Faculdade de Comunicação- UFBA

 

 

 

 

noLINHA DIRETA

Eis que a mídia se funde espetacularmente com a violência. Ela entra em nossas casas com requintes de filme de suspense norte- americanos e narração firme, decidida e pausada que anseia por uma lágrima de tristeza ou um grito de terror dos telespectadores.

Ao criar o programa Linha Direta, a Rede Globo de Televisão associou aquilo que mais sabe fazer, com o que o público mais se interessa, ou seja, novelas que giram sempre em torno da violência e do sexo, mas contadas a partir de fatos reais. O público, em geral, adora saber tudo a respeito da vida alheia, seja uma simples briguinha até um assassinato. Se o telespectador quer, ele verá. No entanto, é ridículo observar que tal produto é anunciado pela emissora como um suposto programa de utilidade pública. Ela apresenta o assassino e seus assassinatos, obtém sua audiência e lucro e deixa você, caro telespectador, com o perigo de que a pessoa exibida, se estiver próxima a você, faça o que quiser para fugir.

Porém, se nos detivermos apenas no programa, perceberemos o quanto somos manipulados. Reconstituição dos fatos, músicas em seqüências crescentes ao fundo ( de forma que envolva o público) e o ingrediente principal, o choro dos parentes e amigos da vítima. Todos os elementos que devem estar presentes em um programa sensacionalista.

Vê-se, então, que somos colocados como um júri popular, o qual deve condenar ou inocentar o réu, mas nesse tribunal, não há advogado de defesa, somente o promotor. Assim nos deixamos ser induzidos a crer naquilo que vemos parcialmente, e a julgar o caso olhando para apenas um dos lados.



 

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Produzido por Fernanda Alamino e Milena Leite