|
Antônio
Conselheiro
Nasceu na Vila do Campo Maior de Quixeramobim,
na então província do Ceará, Antônio Vicente Mendes Maciel,
no dia 13 de Março de 1830, aquele que mais tarde ficaria
conhecido como Antônio Conselheiro. Perdeu a mãe aos quatro
anos e seu pai, Vicente Mendes Maciel um negociante do Ceará,
casa-se novamente pouco mais de um ano depois da morte da
mãe de Conselheiro
O menino Antônio sofreu maus tratos da madrasta, algo que
ele veio a se queixar quando já estava em Canudos. Com a morte
do pai em 1855, ele tomou conta da família e dos negócios.
Falhou como comerciante e exerceu, então, várias outras atividades,
já fora de Quixeramobim. Foi professor primário, rábula, caixeiro,
amansador de cavalos entre outras.
Havia estudado na infância, pois seu pai lutou para dar-lhe
alguma instrução. Aprendeu a ler, a escrever, a contar e estudou
gramática, aritimética, geografia, latim e outras matérias.
Sofreu na infância com o gênio da segunda mulher de seu pai,
e também na mocidade tendo que lidar com o difícil temperamento
de sua própria esposa com quem casou em 1857 e teve dois filhos.
Francisca Maciel abandonou o marido fugindo com um soldado
da Força Pública. Desfeito o lar, nunca se soube do paradeiro
de seus filhos, sendo que este insucesso doméstico fez com
que se agravasse a sua situação pessoal.
Quando posteriormente nos anos 70 tornou-se o mais conhecido
conselheiro dos sertanejos, divulgou-se uma história de que
ele havia matado a companheira e a mãe, num momento dramático,
fato que até hoje ainda é divulgado nos sertões e que foi
desmentido por Conselheiro. Envergonhado com o que acontecera
com sua esposa, Antônio Maciel foi embora de Quixeramobim
e morou em diferentes lugares do Ceará: Ipú, Sobral, Santa
Quitéria, Tamboril, onde foi professor.
Chegou a ter um outro relacionamento e um filho com Joana
Imaginária. Aos poucos assumiu a vida de andarilho, tornando-se
peregrino e pregador, tendo o apoio de Joana na sua missão.
Se alimentava apenas de cereais e frutas e vestia um camisolão
azul, possuía barba e cabelos crescidos, sem asseio.
Mesmo sendo rigoroso consigo não impunha a sua prática ao
povo. Além de pregar e orar realizava com a população em mutirão
obras que o governo não fazia, como açudes, cemitérios, escolas,
capelas etc. Recolhia donativos e distribuía entre os mais
carentes sem ficar com nada para si. Acolhia o povo na sua
simplicidade e pobreza.

A única fotografia
de Antônio Conselheiro, feita por Flávio de Barros em Canudos,
em 06 de outubro de 1897, 14 dias após sua morte.

Pintura: Gabriel
Arcanjo

Gravura: Carybé

Foto: Evandro
Teixeira
|
CANUDOS
Antônio Conselheiro começou a peregrinar
pelos sertões da Bahia no início dos anos 70. A república
foi proclamada e ele continuou a percorrer cidades, vilas
e arriais reformando igrejas, cemitérios e etc. Cada vez mais
ouvido pelos sertanejos, consolidava seu papel de líder e
no início da década de 90, ele já era um grande incômodo para
as lideranças políticas e religiosas da região e a própria
República nascente, que precisava consolidar o seu ideário
e poder.
Diante das ameaças sofridas, chegando a serem enviadas forças
policiais em 1893 para prendê-lo, ele resolve fundar um novo
arraial para congregar seus seguidores. O lugar escolhido
foi Canudos e rebatizado como Belo Monte. Os seguidores de
Conselheiro eram considerados elementos desestabilizadores
da nova ordem republicana, pois não pagavam impostos, possuíam
uma organização econômica autônoma, mantendo comércio com
outras unidades da região, estabelecendo uma milícia própria,
inclusive com o presídio local. Era um verdadeiro Estado dentro
da nova República Brasileira, que chegou a ter quase 20 mil
habitantes.
O estopim da Guerra de Canudos foi um episódio sem importância
que faria eclodir uma tragédia. Estava quase pronta a Igreja
de Belo Monte quando Conselheiro solicitou a compra de uma
partida de madeira em Juazeiro, para a cobertura do templo.
O Juiz de Direito Arlindo Leoni, antigo desafeto do peregrino,
aproveitou o fato para retaliar a figura de Conselheiro e
mandou o comerciante não entregar o pedido que já estava pago.
Antônio resolveu enviar um grupo de seus seguidores para apanhar
a madeira, quando Leoni aproveitou-se da situação para dizer
ao então governador da Bahia, Luís Viana de uma possível invasão
dos adeptos de Conselheiro pedindo providências. Surgia assim
a primeira expedição enviada para Canudos pelo Governo do
Estado.
A três primeiras fracassaram pois os seguidores de Conselheiro
conheciam muito bem a região e tinham informantes que avisavam
a cada passo de aproximação das tropas governistas. Canudos
ganhou proporções de problema alarmante. Preparou-se a Quarta
Expedição com milhares de homens vindos de quase todos os
estados. A tropa poderosa levou meses para abater a heróica
resistência dos sertanejos. Somente em outubro do ano de 1897,
com inúmeras baixas, as milícias republicanas dominaram e
arrasaram o chamado Império do Belo Monte.
Foi este um dos maiores, senão o maior fratricídio da história
do Brasil, tendo o vencedor degolado vencidos já entregues,
servindo este fato como referência a mais uma parte negra
do nosso país.
|