Neste caso, ainda mais ostensivamente, quando
as forças políticas em torno de FHC conseguiram "forjar um
bloco (histórico) poderoso contra Lula: poder econômico, poder midiático
e parte do poder político" (Rubim, 1995). Outro exemplo, foi
o das eleições argentinas de 1991, precursora da de 1994 no Brasil.
Ali, também podemos falar em marketing político com direção política
e planejamento de ações em várias frentes, para alterar a imagem
do governo Menem, levar à vitória de seu partido nas eleições provinciais
e preparar o terreno para sua reeleição (Propeg, 1991).
O três casos que citamos, antes de
negar a importância da aplicação do marketing à política,
só reafirma sua ligação indissolúvel e, portanto, o sentido de que,
até para seguir uma concepção mais geral de marketing, o
marketing eleitoral não pode se separar do marketing
político como construção de longo prazo e, se quisermos, que busca
o "lucro ótimo a longo prazo". Isto porque, sem a construção
dos cenários políticos, da organização política, do
programa político, e dos recursos materiais levantados para
viabilizar um objetivo político, da aliança política
que viabiliza espaços privilegiados na mídia (ou que altera a legislação
eleitoral do HEGTV para favorecer determinados candidatos (Rubim,
1999) que tenham mais espaço na programação normal e nas formas
tradicionais de fazer política), o "marketing eleitoral"
dificilmente trará resultados políticos vitoriosos. Mais correto
seria dizer: voto é política mais marketing.
Mas, como o marketing político poderia
evitar a política se até o marketing empresarial (especialmente
das grandes empresas) não pode abrir mão dela? Vejamos: o marketing
atua dentro de um meio ambiente macro, onde, entre outros fatores
está a política: órgãos governamentais, parlamentos, parlamentares,
partidos, leis que podem beneficiar ou prejudicar empresas ou setores
econômicos pois "a lei, a opinião pública e a política governamental
constituem um conjunto de fatores do meio ambiente que, cada vez
mais, afetam as decisões de marketing". Por isso, uma estratégia
de marketing deve prever uma intervenção da empresa também nesta
parte do meio-ambiente, o que se faz de três maneiras básicas: 1)
reforçar o departamento jurídico; 2) fazer lobby da empresa pois
"lobbyist da empresa é essencialmente o homem de marketing
encarregado do mercado legislativo"; e 3) fazer o lobby conjunto
em torno de interesses comuns de determinado setor econômico. (Kotler,
1990). Podemos acrescentar: apoiar e financiar candidatos identificados
com seus interesses de marketing (de empresa ou de setor econômico).
Por outro lado, o conceito simplificado
de "satisfação das necessidades e desejos do consumidor"
como sendo a alma do marketing, se já é problemático como
conceito geral, mais complexo se torna na sua aplicação política
e eleitoral em particular, por diversos motivos que precisam ser
melhor estudados, tanto de ordem ética, como em relação aos resultados
políticos concretos. Pois, na política, trabalha-se com imagens
pré-construídas pelos candidatos, partidos ou coligações, assim
como do lugar de fala político-programático já conquistado e/ou
reconhecido socialmente pelo eleitorado. Tudo isto pode criar dificuldades
extras para os candidatos de esquerda se adequarem a "cenários"
ou a determinados "desejos" identificados. A disputa entre
Celso Pitta e Erundina em 1996, em São Paulo, é um exemplo. A candidata
do PT tentou se adaptar aos "desejos" do eleitorado colocando
no HEGTV uma estratégia de marketing que no início "foi
marcado pela imagem do PT que diz sim, em comerciais bucólicos em
que a ex-prefeita passeia no parque do Ibirapuera, fazendo mea
culpa quanto a sua administração e dizendo ter aprendido com
seus erros. Muito criticada pelo partido, esta linha de propaganda
foi logo abandonada, dando lugar a comerciais mais agressivos, onde
o partido, no entanto, desapareceu: o foco é Erundina, com sua biografia
política e suas realizações como administradora" (Aldé e Dias,
1998). Erundina foi adiante, entretanto, e, continuando a tentar
atender aos "desejos" dos eleitores prometeu dar continuidade
a projetos (claramente demagógicos e prejudiciais à população e
ao Estado, aos quais o PT fazia oposição) como o Cingapura
e o PAS porque estes estavam com boa aceitação no "mercado"
eleitoral (Almeida, 1997). Mais: guiada pela mesma lógica, colocou
imagens do presidente FHC no seu horário gratuito. Como sabemos,
nada disso deu resultado. Venceu o marketing político de
Maluf, construído a longo prazo, ou seja: "Maluf transformou
São Paulo numa boa cidade, resolvendo seus problemas; se os projetos
adotados não tiverem continuidade, a cidade retrocederá; Pitta é
a melhor alternativa para continuar os projetos e a garantia é a
intenção de Maluf de concorrer ao governo do Estado ou à presidência.
