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A CACHAÇA EM SALVADOR
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Apesar de ser um dos locais de maior produtividade de cana de açúcar, a Bahia, como um todo, não possui uma forte indústria da cachaça, especialmente, quando comparada a Minas Gerais. O que não deixa de ser um fato curioso, ainda mais se observarmos a história da cachaça no Brasil e lembrarmos que os senhores de engenho serviam esta bebida na primeira refeição aos escravos.
Podemos confirmar tal afirmação se observarmos que a população urbana relega este produto à segundo plano, preterindo a velha e boa cerveja. Bares fecham, restando apenas aqueles que conseguem resistir devido à comercialização de outras bebidas, assim como, o baixo preço das doses de cachaça.
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Lojas
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Na cidade de Salvador, as cachaças destiladas, a exemplo da Caninha e da 51, sempre estiveram disponíveis ao público, podendo comprá-las em bares e supermercados. Tal produto, no entanto, nunca teve direito a uma loja específica até o dia em que montaram o Cachaça do Brasil, um estande temporário que se localizava no segundo piso do shopping Iguatemi.
Com 12 anos de experiência, o Cachaça do Brasil já possue sedes nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal. A companhia também exporta cachaça para fora do país. Além das cachaças, a empresa distribue alguns subprodutos da cana de açúcar, à exemplo do caldo, das trufas a base de cachaça, dos licores.
Sobre o futuro do estabelecimento, Magalhães, afirma que, provavelmente, até junho deste ano, a loja estará fixa. No novo local, está quase garantida a venda de Abaíra e Itatim (cachaças produzidas no interior da Bahia), assim como, a venda da aguardente São Marco, fabricada em Goiás. As infusões realizadas no Cravinho, porém, se encontram fora da listagem das novas bebidas. Segundo Magalhães, tais cachaças ainda apresentam forte valor folclórico, mesmo se considerado os novos estudos que vêm sendo realizados. Tal fator contribue de forma decisiva para a recusa da venda desses produtos na recente empresa. O Cachaça do Brasil na Bahia continuará sendo apenas loja, excluindo, desta forma, a possibilidade de se transformar em fornecedora de bebidas de um bar específico.
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| Bares | ||
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Diferentemente das lojas, os bares que comercializam esse tipo de bebida parecem não resistir durante muito tempo, à exceção do Cravinho, velho bar com 25 anos, localizado na Praça Terreiro de Jesus, do Pelourinho.
O Água Doce, localizado na Pituba, foi outro que teve suas portas cerradas. Bem divulgado e elogiado pela revista Veja Bahia 2001, bares e restaurantes, o bar começou a gerar problemas há seis meses atrás. Segundo o novo proprietário do local, Salomón Piascowsky, o antigo dono deu cabo a uma reforma que só deu prejuízos. E para tirar o bar do atoleiro, subiu os preços da bebida, perdendo assim muito de seu público.O tão comentado Água Doce será agora uma pizzaria. Além do encerramento desses bares, há uma grande dificuldade em se ter acesso a eles. Na Internet e nos jornais baianos não há divulgação. A telefônica Telemar não emite seus telefones. O conhecimento se dá, basicamente, através do boca a boca. Apesar dos fracassos, há um sucesso no meio deles. Ele se chama Cravinho, é simples, agradável, diversificado.
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| O Cravinho | ||
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Funcionando durante todos os dias da semana, no horário de 11:30 da manhã às 23:00 da noite, o Cravinho oferece um cardápio variado e em conta. As roscas custam 2,00 reais, o whisky (a dose) varia de 2,50 à 4,00 reais, a cerveja (garrafa) vale 2,00 reais. Das bebidas, no entanto, o preço baixo fica por conta das infusões (0,80 centavos à dose), produzidas no próprio local, possuindo os mais diferentes sabores. As comidas seguem na mesma linha de preços: tira-gostos (de 4,00 a 14,00 reais), caldos (de 2,50 à 3,00), petiscos (de 1,50 à 4,50). A qualidade e quantidade não deixam a desejar! Apesar da cachaça ser o carro forte desse local, a bebida mais consumida é a cerveja. Tal quadro, entretanto não é fixo, podendo se alterar em determinadas épocas do ano, sobretudo, nos meses de junho e julho. O público bastante eclético é por vezes eventual, por vezes cativo. Sendo que, a resistência do bar se deve, sobretudo, à esse último tipo, conforme afirma a gerente Meyre. Ela ainda nos conta que muitas celebridades costumam freqüentar e recomendar o estabelecimento, à exemplo do jogador Romário, do jornalista e apresentador Pedro Bial, dos músicos Jorge Ben Jor, Luis Melodia, Bezerra da Silva, Paulinho Boca de Cantor, dentre outros. O Cravinho ainda conta com a presença de políticos, que trabalham naquela localidade e ao fim do expediente se encontram para um bate papo informal e uma cervejinha. Os consumidores mais assíduos, no entanto, são os jovens, que buscando um lugar animado e barato freqüentam esse local. As infusões, produto mais barato da casa, são fabricadas no terceiro piso. Num barril de madeira se dá a mistura da cachaça comum, ou seja, não destilada, com uma essência de fruta ou temperos. Dentre as principais, podemos citar: o jatobá, o cravo e a casca de laranja. O jatobá, considerado afrodísiaco, tem a exploração de sua árvore proibida pelo Ibama. O Cravinho, no entanto, através de uma fonte proveniente de Santo Amaro consegue este sabor, que leva de 30 à 40 dias no barril envelhecendo. Já, o cravo, é de fácil acesso, podendo ser encontrado em qualquer feira ou supermercado, ele deve ser cozinhado antes de sua inserção no barril, seu tempo de envelhecimento é bastante rápido, precisando apenas de 6 à 7 dias. A casca de laranja é a mais lenta no processo de envelhecimento, levando em média 70 dias para sair do barril. Segundo Meyre, vale a pena esperar, pois tal cachaça é mais saborosa que o Control. A variação desse tempo, no entanto, não interfere nos preços das doses, custando todas elas 0,80 centavos. Ao sair do barril, a cachaça ainda está relativamente forte, devendo ser misturada ao mel e limão, para suavizar o seu cheiro e gosto. Alguns sabores, porém, desprezam esse tipo de procedimento, à exemplo da erva doce, que muitas vezes é ingerida pura, sem qualquer adicional. A quantidade de cachaça e da essência introduzida no barril é bastante variável, não possuindo um valor médio. A aprovação do gosto é realizada pela gerente Meyre e pelo proprietário Julival, que ocasionalmente viajam para o interior com o objetivo de descobrir novas receitas. A mais nova descoberta chama-se Jureminha, comercializada, até então, no interior da Bahia. Em alguns meses, porém, ela estará no cardápio do bar. Infelizmente, as infusões ainda não estão rotuladas, o que significa dizer, que a venda da garrafa ainda é proibida. Segundo Meyre, o patenteamento não foi realizado devido à questões de ordem financeira. Tal fator constitui-se numa barreira ao lucro, visto que, muitos bares, à exemplo do Alambique, já fabricam e vendem infusões com receitas tradicionais do Cravinho. O estabelecimento, no entanto, tem o direito de vender as doses de infusão, escolhidas pelo cliente, em garrafinhas de cerâmica. Quem se interessou, o telefone para contato é: 322-6759
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