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noLINHA
DIRETA
Eis que
a mídia se funde espetacularmente com a violência. Ela entra
em nossas casas com requintes de filme de suspense norte-
americanos e narração firme, decidida e pausada que anseia
por uma lágrima de tristeza ou um grito de terror dos telespectadores.
Ao criar
o programa Linha Direta, a Rede Globo de Televisão associou
aquilo que mais sabe fazer, com o que o público mais se interessa,
ou seja, novelas que giram sempre em torno da violência e
do sexo, mas contadas a partir de fatos reais. O público,
em geral, adora saber tudo a respeito da vida alheia, seja
uma simples briguinha até um assassinato. Se o telespectador
quer, ele verá. No entanto, é ridículo observar que tal produto
é anunciado pela emissora como um suposto programa de utilidade
pública. Ela apresenta o assassino e seus assassinatos, obtém
sua audiência e lucro e deixa você, caro telespectador, com
o perigo de que a pessoa exibida, se estiver próxima a você,
faça o que quiser para fugir.
Porém,
se nos detivermos apenas no programa, perceberemos o quanto
somos manipulados. Reconstituição dos fatos, músicas em seqüências
crescentes ao fundo ( de forma que envolva o público) e o
ingrediente principal, o choro dos parentes e amigos da vítima.
Todos os elementos que devem estar presentes em um programa
sensacionalista.
Vê-se,
então, que somos colocados como um júri popular, o qual deve
condenar ou inocentar o réu, mas nesse tribunal, não há advogado
de defesa, somente o promotor. Assim nos deixamos ser induzidos
a crer naquilo que vemos parcialmente, e a julgar o caso olhando
para apenas um dos lados.
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