Ele não pode arriscar um fiasco de seu protegido" (Aldé e Dias,
1998).
Rubim também questiona a afirmação
de que a alma do marketing é sempre o atendimento a "desejos
e necessidades" já existentes: "O reconhecimento desta
mão-dupla entre produtor e consumidor, não deve, entretanto, levar
a uma ingênua suposição da plena realização dos interesses dos consumidores
e do predomínio do consumidor sobre o produtor, inclusive porque
na fase contemporânea do capitalismo, através de variados mecanismos,
a publicidade entre eles, podem ser criadas demandas e expectativas
de consumo. Por conseguinte, o consumidor também aparece como resultante
da produção capitalista" (Rubim, 1997).
Exemplo recente (a reeleição de FHC)
mostra a importância fundamental e decisiva da política no marketing
eleitoral. “Esta história política – com nítidos contornos mercadológicos
– começou a ser contada dois anos antes, em 1996, quando o então
Ministro das Comunicações, Sérgio Motta, atuando como porta-voz
do Presidente Fernando Henrique Cardoso, lançou o projeto da reeleição
e passou a construí-lo com minúcias e requintes. A variável política
do projeto foi, na opinião de Cláudio Barreto, da CBVR de Salvador,
que participou da equipe de publicidade da campanha de Fernando
Henrique, ‘o elemento decisivo para a vitória, pois a aliança que
elegeu-reelegeu Fernando Henrique Cardoso dedicou a maior parte
do seu tempo na arquitetura das alianças políticas, tendo partidos
como PMDB e PTB como maiores desafios a serem conquistados para
a sua concretização” (Queiroz, 1999). Mas do que isso, no mesmo
depoimento onde fez esta afirmação[7], Cláudio Barreto acrescentou a ação do comando de
FHC para viabilizar a reeleição no Congresso, alterar a legislação
eleitoral, obter recursos financeiros e retirar notícias negativas
ao governo da mídia. Segundo este publicitário, a razão maior da
vitória de FHC deve ser encontrada não principalmente nos espaços
da mídia, mas pelo fato de seu grupo ser “mais organizado”.
E não poderia ser muito diferente.
Apesar do marketing, de um ponto de vista isolado, constituir um
sistema diferenciado e próprio é, no fundo, “um sub-sistema dentro
do sistema global da empresa que abrange ainda a administração,
a produção e as finanças” (Simões, 1977)
Muitos publicitários e teóricos do
marketing político costumam reclamar quando os políticos querem
tomar decisões de marketing. Isto não parece, entretanto, coerente
com próprio marketing original. Vejamos: “Estratégia é o conjunto
de movimentos da empresa em direção ao futuro. Formulação da estratégia
é o processo pelo qual se escolhe o futuro da empresa e os meios
de alcançá-lo. Implementação da estratégia é o conjunto de ações
executivas que regem os movimentos da empresa em direção ao futuro
escolhido. A estratégia de marketing é a parte visível da estratégia
empresarial, abrangendo as decisões sobre a seleção do composto
produto-mercado e a forma de competir. A estratégia de marketing
é a face externa da estratégia empresarial. Como tal, é tarefa
indelegável da alta direção (grifos nossos)”. (Rocha e Christensen,
1994).
Kotler e Armstrong (1999), também vão
na mesma direção: "Existe uma superposição entre a estratégia
geral de uma empresa e a estratégia de marketing". E, como
já citamos acima, "é da própria cúpula da empresa que deve
partir uma liderança total em marketing" (Domingues,
1970).
Afonso Albuquerque, no prefácio a Rejane
de Carvalho (1999) identifica que este trabalho é uma contribuição
que “permite contestar a associação demasiado rápida entre a mediatização
das campanhas eleitorais e o declínio do discurso ideológico (...)
No Brasil, foram os partidos de esquerda que, em grande medida,
desempenharam um papel de vanguarda na adoção de formatos publicitários
e televisivos na propaganda política. E, como o demonstram as campanhas
de Maria Luiza em 1985 e de Lula de 1989, isto nem sempre implicou
em um declínio do discurso ideológico”[8]
Já sobre a campanha de 1989, diz Albuquerque
(1999) que “os programas de Lula adotaram um discurso que valorizou
o debate temático, conduzido sob uma perspectiva nitidamente socialista.
Ao contrário de uma figura heróica – distanciada do povo – Lula
foi retratado como um trabalhador, fundamentalmente semelhante aos
demais brasileiros – revestidos da identidade de ‘trabalhadores’
eles também. Quanto aos adversários, embora frequentemente citados
nominalmente, o que importava neles era menos suas biografias particulares
que o fato de representarem os interesses do capital, opostos aos
da classe trabalhadora”. Além disso, “em nossa análise dos programas
de Collor, Lula e Afif, como, na campanha de 1989, estilos comunicativos
distintos foram empregados para materializar as propostas dos diversos
candidatos. Em última análise, este livro sugere que o pleno uso
dos recursos comunicativos audiovisuais da televisão não conduz
necessariamente à transformação da campanha eleitoral em “um circo”
(Albuquerque, 1999).
“A campanha de Lula no HGPE ilustra
isso de modo particularmente eloquente. Durante toda a campanha,
os programas de Lula se esforçaram por se apresentarem ao público
como programas de televisão – como a ‘Rede Povo’ – sem que isso
implicasse em uma recusa ao debate ideológico. Ao contrário, a ‘Rede
Povo’ foi apresentada como portadora de uma perspectiva alternativa
à das televisões comerciais, uma perspectiva dos trabalhadores:
‘aqui você vê o que não vê nas outras tevês’. Vimos também como
o tema da ‘luta de classes’, central na argumentação do candidato
petista, foi consistentemente ilustrado pelas escolhas de imagens
e pela sua edição nos seus programas”. (Albuquerque, 1999).
Em termos de marketing político, é
fundamental também a idéia de marca. Se um partido, aliança política
ou personalidade política pretende ter uma longa vida, precisa pensar
como “marca”. Portanto, como “marketing de relacionamento” (Kotler
e Armstrong 1999), e no sentido também de que “o ideal de toda empresa
é criar uma preferência dos consumidores por sua marca, ou, ainda,
melhor, criar lealdade à marca” (Rocha e Christensen, 1994), a partir
dos estágios anteriores de “Reconhecimento da marca”, “Aceitação
da marca” e “Preferência pela marca”. Do ponto de vista político-eleitoral,
é ainda importante porque “no contexto do comportamento de compra,
a aprendizagem se produz quando o indivíduo, após realizar a compra,
consome ou usa o produto. Se a experiência obtida é positiva, ele
tenderá a buscar o mesmo produto, quando a mesma necessidade se
manifestar”. O seja, no caso eleitoral, o consumidor só “consumará”
o consumo depois da posse do eleito e dará um retorno sobre sua
satisfação votando na eleição seguinte, e, em parte, manifestando-se
durante o mandato e produzindo opinião negativa para político.
O que, inclusive, pode gerar uma “dissonância cognitiva” que é a
sensação de desconforto causada no consumidor pelo conflito pós-compra.
11. “A onda do mercado
são várias”
Estas questões, portanto,
permitem, em primeiro lugar, a reafirmação de que não é possível
pensar em marketing político sem política. Em segundo lugar, nos
dão alguns importantes pressupostos para colocar em discussão a
importância do marketing e do uso de suas técnicas, não somente
numa perspectiva de adaptação do político, candidato, partido ou
coligação a um cenário hegemônico e apenas para facilitar o atendimento
de desejos já consolidados, mas também de modo a contribuir com
uma intervenção política de sentido contra-hegemônico. Ou seja,
que possa influir na alteração de cenários a médio e longo prazos,
assim como também de potencializar, no período propriamente eleitoral,
desejos, necessidades, críticas e opiniões que estejam em estado
latente ou fora da agenda da mídia e do bloco de poder como um todo.
Afinal, a frase “a onda do mercado são várias” também vale para
a opinião pública política. Não existe uma única onda ou corrente
de opinião em circulação[9]. E se “a onda da opinião pública são várias”, sempre
será possível identificar aquela (s) que possa (m) melhor contribuir
para uma ação política e de marketing político de sentido contra-hegemônico.
O cuidado, para os candidatos, é para não pegar a onda errada e
bater com o “lugar de fala” na parede.
Nesta hipótese do marketing
de contra-hegemonia, a “grande onda” é o cenário de representação
da política hegemônico. E para quem está fora do cenário hegemônico,
que fazer para ter sucesso? Em princípio, dois caminhos. Um é seguir
os conselhos clássicos do marketing, e aderir ao cenário hegemônico,
procurando se tornar simpático ao eleitor, mesmo que isso signifique
mudar o discurso e até mesmo o programa. É uma alternativa complicada,
basicamente, por dois fatores: por um lado, porque perde a sua razão
de ser. Já que não faz disputa de hegemonia, mas apenas de votos
e não faz guerra de posição, mas apenas guerra de cargos, perde
o seu sentido político; por outro lado, porque isto não dá garantia
de vitória eleitoral. Como já vimos em outros filmes, o eleitor
pode achar melhor o candidato originalmente aderido ao cenário hegemônico.
A outra alternativa, é enfrentar
o cenário hegemônico, o que também não é simples, pois não basta
sair gritando palavras de ordem de oposição, mesmo se somadas a
uma boa e justa lista de propostas concretas e viáveis. A campanha
de última hora e que só aparece na hora do HEGTV, "oposicionista"
ou "propositivista" (tanto faz), terá um retorno limitado
se não tiver uma real sustentação social.
As possibilidades de vitórias
da esquerda, parecem ligadas a uma disputa de hegemonia permanente,
na oposição e afirmação de projetos, e na construção da contra-hegemonia.
Isto pode ser possível, antes de tudo, pelas próprias contradições
e tensões internas ao exercício da hegemonia. Pois esta é uma combinação
de dominação e liderança exercida pelo consentimento e pela força,
através da imposição e da concessão, de e entre classes e bloco(s)
de classes, de forma ativa (como vontade coletiva) ou passiva (através
de um apoio disperso). E construída tanto com medidas de atendimento
de necessidades e interesses materiais como do predomínio e da luta
cultural e ideológica, através do Estado, da sociedade civil, do
mercado e da mídia. E especialmente tensionada, instável e precária
em formações sociais como tem sido a brasileira.
Isto significa que a contra-hegemonia
não se constrói do nada ou apenas com um discurso doutrinarista,
mas a partir do ideário, do imaginário, da cultura e da experiência
vivida ou televivenciada que já estão presentes na sociedade, seja
como resistência ou de forma latente ou emergente. Como ondas alternativas,
inclusive impregnando o hegemônico e até mesmo alcançando pequenas
e grandes mídias. O uso competente de pesquisas de opinião, que
procurem não só identificar o senso comum, mas o contra-hegemônico
e seu potencial; a elaboração de um marketing contra-hegemônico;
e a mobilização popular - poderão inclusive ocupar espaços imprescindíveis
no Estado e na mídia "dos outros", impondo temas, agendas
e agentes e mexendo na correlação de forças.
Portanto, a possibilidade de construir
um novo cenário, ou transformar um contra-hegemônico em hegemônico,
passa pela relação da política com o marketing e das ruas com a
mídia. Se o que se passa na tela não tem respaldo nem no imaginário
nem na vida real, não tem credibilidade. Se quem pretende construir
uma contra hegemonia não detém o poder do Estado para criar ações
de impacto de cima para baixo (como foram os casos do Real em 94
e 98 e das obras de várias prefeituras em 96), nem a propriedade
da mídia para influir na agenda, somente a pressão de fora para
dentro, da sociedade civil para o Estado e para a mídia, pode mexer
na agenda e democratizar o Estado e a mídia. Na história recente
estão aí as Diretas Já, o impeachment, a luta dos sem terra e o
zapatismo mexicano. E isto reafirma o papel central da sociedade
civil e dos espaços estatais na disputa de hegemonia ... e no marketing
político.
Estudar e desenvolver esta questão,
é uma das tarefas que estamos procurando cumprir ao pesquisar o
processo político-eleitoral que se constituiu nas eleições presidenciais
de 1994 e 1998.
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